Da minha aldeia vejo as grilhetas do Interior

Há dias vi uma conta chegar imensamente atrasada à minha caixa do correio, alguns dias depois chegou esta conta e mais outra da mesma proveniência, ou seja, da Altice, acrescentada de uma multa de 5 euros. Um amigo contou que recebe com atraso alguns pagamentos, referentes a fornecimentos de animais da sua exploração pecuária, por as cartas irem e voltarem com atrasos injustificados e sempre com prejuízos para a sua gestão corrente. Ouvi outras queixas semelhantes de gente que já não se importa, pois, vive já convencida de que não há nada a fazer. Aguenta estoicamente todas estas ineficiências. Contudo, para mim nada disto é inevitável, e há uma causa que é a privatização dos CTT, que impede que a logística a que estávamos habituados funcione.

Contudo, mostrando a falta de memória ou talvez a pouca vergonha dos partidos do bloco central de interesses (PS/PSD/CDS, em 15 de Dezembro de 2017, Luís Leite Ramos foi perentório que “estava escrito e foi assinado por um governo do PS”, pelo que “só a falta de vergonha é que pode fazer com que se venha acusar o PSD da privatização dos CTT” (Ver https://jornaleconomico.sapo.pt/, acesso em 28/12/2021). Mas, foi em 6 de Setembro de 2014, durante o Governo de Passos Coelho/Paulo Portas que terminou a privatização dos CTT (in https://www.dinheirovivo.pt/, acesso em 28/12/2021).

Recordemos por isso o que aconteceu à companhia aérea desde 2015, quando foi vendida a Humberto Pedrosa um mau gestor que, quando tudo se complicou com a COVID, logo a abandonou nas mãos do Estado. E assim estamos agora perante a necessidade de investir massivamente nesta empresa os muitos milhões que faltam no Interior no setor da Saúde, da Educação, da Cultura, da Mobilidade e etc.

Antes fecharam durante mais de vinte anos muitas linhas férreas necessárias ao Interior e só há pouco reabriu o troço Guarda-Covilhã.

Houve outros negócios com empresas com gestão pouco recomendável, como a EDP, cujo CEO, António Mexia, está a braços com a Justiça, mas, em que, apesar disso, um Ministro do Ambiente facilitou fiscalmente a venda de seis barragens, pois deu-lhe a possibilidade de isenção do “Imposto do Selo, IMT e IRC. Além disso, todas as construções e edificações das barragens são bens providos que a EDP vendeu e que tinha no seu balanço, pelo que deveriam ter pago IMI, desde sempre”, tal como informou o Movimento Cultural Terras de Miranda (ver https://expresso.pt/politica/2021-06-14, acesso em 28/12/2021). De facto, é um movimento que é uma mais valia para estas Terras.

O sistema bancário desinveste também no Interior, diminuindo o número de agências, tendo antes captado muitos depósitos de que não pagam juros, transformando depois os depositantes em lesados do BES, BPN, BANIF, BPP e tudo isto foi fazendo com o complacente alheamento do Banco de Portugal que não controlou a gestão fraudulenta que muitos maus banqueiros fizeram. Participou na construção deste descalabro o sistema judicial, que até agora só conseguiu que alguns caloteiros chorassem e que um dos banqueiros fugisse para lugares onde pensavam ficar a salvo. Enganou-se, pois, há por lá juízes que o são.

Esperemos por isso que os eleitores, percebendo os malefícios que esta gente lhe causou, deixem de votar nela e votem numa nova política e alijem esta carga de trabalhos, que só nos faz sofrer.

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