Crónica incendiária

Lá voltaram os incêndios (os fogos como se diz nas terras de gente simples); com eles o PASSA(os) culpa. Ninguém quer ter nas COSTA(s) a responsabilidade de tal coisa.

Quantos ainda se recordarão de como o país (e nessa altura COSTA) passou pelos incêndios de 2017. Todos menos nós, tiveram culpas.

Mais uma vez, mais um ano, e voltamos que incúria de quem trabalha o campo, há demasiados anos, para ser o principal culpado do que a cada ano acontece.

Ainda um dia destes alguém alertou que menos de 5 hectares (unidade de propriedade agrícola), não é rentável. Certamente falando de propriedade, sem barrocos, sem matos, e com níveis de humidade (água no solo) razoáveis.

Vendo a nossa orografia (o aspecto físico dos territórios); tão diversa em cada quilómetro, como noutros países numa centena. Tão difíceis acessos (perigosos acessos), que durante milhares de anos foram o DURO sustento das gentes que teimosamente trabalharam o território, raros imaginam o que era uma simples deslocação para os terrenos, acompanhados pelas lentas vacas puxando carros de eixo de pau e seus utensílios.

Poucos imaginam que (até neste pequeno concelho da Guarda) havia famílias que iam para os terrenos (principalmente os homens) à segunda de manhã bem cedo, e voltavam ao sábado para que no domingo fosse possível cumprir o preceito da missita.

Ora, falando desses territórios que agora ardem, que outrora foram cultivados com o suor de gerações, que assim que tomavam meio corpo, já trabalhavam como homens… num país subjugado pela ditadura, não havia outras alternativas. Agora passado quase meio século sobre tal, não se compreende como é que o tal país (de tantos doutores e engenheiros) não consegue tirar mais que cinzas.

Há sempre muitas teorias de como salvaguardar os territórios; sobre eles se fazem imensos e eloquentes eventos, que enchem pornográficamente a boca (houve-se dizer que com faustuosos orçamentos, a roçar a orgia). Ouvem-se pessoas a falar sobre os territórios, sem que que alguma vez tenham sujado (com trabalho) as unhas das mãos, quanto mais terem (alguma vez) as palmas dos pés negras e calejadas.

Um país que legisla multando, um país que PASSA culpas, que não GOSTA © assumir a parte que lhe toca… fraco país.

Olhando várias vezes os territórios que nos envolvem, noutros tempos como meu pai; ele sempre via onde havia caça, eu sempre via onde reter água… não me digam a mim, que não tenho uma visão BIODIVERSA (logo eu que me auto intitulo, salvador ad vaca jarmelista). Não tenho é uma visão tão “ambientalista” que me sinta preso a manter as pessoas num território (sonhado a partir de um belo sofá de peles de animal exótico) sem lhes ter perguntado, se aquilo que legislo em Lisboa, os faz sentir-se confortáveis no Portugal profundo.

“Opínio” que se retenham águas, onde tal seja possível (e sempre necessário); opínio que tal seja feito de modo minimamente equilibrado pelos territórios de interior; opínio que as gravuras continuem sem nadar (desde que isso resulte também do real bem estar das pessoas desses territórios – e não só para ilustrados e afins); opínio… opínio (de opiniar).

Quando tantos se queixam que não temos água… quem sabe se a retivermos, ela não precise de voltar atrás. Pequenos espaços (sem o odioso do impacto ambiental – e qual); pequenos espelhos de água (mas claro, com capacidade suficiente para manejo).

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