Destino

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Por mais técnica que surja, por mais revoluções surpreendentes que mudem o mundo, existirão sempre acontecimentos superiores ao Homem, na medida em que ultrapassam o seu controlo. Chama-se Destino ao que acontece sem o nosso parecer, ao que nos acontece. A ordem natural esculpida enigmaticamente por artesãos cósmicos.

Na Mitologia Grega, as Moiras teciam o fio da vida de Homens e Deuses, na Roda da Fortuna, desenhando a sorte de todos. Filhas de Nix, deusa da Noite, estas três irmãs, Cloto, Láquesis e Átropos, decidiam o destino individual dos antigos gregos. Talvez seja a noite a mãe de todos os caminhos.

O Fatalismo, na filosofia greco-romana, explica-nos o modo irrevogável do mundo e dos seus acontecimentos. Regida pelo Logos, a crença na ordem cósmica, a vida quotidiana desenrola-se como está escrita, sem modificação possível. De certo, já ouviram a expressão: “faltal como o destino”. Raciocínio semelhante poderemos também encontrar na Divina Providência, onde a vontade externa, transcendente, designa as ações no mundo. Aqui, na doutrina cristã, a vontade de Deus é aceite, num assimilar de poder supremo – “Seja o que Deus quiser”.

O conceito de Destino é muito antigo e debatido, sendo mote de todas as filosofias que admitem uma ordem necessária do mundo.

Assistimos, nestes tempos presentes, a algo que poderemos associar ao destino. Uma pandemia que nos foge das mãos, que não percebemos bem de onde surgiu, que não podemos fazer desaparecer, ainda. Não a controlamos, não conseguimos mudar o estado de acontecimentos. Talvez seja um meio necessário para o fim que o mundo quer, a ordem. O mundo é maior que os Homens, sabe muito mais que os Homens. Também os Homens são reféns da ordem natural, têm um término, a morte e, dessa, não há como fugir.

Sem sabermos se o Destino é ou não é cego, se a ordem é apenas a repetição de ciclos, o certo é que não temos o controlo de tudo o que acontece nas nossas vidas.

Determinadas situações confrontam-nos com a nossa impotência e ignorância perante o que acontece. Não temos connosco as ferramentas necessárias para dominarmos o mundo e nunca as iremos ter. Somos mortais e essa é a grande frustração da existência humana.

Aceitar que nem tudo é nosso, que há coisas maiores que nós e que o tempo resiste é um grande passo para o Caminho. E que a Sorte seja justa.

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