Desembrulhando enganos confrangedores

Estamos agora a assistir a situações onde da confusão emerge um caos confrangedor, onde a pouco e pouco vamos concluindo que há os impunes e os outros.

Podíamos pensar que no caso SEF tudo se resumia a uns rapazes que se excederam e que mataram um estrangeiro, ficando desde logo tudo embrulhado entre os segredos que um cadáver incómodo não permite varrer para debaixo do tapete. Tudo se complicou e se esqueceu até que se chegou a um impasse. Aconteceu enquanto os matadores que, parece ninguém designa por assassinos, continuam pelo que consta com pulseira eletrónica, enquanto outros, por coisa bem menor, estão em prisão efetiva.

Antes, houve um assalto ao paiol de Tancos, um mistério inacreditável para todos os que conhecem o ritual de rondas de que se faz o cumprimento do serviço militar na tropa normal. Mas, tudo se desfez com paródia quando o autor disse como tudo tinha sido feito, calando-se agora os contadores destes feitos nada lusitanos, e só por serem demasiado ridículos.

Estamos agora a viver a história de um governo que quis indigitar um dos seus fiéis para um cargo destacado na justiça europeia, comprovando mais uma vez como os portugueses são hábeis no macaquear das instituições. Acontece quando acham que com currículos martelados à maneira podem condicionar tudo ao quero, posso e mando dos governos em funções.

Tudo revele uma forma pacóvia com que os governos tentam e, por vezes, conseguem moldar o devir pátrio aos interesses mesquinhos dos precários senhores do mando, em que pensam que até os poderes supranacionais lhes têm de fazer a vontade. E isso está no ADN dos blocos centrais que nos governam e em que, infelizmente, parecem ser siameses. Contudo, agora parece que todos se uniram para obrigar o Governo a portar-se bem.

Veremos se o conseguem mesmo ou se a Justiça vai ter mais uma derrota.

Tudo serve para fazer esquecer o impasse em que caiu o Julgamento de Sócrates, antevendo-se que, como o Povo receia, ele acabe por ter uma indemnização por ter sido “acusado injustamente” e “por causa” de um sistema judicial à maneira dos interesses que comandam os Governos deste nosso Portugal. E bem fracos são como o vemos nas empresas que administram, mas só porque as tomaram de assalto ou porque o fizeram dentro de uma lógica em que ficam impunes por terem vendido uns papéis comerciais que um governo laxista desculpa apressadamente, assumindo com ligeireza indesculpável culpas que não eram dele, e só para “safar” banqueiros. E nem sequer explicita as razões por que tal coisa fez.

Só nos impõe sacrifícios que são sempre os mesmos de sempre.

Não admira que os portugueses empobreçam sistematicamente ao longo dos tempos, e sem que alcancem o nível de bem-estar que merecem os que trabalham todos os dias com o empenho e esforço de que são capazes. Pedem-lhes os sucessivos governos sempre mais sacrifícios como se este fosse o único destino possível dos Portugueses. Nem sequer lhes prometem o Céu e o Paraíso. Só dizem que é a sua sina por lhes terem dado a vara do mando. E neles nunca os Portugueses enxergam o costumado vilão…

Não admira que muitos procurem na estranja a recompensa merecida, ficando o país sempre mais pobre e sempre carecido da sua inteligência e esforço. Nem sequer ocupam os campos com as árvores e plantações com que se podiam alimentar- e ser felizes. Nem sequer cuidam dos animais que podiam alimentar-se nos prados que podiam ser verdejantes. E no regresso, perdem o que ganharam arduamente se forem na conversa de um qualquer banqueiro bem propagandeado que é dono disto tudo para sempre.

Parece e é verdade adquirida. Dizem muitos. E porquê?

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