Covid – 2023

A Covid veio para ficar. Está a fazer o seu percurso de adaptação: infecta, adapta-se e sobrevive, mantendo-se num caminho de menor gravidade.

O natural nestes casos.

Portugal, no essencial, também fez o necessário – vacinação atempada e universal. Como sempre, bem na primeira fase, menos bem na continuidade. Hoje as taxas de vacinação, (número de pessoas vacinadas por cada mil pessoas em determinado grupo etário), estão abaixo do necessário, nalguns grupos etários, para conferir imunidade de grupo. Estamos epidemiologicamente bem nos idosos. A aderência vacinal tem vindo a baixar. Que ninguém se iluda, a Covid não acabou!

A fadiga pandémica não nos pode afastar do essencial: a VACINAÇÃO.

Devemos retirar ensinamentos, sem atirar pedras a ninguém, do que correu menos bem. Isolamentos e cercas sanitárias em excesso. Os acórdãos dos tribunais reconheceram-no e explicaram-no. Devem compatibilizar-se os bens em confronto – a saúde enquanto bem publico, deve respeitar a liberdade e a dignidade humana.

A engenharia social ao afastar os idosos e os portadores de deficiência da convivência social com os familiares próximos, e no fundo de toda a sociedade, muito para além do necessário, é uma ofensa à sensibilidade humana.

O direito ao afecto é uma conquista civilizacional.

A forma indescritível como tratámos e acompanhámos os nossos mortos, vai constituir-se como exemplo antológico de abandono. Cientificamente inútil e desnecessário. A história da medicina, daqui a umas décadas, vai dá-lo como exemplo de erro. Repetimos o maior dos erros da pandemia de 1918 (Pneumónica) nas palavras de Miguel Torga.

A crença no utópico – impossível por definição – Covid Zero está errada. A China enquanto laboratório gigantesco de engenharia social, demonstra-o de forma clara. De forma dolorosa também.

A emoção e a boa vontade sobrepuseram-se à racionalidade. É sempre assim em Portugal: focámo-nos num problema e descurámos os restantes. A saúde das populações necessita de intervenções programadas, contínuas e sustentadas ao longo tempo em todas as patologias – agudas e crónicas. Também em todos os grupos etários e em todos os grupos socioeconómicos. Os bons resultados em saúde não se compadecem com a exclusão de nada, nem ninguém. Os ganhos em saúde maximizados resultam da boa calibração de todas as acções e intervenções.

As taxas de mortalidade e morbilidade vão mostrar o resultado do abandono, muito para além do necessário, de um conjunto de acções e intervenções em saúde.

A correção das assimetrias, dos diagnósticos e dos tratamentos em atraso é o desafio organizacional dos próximos anos.

A literacia em saúde, e assim as boas práticas de cada um de nós – cidadãos e técnicos – é o nosso desafio todos os dias.

Organizações laborais, ERPIS e toda a organização da vida colectiva, dos transportes à diversão, com boas práticas de higiene e segurança em saúde é um imperativo legal e social.

Hoje, como sempre em todos os tempos, os problemas de saúde (hoje o Covid) não vai embora e outros virão!

Hoje, como sempre, em todos os tempos, como diz o povo: “O que não nos mata, fortalece-nos”.

Enquanto sociedade, por analogia, também pode acontecer o mesmo, transformando a “embirração” de hoje em cooperação no amanhã.

Palavras dos outros:

  1. :”Professores esgotados, um povo esgotado.”, Público, Ana Sá Lopes, Público, 15/1/2023

2) “Eis o mal-entendido típico de falsos beatos. As pessoas convidadas não são “candidatas”a coisa nenhuma.”, António Barreto, Público,14/1/2023

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