Continuidade da Astronomia no Verão no distrito da Guarda em causa

Os «cortes sucessivos que têm vindo a acontecer ao longo dos últimos anos» poderão comprometer a continuidade da Astronomia no Verão no distrito da Guarda, desde sempre promovida pela ADM-Estrela. O projecto é organizado há 21 anos pela Ciência Viva, em colaboração com mais de uma centena de instituições científicas, Centros Ciência Viva, associações, autarquias e empresas, e financiado pela FCT-Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela Ciência Viva. Tem como objectivo, divulgar e estimular o interesse sobre os astros. As sessões, que decorrem todos os anos entre 15 de Julho e 15 de Setembro, são acompanhadas por monitores que explicarão tudo sobre os astros e as galáxias.
«Há um esforço por parte desta IPSS para isto não acabar, porque isto está mesmo no limbo, está por um fio», alerta Marco Pereira, responsável pela monitorização das sessões de observação nocturna nos últimos quatro anos. Um esforço que que se nota desde logo no número de localidades a receber a iniciativa. «Desde o ano passado para este ano foram metade das localidades», refere o monitor, destacando que «quando a ADM começou era quase um mês inteiro da Astronomia no Verão». «A associação faz um esforço e uma afectação de recursos próprios para tentar que esta actividade não acabe. Ou seja, disponibilizam os carros e este ano dois colaboradores voluntariaram-se para nos ajudar a montar o equipamento», concretiza.
«Não há orçamento, nós fazemos isto quase a um custo simbólico», acrescenta.
Nesta edição, as observações nocturnas no âmbito da Astronomia no Verão decorreram entre 11 e 19 do corrente, em quatro concelhos do distrito da Guarda e uma localidade do distrito de Castelo Branco, nomeada-mente Maçainhas, no concelho de Belmonte. Guarda, Fernão Joanes, Vela e Trinta, no concelho da Guarda, Figueiró da Granja (Fornos de Algodres), Pinhel, Penha Forte, naquele concelho, e Vale da Mula (Almeida) foram as restantes localidades a receber a iniciativa.
De todas elas, a capital de distrito é a menos atractiva do ponto de vista da observação nocturna. O motivo prende-se com a poluição. «São locais que atraem os observadores e participantes por terem pouco poluição luminosa e atmosférica, os dois factores que são mais importantes. De todas, se calhar a Guarda é a pior, é a que tem mais poluição», esclarece o monitor.
Contrariamente ao que se verificou o ano passado, devido aos incêndios, este ano «correu bem». «É um factor que prejudica as observações. É linear, quando há incêndios as observações e a actividade ficam comprome-tidas, embora possa sempre haver um esclarecimento de dúvidas», explica Marco Pereira.
As observações nocturnas permitiram observar «muito bem o planeta Saturno, estava muito alto – o ano passado estava um bocadinho mais perto do horizonte e se atrasássemos a secção perdia-se, mas este ano via-se muito bem. Enxames abertos e globulares e conseguiram-se ver também durante as sessões as Perseidas (chuva de meteoros associada ao cometa Swift-Tuttle)».
«Há sempre muitas pessoas a participar, desde os mais pequenos aos mais adultos, e até pessoas já com alguma idade. Por secção há entre 20 e 30 pessoas, mesmo nos locais mais isolados», garante, sublinhando que tem acontecido algo «muito interessante». «Este ano apareceram cinco pessoas de Almada que estão a passar férias no Interior, e como sabem que no Interior há pouca poluição luminosa e pouca poluição atmosférica e se interessam por este tipo de actividades, fazem a inscrição e participam», concretiza, referindo que no ano passado aconteceu algo idêntico.
«E consegue-se fazer muito bem uma coisa que é a observação à vista desarmada. Nós começamos sempre as secções com essa observação, onde explicamos as cons-telações e as estrelas mais brilhantes», destaca Marco Pereira, concluindo que «aqui é que é a tal vantagem das aldeias onde se faz observação da Astronomia no Verão e começa a ser procurada por pessoas das grandes cidades para o Interior passar férias e aproveitam as secções».
GM

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