Coolabora registou 102 novos casos de violência doméstica na Cova da Beira este ano

A Coolabora acompanhou este ano 236 vítimas de violência doméstica na Cova da Beira, 102 dos quais relativos a novos casos, informou hoje aquela cooperativa de intervenção social que tem gabinetes de apoio nos concelhos de Belmonte, Covilhã e Fundão.

Os dados apresentados em conferência de imprensa reportam ao período entre 01 de Janeiro e 31 de Outubro e mostram que a procura de apoio foi maioritariamente feminina, razão pela qual a instituição realça a importância de se continuarem a criar soluções para que as “mulheres vítimas de violência sintam que podem pedir ajuda para sair de situações que são um atentado aos seus direitos humanos”, como afirmou Graça Rojão, presidente da Coolabora.

A estatística relativa a este ano mostra ainda “um aumento exponencial” de apoio a vítimas cujos processos já tinham sido abertos em anos anteriores, num total de 134 pessoas.

“Desta forma, contabilizando os processos novos e vítimas em acompanhamento continuado de anos transatos registou-se, de janeiro a outubro de 2021, um total de 236 vítimas atendidas”, aponta a Coolabora.

“Isto mostra-nos que a violência doméstica é um problema que, de facto, está presente nas nossas sociedades e que tem de ter respostas articuladas e concertadas, como aquelas que a rede Violência Zero nos tem permitido dar”, referiu Diana Silva, técnica de apoio a vítimas naquela instituição.

Segundo detalhou, dessas 236 vítimas, 212 são mulheres e 24 são homens.

Diana Silva apontou, igualmente, que a violência física também tem tido um aumento nos últimos três anos, sendo que 70% das situações que chegaram à Coolabora este ano estavam relacionadas com episódios de violência física recorrente, tendo havido também um ligeiro aumento da violência sexual.

Por outro lado, houve também um aumento das situações com vítimas idosas, num total de 42 casos, ou seja, 17,8% do número de vítimas acompanhadas.

Realçando que o gabinete de apoio à vítima de violência doméstica nunca deixou de funcionar presencialmente, mesmo durante os períodos de confinamento, Diana Silva detalhou que, ao longo destes dez meses, foram realizados 421 atendimentos presenciais e 1.455 atendimentos telefónicos.

Aquela responsável informou ainda que, devido à situação pandémica, foi necessário “refinar” algumas estratégias para se conseguir chegar a algumas vítimas que não podiam pedir ajuda de forma presencial.

A Coolabora informou ainda que criou, em Setembro, uma nova resposta que visa apoiar as crianças e jovens vítimas de violência doméstica. Trata-se do “devo.L.ver”, que está a acompanhar 12 crianças e jovens, cinco do sexo feminino e sete do sexo masculino.

Nestes dois meses de funcionamento, foram realizados 29 atendimentos presenciais e dez por atendimento telefónico e a faixa etária mais predominante está entre os 11 e os 16 anos, segundo afirmou Raquel Bernardino, psicóloga do projeto.

Outra das respostas passa pelo projeto Rasgar Silêncios, no qual se desenvolvem oficinas de escrita autobiográfica para mulheres que viveram situações de violência doméstica, procurando “contribuir para o combate ao silêncio e à indiferença”, destacou Sílvia Pinto Ferreira.

Deste projecto resultou ainda um espectáculo dramatúrgico e performativo, que tem a produção da Quarta Parede e que será apresentado no auditório do Teatro das Beiras, às 21:30, de 25 de Novembro, data em que se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

A presidente da Coolabora, Graça Rojão, realçou ainda o facto de as respostas às vítimas serem dadas de forma coordenada entre entidades, no âmbito da rede Violência Zero, que envolve 23 organizações como as forças de segurança, entidades de saúde, entidades judiciais e comissões de protecção de crianças e jovens dos concelhos de Belmonte, Covilhã e Fundão, no distrito de Castelo Branco.

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