Entrevista ao presidente da Câmara da Guarda

«Preferia um dia ser lembrado porque ajudei a pôr a cidade no radar»
Na véspera de se assinalar mais um Dia da Cidade, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Álvaro Amaro, revelou em entrevista ao TB que o projecto para a Rua do Comércio não vai avançar tal como foi apresentado e que a intervenção prevista para o Largo da Misericórdia também ainda vai ser discutida. O autarca admite que a paciência no caso do Hotel Turismo «está nos limites» e quando se esgotar irá dizer «coisas aos guardenses que não gostaría de dizer. Não fala sobre uma possível recandidatura, mas diz que o poder autárquico é «viciante» e que no seu mandato teve menos tempo para realizar obras porque teve «arrumar a casa».

Já apagou todas as memórias do passado na Guarda?
Eu só tinha, creio, boas memórias do passado. E por isso as boas memórias não se apagam. E para mim é sempre boa memória na política quando há convergências, quando há saudáveis divergências… é uma riqueza da democracia. Eu dou-me bem com isso.
Mas ao querer implementar novas marcas estarão a ser apagadas as marcas do passado…
Não… As marcas, sim. Ai do político que queira passar indiferente. Isso não faz bem às cidades nem aos países. A indiferença não faz bem. Se for considerado uma pessoa que não fui indiferente isso é um elogio. Apagar o passado não. Eu tenho um profundíssimo respeito, ao contrário do que algumas pessoas podem pensar, o que é uma injustiça em relação a mim, porque eu tenho um respeito profundíssimo pelo passado. Eu digo várias vezes que, e já disse isto mil vezes, nenhuma vila, nenhuma cidade, nenhum país se pode projectar para o futuro se no presente não respeitar o seu passado. Não respeitar o passado histórico, cultural e até político da Guarda seria um erro que eu não cometo.
Qual a marca que quer deixar? As marcas já vamos conhecendo, mas a sua marca…
Uma marca que não se mede. Foi para mim aquela que me motivou desde o primeiro dia e que sigo à risca. Pôr a Guarda no radar. É uma expressão que eu uso e que sei que é usada noutros contextos. Ao colocá-la no radar, eu sabia e sei que haveríamos de trazer mais autoestima aos guardenses. Mais orgulho de si próprios. Vamos ser sinceros. A Guarda ao longo dos anos, isto não é nenhuma crítica do passado, é uma constatação, perdeu oportunidades, viu-se ultrapassada em muitas circunstâncias mas naturalmente não perdeu o seu orgulho, não perdeu a sua história, a sua riqueza, a riqueza humana. Ainda hoje afirmei perante algumas pessoas que o país é muito injusto para com estas nossas zonas, para esta região onde a Guarda tem um papel de destaque, porque na década de 60 o país foi responsável por esta região ter sido autenticamente sangrada. Já naquele tempo me impressionava ouvir dizer que era uma região rica porque as pessoas tinham emigrado. O país viveu para equilibrar as suas contas com as remessas dos emigrantes. Era bom para a balança comercial. Mas isso significou um êxodo. Se o país fosse justo devia olhar para esta realidade. Eu sou moderadamente optimista. Acho que ainda pode chegar o dia. Eu luto para que chegue esse dia. E por isso eu lutei muito pela sede da sub-região, da Comunidade Intermunicipal. Eu gostaria muito de ser lembrado por essa marca, independentemente das obras das requalificações, preferia um dia ser lembrado porque ajudei à devolução da autoestima, a pôr a cidade no radar. Como eu disse no primeiro momento, aumentar o poder de captação, no sentido amplo do turismo, do investimento e com isto estimular a economia local.

