Energia nuclear em destaque no cineEco

Os perigos da energia nuclear é o tema central da edição deste ano, a 22ª, do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, a decorrer em Seia de 8 a 15 de Outubro, que este ano conta com uma conferência e um workshop a propósito da passagem dos 40 anos da criação do Parque Natural da Serra da Estrela. A iniciativa decorrerá no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela e terá vários convidados, entre eles a secretária de Estado do Ordenamento e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, adianta a Câmara de Seia, responsável pela organização do festival, em nota à imprensa.
Destaque para a evocação dos 30 Anos do desastre da Central de Chernobyl na Ucrânia, que deu lugar à recente publicação do livro “Vozes de Chernobyl”, da bielorrusa Svetlana Alexievitch, Prémio Nobel da Literatura 2015, que por sua vez deu origem ao documentário com o mesmo título, que irá abrir a Competição Oficial do CineEco 2016.
Para além da estreia absoluta em Portugal de “A Suplicação – As Vozes de Chernobyl”, de Pol Cruchten, o festival tem a concurso três reportagens de televisão sobre o tema da energia nuclear e que culminará num debate no final da sessão, dia 14, com a presença dos repórteres, especialistas e convidados, refere a organização.
Outra das grandes preocupações é também o risco do encerramento dessas centrais nucleares. Que se vai fazer com todo esse lixo nuclear? «A média de idade do parque nuclear é cerca de 35 anos nos países mais desenvolvidos e estamos a assistir na Europa, e sobretudo nos países vizinhos com Portugal, a França — esta tem o maior parque nuclear da Europa em funcionamento — e Espanha, que em vez de optarem pelo encerramento estão a fazer manutenção, para prolongar a vida dessas centrais nucleares por mais 20 anos», escreve o Município.
E exemplifica com a «Central Nuclear de Almaraz, aqui bem perto na fronteira com Portugal que, como tem sido noticiado, levanta questões de segurança, sabendo-se inclusive que os reactores nucleares são arrefecidos com as águas do Rio Tejo». «Uma preocupação a ter em conta pelas autoridades portuguesas relativamente aos riscos de ruptura desta central», considera a organização.
Se “Nuclear Não Obrigado!” ajudou a fundamentar a Selecção Oficial, a programação do CineEco 2016 continua muito diversificada, destaca, adiantando que a Competição de Longas-Metragens fechará com «um espantoso espectáculo visual: “Furacão”, uma incrível viagem ao coração de um dos fenómenos climáticos mais impressionantes e destruidores da natureza, e que tem aumentado devido ao aquecimento global».
A Seleção Oficial do CineEco 2016 inclui, «como em edições anteriores, quase 100 filmes, de mais de 20 países», repartidos por várias secções competitivas: Longas, Médias e Curtas Metragens Internacionais, Séries, Documentários e Reportagens de Televisão, Longas e Curtas Metragens da Lusofonia, o sempre importante Panorama Regional, com as produções locais, e ainda as Sessões Especiais.
Nas Secções Especiais será exibido “Crescimento Sagrado!”, de Marie Monique Robin (França), filme vencedor do FINCA 2016-Festival de Cinema Ambiental (Buenos Aires), de onde virá para o júri oficial a directora Florença Santucho, além de outras figuras como, entre outros, os conhecidos jornalistas Maria Elisa Domingues e José Vitor Malheiros.
O programa contempla ainda as habituais Sessões Infantis e Sessões Para Escolas. «Este ano o CineEco vai às escolas e as escolas vão ao CineEco», que apresenta nesta edição «o melhor da produção mundial, filmes que podem ajudar a mudar o mundo».
O Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela é o único festival de cinema em Portugal dedicado à temática ambiental, no seu sentido mais abrangente, que se realiza em Seia, anualmente em Outubro e de forma ininterrupta, desde 1995, por iniciativa do Município de Seia. Decorre na Casa Municipal da Cultura e no Centro de Interpretação da Serra da Estrela.
O formato do certame assenta num conjunto de actividades desenvolvidas ao longo de oito dias e nelas se incluem diversas actividades paralelas, como sejam conferências, concertos, workshops, exposições, para além da secção competitiva e vários ciclos de cinema, lê-se na webpage do festival.

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