Mais dinheiro e mais férias para os médicos que escolherem hospitais do interior

Já está em vigor o diploma que introduz alterações à atribuição de incentivos aos médicos que escolham hospitais mais carenciados em recursos. A nova legislação prevê ainda mais dinheiro, mais dias de férias e maior facilidade de progredir na carreira. Com o anterior regulamento, criado em 2015 pelo governo de Passos Coelho, não houve nenhum médico que ficasse convencido a vir trabalhar para a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda atraído pelos incentivos. A ULS da Guarda podia contratar médicos nestas condições para quatro especialidades: Cirurgia Geral, Medicina Interna, Pediatria Médica e Urologia.
O governo justifica a necess-edade de proceder a alterações à atribuição de incentivos pelo facto das medidas preconizadas em 2015 terem tido «uma reduzida adesão por parte dos trabalhadores médicos, o que inviabilizou o fim para o qual foram criadas». As alterações «substantivas» agora introduzidas têm como objectivo «capacitar os serviços com a colocação efectiva de um maior número de profissionais tendo em vista a melhoria do nível de acesso aos cuidados de saúde por parte da população».
Com as alterações, o subsídio anteriormente previsto de 21 mil euros em cinco anos passa para 36 mil euros num período de três anos e há um aumento da duração do período de férias. Os médicos terão ainda ajudas de custo e transporte pelo período máximo de 15 dias no caso de participarem em actividades de investigação ou desenvolvimento das correspon-dentes competências e qualifi-cações profissionais. Estes incentivos estão em vigor desde o dia 28 de Janeiro e são atribuídos pelo período de três anos, após a colocação no posto de trabalho e cessam decorrido este prazo.
A identificação por especialidade médica dos serviços e estabelecimentos de saúde abrangidos pela atribuição destes incentivos será feita anualmente pelos ministérios da Saúde e das Finanças no primeiro trimestre de cada ano.
Dias antes do diploma ser publicado em Diário da República, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, evidenciou na Covilhã que as medidas para a fixação de médicos no Interior do país não se restringem à majoração dos ordenados e que abarcam outras questões como a formação e valorização profissional. «Não queremos circunscrever os incentivos a mais dinheiro e sim alargá-los também às questões da formação, da valorização profissional e da família», disse. «Podermos pagar um pouco mais àqueles que se deslocam para aquilo que nós vamos considerar que são as zonas carenciadas do país e [termos] também incentivos de formação dando mais tempo para que esses médicos possam deslocar-se, por exemplo, para hospitais centrais para fazer formação», especificou.
O governante vincou a importância destes incentivos à formação, uma vez que, considerou, o problema do Interior «muitas vezes, prende-se com o facto de os médicos pensarem que vão trabalhar sozinhos ou com poucos profissionais da mesma área, perdendo assim contacto directo com o que são os avanços científicos e tecnológicos na saúde». «Queremos que os médicos do Interior também sejam médicos que mantenham o nível de contacto com os melhores centros académicos e de formação e de prestação de cuidados nacionais e Internacionais», argumentou.

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