A um ano do final do mandato ainda mantém a esperança de resolver a questão do Hotel Turismo?
Claro! Eu já o afirmei. Afirmei-o há quatro anos, há três, há dois e há um mês. O Hotel Turismo é do Estado português. Nós faremos todos os esforços para o devolver à economia nacional. Isso será uma ajuda à economia da Guarda. O dono é que tem de nos ouvir. Já foram feitas duas tentativas em hastas públicas. Estamos à espera que o dono, o Estado português, abra naturalmente a possibilidade à economia que é de comprar o hotel. Este tem sido o meu apelo. Eu já disse mais em coerência com aquilo que temos defendido. Se por ventura, coisa em que não acredito, a economia privada não responder, nós cá estamos para ajudar a resolver o problema do Hotel. Eu não podia dizer isto há quatro anos, nem há três, nem há dois… E agora digo com efeito supletivo. Eu não quero que a Câmara da Guarda compre o Hotel, mas se em ultimíssima instância for essa a via para devolvermos o Hotel à economia da Guarda, neste momento a Câmara tem possibilidade de fazer isso. Eu aguardo serenamente e com uma paciência que já não é ilimitada. E por isso digo e vou dizer mais uma vez a quem de direito, que foi isso que ficou praticamente assumido na Feira Ibérica de Turismo em Maio deste ano. A verdade é que de Maio até agora ainda não foi lançada publicamente a terceira hasta pública. Eu sou coerente independentemente do governo em questão. Eu disse ao governo anterior: têm aqui um protocolo querem cumpri-lo? Toda a gente percebe que não se pode cumprir. O Estado não vai gastar seis milhões de euros a fazer um Hotel na Guarda, nem um spa, nem uma escola de hotelaria. Sejamos realistas. Esse também é um contributo para a minha marca. Realismo! Experimentou-se o mercado, não respondeu à primeira, respondeu à segunda. Esteve por um triz. Eu acho que devia ter sido, a Câmara votou favoravelmente. Mas bom, manda quem pode e obedece quem deve. Mas ao mesmo tempo que respeitamos, apetece-me exigir. Não posso ir para junto do D. Sancho e ponho-me aos gritos exigir ao governo… Exigir não exijo, mas clamo, peço.

Quais são os limites da paciência?
São muito grandes. Eu não posso comprar o seu carro se não me quiser vender. Os senhores têm este protocolo querem cumpri-lo. O Estado português, agora gerido por outro governo, quer investir seis milhões numa escola de hotelaria, num spa…por mim está bem, mas eu sei o que ouvi do governo quando disse isto. Não vale a pena, não temos capacidade. Então qual é o caminho? É pô-lo à venda. Se o Estado está tão necessitado de dinheiro já passaram seis ou sete meses…A minha paciência está nesse sentido. Eu estou sempre à espera de semana para semana. É uma espera que cansa. Cansa duplamente. Eu não quero fazer leituras rigorosamente nenhumas até a paciência se me esgotar. Depois faço. E mais não digo. Por agora a minha paciência está nos limites para dizer ao Governo ponham à venda. O Estado português precisa de dinheiro. Se a economia privada vai responder comprando ou arrendando o Hotel então porque é o que o Estado não o põe à venda ou põe no sistema de arrendamento? É uma pergunta que eu deixo. Mas eu tenho paciência. Ainda. Mas estou atingir os limites. A partir daí tenho de dizer aos guardenses outras coisas, que eu sinceramente não quero dizer. Não quero mesmo dizer. Até se me esgotar a paciência!

 

«No primeiro trimestre do próximo ano apresentaremos o Quarteirão das Artes»
O que vai fazer à rotunda do G?
Embelezá-la. Já no Verão estava mais bonita. Pergunte-me lá se eu gosto daquele G e eu vou responder: Não gosto! Mas eu respeito. Eu não lhe vou tocar, por respeito. Quando eu deixar de ser presidente da Câmara quem me suceder também pode não gostar do cristal na rotunda do Alvendre. Mas espero que não o tirem. Eu também não tiro o G. Já se ajardinou um pouco mais para lhe dar algum embelezamento, mas não estou a pensar em mais nada. Mas tem aí um bom exemplo do respeito que tenho pelo passado, goste-se ou não se goste. Aquele G faz parte da cidade.
Vai poupar o G…
Vou poupar o G (sorriso). Eu não gosto do G, volto a repetir. À medida que nós vamos requalificando a cidade e que a tornamos mais atractiva vários guardenses já me disseram isso. E o G? O G faz parte da cidade. Vai tirar o D. Sancho? Agora não. Não é minha prioridade. Isso deve obedecer a algo mais pensado em termos de requalificação e então podemos pensar amanhã. No G não pensarei nem um segundo. É o meu respeito por um património que foi colocado e que devemos respeitar. Embelezar o local sim e com isso se calhar estamos a dar mais vida ao G.
Qual tem sido a reacção das associações à ideia de se criar uma régie cooperativa?
Acho que nenhuma, para lhe ser franco. Nós chegámos a mandar um estudo que pedimos para ser feito mas não terá chegado nada. Mas a minha ideia é que no primeiro trimestre do próximo ano apresentaremos para discussão, eu não sou obrigado a isso mas é o meu ADN, aquilo que pode vir a ser um grande projecto de futuro, que é o Quarteirão das Artes. Já tive duas reuniões com a equipa que está a fazê-lo e haverá uma terceira até ao final do ano para cumprir este calendário. Para depois se discutir aquilo que custa um bom dinheiro. Tenho uma carta conforto, assim chamada, que não é mais do que isso quando andava a preparar o Programa 2020 até um determinado valor. Uma carta conforto de estímulo quando nós lançámos essa ideia que passa pela substância museológica e artística de um espaço na praça central da cidade e também com uma reconfiguração arquitectónica. Já andam arquitectos, arqueológos e director do Museu a trabalhar nisso. Eu quero apresentá-lo à cidade. Não sei se vamos ter que saber quem foi o arquitecto que arquitectou aquela zona da cidade. Eu não posso estar dependente disso. Uma cidade não pode estar entregue a isso, com todo o respeito. Poremos em discussão o Quarteirão das Artes e haverá pessoas a dizer isto está errado, não fica bonito… quanto à substância a mesma coisa, deve ser assim ou deve ser assado. Isso é que enriquece quando a gente está… às vezes leio que eu sou isto e sou aquilo, que quero, posso e mando. Não sou nada disso, sou a antítese. Eu costumo dizer eu gosto de mandar, mas detesto dar ordens, muito sinceramente. Eu gosto de mandar, é verdade. Mas detesto dar ordens e toda a gente que tem trabalhado comigo hoje sabe que o meu comportamento é esse. Eu não sou dono da verdade. Sou um humilde economista, não percebo nada de arquitectura nem de engenharia. Às vezes digo em jeito de brincadeira que sou engenheiro de obras feitas. Mas se eu não participo antes depois não tenho autoridade para criticar. Às vezes há situações em que eu próprio dou a minha opinião…Recentemente um jornalista perguntou-me porque é que tinha sido retirado da ordem de trabalhos da reunião o ponto sobre o Parque Urbano do Rio Diz, projecto ao qual temos alocada uma verba, a minha confiança que quero fazer é tal que perguntei qual era o grau de execução e foi-me dito que era isto, isto e isto. E eu disse que ainda falta isto. Amanhã pode haver mais opiniões. Eu não sou dono da verdade. Não tenho capacidade técnica para isso. No final das obras vai sempre faltar isto ou aquilo. Mas tenho a certeza de que fica melhor do que estava. É esse o meu espírito. É por aí que eu norteio a minha actividade.

