Embaralhando o Povo

Há poucos dias fomos confrontados com as incoerentes decisões dos que nos governam ou presidem. Ricardo Araújo Pereira deu disso conta no seu bem-humorado programa “Isto é gozar com quem trabalha” seguindo com rigor o conselho romano:

Castigat ridendo mores.

Salvou-nos assim do desconforto de ter de obedecer acriticamente a regras que não fazem sentido, nem fazem diminuir os casos de COVID 19, pois nem sequer tentam corrigir os males que resultam de haver casas e lares de idosos sem condições, nem transportes públicos, em que não seja possível o necessário distanciamento social.

Criam-se só regras difíceis de cumprir pois não se tenta perceber como é difícil isolar concelhos, e logo e quando entre eles muitos têm de circular para que possam ganhar o pão de cada dia. Nem sequer os mandantes tiveram em atenção as condições em que se processa a vida agrícola em territórios de pouca gente e em plena época de colheita da azeitona, castanha e o mais que for ganho para uma população, que vive desde sempre a incoerência do poder que sempre lhes pede muitos sacrifícios.

Entretanto, desembrulhando o BREXIT, Boris Johnson, sem quaisquer embaralhamentos, avançou já para a vacinação em massa no Reino Unido, enquanto na União Europeia ainda aguardamos pela luz verde para marcarmos o calendário da vacinação, esperando que os desacertos quanto à falta de vacinas ocorridos quanto à da gripe estejam já corrigidos para que agora tudo corra bem.

Apenas duvidamos que tudo vá acontecer como nos anunciam. Dizem já estar tudo programado de forma tão expedita que nem sequer nos permitem duvidar de tanta certeza científica.

Será o que daqui a uns dias nos vão explicar porque nada ou pouco falhou?

Mas, já nos falam dos efeitos secundários e das contraindicações.

Assistimos só a uma competição científica entre estados e sistemas políticos em que todos querem ganhar. Esperemos que ganhem as melhores soluções, mas, entretanto, assistimos a um embaralhar de jogos nos bastidores que nos confundem.

Esperamos que dentro de momentos surja um novo normal, onde a imunidade de grupo nos permita viver sem o incómodo das máscaras. Mas, se Donald Trump parece já ser passado, as mortes por COVID 19 continuam a acontecer nos Estados Unidos da América, mostrando como o pesadelo continua evidenciando como os chefes que usaram o poder como lhes aprouve, foram causa e não consequência da desgraça.

É o que os meios de comunicação social vão relatando ao minuto.

Lá fora, o procurador nacional financeiro de França pediu quatro anos de prisão, sendo dois com pena suspensa, para o antigo Presidente da República, Nicolas Sarkozy, julgado por corrupção e tráfico de influência num processo inédito em França, em que entra como sempre um rico a corromper a aplicação da Lei, neste caso a mulher mais rica da França, a herdeira da L’Oreal Liliane Bettencourt.

E nós por cá estamos bem pois esperamos que um juiz acabe de ler um processo…

Parece que é agora que vamos saber como tudo se passou nos tempos tenebrosos da Face Oculta, em que o poder político eleito criou empenhadamente condições para transformar coisa boa em sucata, perdendo todos nós e ganhando eles. E passados tantos anos uma juíza decidiu. Mas, o animal feroz continua livre e em repouso enquanto quase todos nós temos de lutar com muita força pelo pão de cada dia. Talvez esta pandemia tenha criado em cada português a vontade de reforçar a aplicação da lei para que, sem imunidade de grupo, a justiça possa existir para todos nós e cada um possa receber o que seu mérito e trabalho lhe dá direito. Mas, estamos ainda e agora todos embaralhados.

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