Destino do espólio cedido pela AJTG ao Museu da Guarda por decidir

Ainda não se sabe qual o destino dos objectos que desde esta Segunda-feira estão patentes ao público no Paço da Cultura da Guarda na exposição “Brincadeiras ao longo do tempo”, integrada nas Jornadas Internacionais de Jogos que a cidade acolhe até Outubro com o tema “Os Jogos no Espaço Atlântico” e organização da Associação de Jogos Tradicionais da Guarda (AJTG). As peças foram doadas nos finais da década de 80 por aquela associação ao Museu da Guarda, tendo estado expostas «durante vários anos e que há cerca – não consigo precisar – de uma quinzena de anos foram para reserva do museu e deixaram de ser vistas pelo público», esclareceu o presidente, Norberto Gonçalves, na última edição.
«Ainda é cedo dizer o que é que iremos fazer com elas [peças]», afirma o director do Museu da Guarda. João Mendes Rosa recorda que está a ser elaborada a proposta integrada do projecto para o Quarteirão das Artes, a ser submetida a discussão pública «no início de 2017, para que a sociedade civil e os agentes culturais guardenses possam conhecer e pronunciar-se», como revelou em Março passado Victor Amaral, vereador da Cultura da Câmara da Guarda e coordenador da equipa que irá apresentar a referida proposta.
«Obviamente todas as peças que fazem parte das colecções do museu terão que ter um fim museológico, seja uma exposição permanente ou uma exposição temporária. Portanto, só depois de nós definirmos qual é modelo museológico para o futuro museu é que nós poderemos dizer isso», sublinha João Mendes Rosa, um dos elementos da equipa, escolhida pelo presidente da autarquia, Álvaro Amaro, à qual pertencem também o arquitecto Fernando Lopes e o arqueólogo Vítor Pereira.
«Obviamente que gostava de as ver expostas», afirma Norberto Gonçalves, ressalvando que «não depende de nós, Associação de Jogos Tradicionais, nem sequer é nossa função estar a dissecar muito o caso». «Cabe à direcção do Museu, agora Museu da Guarda e sob a dependência da autarquia, e com certeza que terão uma filosofia para o museu, decidir se tem ou não cabimento estas peças numa exposição permanente ou numa exposição temática», sublinha. Isto porque, sustenta, «há na Guarda quem tenha centenas de brinquedos em casa, alguns deles com valor histórico, com valor etnográfico, muitíssimos, e sobretudo com valor patrimonial afectivo, e agora que, começando pelo senhor presidente da República, tanto se fala de afectos, estes afectos são nossos, são da Guarda, e na minha humilde perspectiva acho que os deveríamos cultivar». «A própria associação tem centenas de brinquedos e de objectos que se jogam que hoje são objectos de interesse histórico e etnográfico», evidencia.
Todos eles objectos que teriam cabimento no Museu do Jogo, «um sonho de sempre» da AJTG. «O museu continua a ser um anseio. O museu é uma utopia. Como todas as utopias nós continuamos a persegui-la e não a deixaremos cair», garante Norberto Gonçalves. «O desafio foi feito há muitos anos, continua a ser feito. Nós temos o know-how, temos as peças, temos ideias para o espaço, temos vontade de o fazer, temos muita gente a desafiar-nos para o fazer, mas a criação de um museu leva desse logo a um projecto que a ser apresentado à Comunidade Europeia não pode ser por uma associação como a nossa, tem que ter outros pilares. Só por nós não temos a mínima hipótese», esclarece.
O desafio é que uma câmara do distrito ou um conjunto de autarquias possa assumir o papel de charneira num projecto destes, adiantou a AJTG há precisamente um ano, relevando alguns contactos com a Câmara da Guarda.
«De há um ano para cá não houve grandes desenvolvimentos mas não quer isto dizer que não tenha havido interesse da autarquia, que fique bem claro, porque também não podemos só pôr o ónus nos outros, o ónus também está em nós, não houve tempo útil nem recursos humanos disponíveis para que alguém pegue neste dossiê, porque tem que ser alguém que pegue nele e não tenha mais nada para fazer», justifica Norberto Gonçalves. «É impossível em termos de Associação de Jogos Tradicionais isso acontecer nesta altura», alega o dirigente.
GM

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