Desde 2010 que os incêndios não queimavam tanta área no distrito como neste ano

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O Parque Natural do Douro Internacional tem sido a área protegida mais fus-tigadas pelos fogos este ano. As chamas consumiram mais de sete mil hectares, representando 8,5 por cento do total da área do Parque. Nos primeiros nove meses do ano, as chamas consumiram mais de 20 mil hectares no distrito da Guarda. Desde 2010 que não ardia tanto.

Elisabete Gonçalves
elisagoncalves.terrasdabeira@gmpress.pt

Os dados divulgados pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) indicam que entre Janeiro e Setembro os incêndios florestais des-truíram 20.002 hectares de área no distrito da Guarda. O número coloca o distrito na 6ª posição dos mais afectados pelos fogos. O mais afectado no que diz respeito à área ardida é o distrito de Castelo Branco com 38.962 hectares, cerca de 18 por cento da área total ardida até final de Setembro. Em termos de número de ocorrências, o distrito da Guarda é dos menos afectados. Um total de 397, sendo que apenas 164 foram considerados incêndios florestais por terem atingido uma dimensão superior a um hectare. Menos ocorrências só nos distritos de Évora (30), Beja (72) e Portalegre (132), como se pode constatar no último relatório do ICNF, divulgado no final da semana passada.
Com este valor, o ano de 2017 fica para as estatísticas como o pior dos últimos sete. Em 2010 é que ardeu mais de 24 mil hectares. No ano passado tinham ardido entre Janeiro e Setembro 10.605 hectares de área. Para a contabilidade dos primeiros nove meses do ano ficam 23 grandes incêndios, consi-derados assim por terem afectado uma área superior a 100 hectares. No país registou-se um total de 145 grandes incêndios que queimaram 192.652 hectares de espaços florestais. No distrito da Guarda o que devastou mais área foi o do Rochoso, que deflagrou a 17 de Julho no concelho da Guarda e alastrou aos municípios de Almeida e Pinhel. Destruíu 5 666 hectares. Na lista segue-se o de Fernão Joanes que consumiu 2.836 hectares, a meados de Agosto. Acima dos mil hectares está ainda contabilizado um incêndio no concelho de Vila Nova de Foz Côa, a meados de Julho, e que teve início na freguesia de Murça.

Parque Douro Internacional
o mais castigado
Das áreas protegidas afectadas pelos incêndios florestais, o Parque Natural Douro Internacional foi o mais castigado. Até ao final de Setembro arderam 7.392 hectares. Este valor representa 8,5 por cento do total da área do Parque. Na lista das áreas protegidas segue-se o Parque da Serra da Gardunha, com 5.510 hectares, o que representa 52,4 por cento. As chamas também não pouparam a Serra da Estrela, que surge na terceira posição. O fogo destruiu 3.962 hectares, o que representa 4,4 por cento dos 89.132 hectares do Parque Natural. Tendo em conta a dimensão das áreas protegidas, a mais afectada foi o Monumento Natural das Portas de Ródão, uma vez que as chamas afectaram 72 por cento da área total.
Ao nível dos perímetros florestais e matas nacionais, de acordo com o relatório do ICNF estima-se que tenham ardido 13.657 hectares de terrenos submetidos ao regime florestal. A única mata nacional afectada foi a da Covilhã onde se calcula que tenham ardido quase 128 hectares. Em termos de perímetros florestais, a maior superfície queimada foi apurada no Núcleo de Cortes do Meio com 1850 hectares.
De referir que os dados dos primeiros nove meses do ano são os apurados nas fases Alfa, Bravo e Charlie definidas pela Autoridade da Protecção Civil no combate aos incêndios. A fase Charlie é de todas a que mobiliza mais meios por abranger a época mais crítica para a ocorrência de fogos florestais. Terminou a 30 de Setembro.

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