Deficit Ecológico?

Há dias, os fazedores de notícias, apregoaram que Portugal, depois daquela data, entraria em deficit ecológico, ultrapassando a sua pegada ecológica.

Que contabilidade é esta, como é efetuada e o que se poderá estar a fazer para minorar quaisquer efeitos perniciosos na vida do vulgar cidadão?

Ainda não estava contabilizado o dano provocado pelos recentes incêndios florestais/matagais que afetaram vasta área do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), só para referir alguns, que abrangeram áreas dos concelhos da Covilhã, Manteigas, Guarda, Celorico da Beira e Gouveia. O que mais ainda estará para acontecer este ano e certamente nos seguintes? Vaticínio?

Que quantidade de CO2 foi libertada para a atmosfera?

Por aquela contabilidade, acrescentando mais dois ou três incêndios de envergadura semelhante, com que dívida estaremos no Natal?

Muitas medidas avulsas têm sido tomadas, sacrifícios e mudanças de comportamentos, mas avaliação concreta dos efeitos, positivos ou negativos, nada.

Sacos de plástico e embalagens?

Passou a ser onerado o uso de embalagens em qualquer tipo de aquisição, violando um princípio do comerciante, que tinha por dever embalar os produtos que vendia, defendendo o direito de privacidade do comprador.

Nos supermercados, foi o fim generalizado dos simples sacos de plástico, tendo-se evoluído para sacos mais resistentes e, logicamente, mais duradouros e de múltiplas aplicações. No comércio em geral, os sacos passaram a ser onerados, mesmo os próprios publicitários.

Estes sacos entraram de tal maneira no quotidiano, que agora, não há viajante que se prese, que não utilize sacos desses para complementar as suas bagagens, existindo até sacos já com fecho, para uma maior eficiência.

Passado alguns anos sobre a vigência desta medida ambiental, foi feita qualquer avaliação desta medida, vantagens económicas ou ambientais, custos versus benefícios?

Ou foi mais uma operação comercial para vender os sacos mais resistentes e de múltiplas utilizações?

Governos Civis?

Os Governos Civis, resquícios dos representantes do Governo nas localidades, mas que na vida democrática não lhes foi encontrado devido enquadramento, além da emissão de passaportes, de proteção civil e pouco mais.

Foram extintos e as funções desempenhadas passaram a ser executadas por outras entidades, que tiveram de se adaptar ou até reformular, nomeadamente no quadro do pessoal, mais funcionários.

Os resultados estão à vista e numa visão simplista, perante o que tem acontecido nos últimos anos, os resultados têm sido assustadores, para não dizer catastróficos. Para quem esqueceu de Pedrogão, temos agora os incêndios no PNSE, sem esquecer o famigerado ocorrido no centenário Pinhal do Rei, mais conhecido como de Leiria, nem os diversos ocorridos por todo o país que até originaram frequentes fecho de estradas e autoestradas, à circulação.

Superando os acontecimentos, a análise de custos do antes e depois seria um bom exercício para os contabilistas do deficit ambiental.

O papel da história será o de mostrar que as leis enganam, que os reis se mascaram, que o poder ilude e que os historiadores mentem.” Michel Foucault (1926-1984)

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