 

«Eu respeito muito os meus adversários políticos. Já respeito menos aqueles que se escondem atrás de árvores»
Depois da reacção aos projectos de reabilitação como o Parque Municipal, os restantes projectos vão avançar tal qual como foram apresentados, nomeadamente para o Largo da Misericórdia e Rua do Comércio?
Eu esforço-me por explicar as coisas. Mas no caso concreto do Parque semana após semana vou ouvindo e vou lendo… Eu respeito que as pessoas digam que não gostamos que se abatam árvores no Parque Municipal. Eu respeito isso. Como respeitei quando houve abate de árvores na Avenida [de Salamanca]. Mas nós explicámos que aí sim assumidamente que era aquele o projecto ambiental e que íamos plantar muitíssimas mais árvores. Ninguém gosta mais de árvores do que eu. Gosta igual, mais não aceito. Quanto ao projecto do Parque eu sempre disse, já repeti mil vezes, que não quero abater nenhuma árvore. Acabem lá com essa falácia. Arranjem lá outra forma se querem contestar. Porque estamos a um ano de eleições é natural que se queira contestar o presidente da Câmara. É natural. Na política é olhos nos olhos, face a face. Eu respeito muito os meus adversários políticos. Já respeito menos aqueles que se escondem atrás de árvores. Sob ponto de vista pessoal respeito porque sou uma pessoa educada, sob o ponto de vista político não respeito nada. Desafio-os a virem para o confronto político. Dos meus adversários políticos não tenho ouvido críticas e bem, porque eu fui tão claro. Eu não quero, o presidente da Câmara não quer abater árvores no Parque. Ainda bem que o Tribunal Administrativo nos ouviu. Fizeram perder três meses à Guarda, não foi a mim. O Parque não vai ficar um grande parque. É a primeira fase de intervenção. No decurso da obra, a Quercus já se reuniu, podem reunir-se os especialistas com os projectistas. Não os curiosos porque esses cada cabeça sua sentença. O que é que posso fazer mais?! Só se me puser na Torre dos Ferreiros ou na Torre de Menagem a dizer isto. Mas os guardenses sabem isto e ouvem-me. Mas depois há sempre alguns… é democrático. Que se cortem aquelas que as pessoas entenderem que estão a mais ou estão doentes. Não é o presidente da Câmara que manda cortar árvores.

E em relação aos projectos do Largo da Misericórdia e a Rua do Comércio?
O projecto do Largo da Misericórdia há-de ser acabado. Poderei vir a apresentá-lo justamente para ser discutido, não vamos iniciá-lo. Executar projectos implica com realismo saber com o que vamos contar. Hoje é assim. Por isso é que nós diminuímos 28 milhões de dívida da Câmara e temos agora a possibilidade de executar projectos. Isto não é estalar os dedos e fazer as obras que queremos. Por que somos realistas, queremos as contas direitas e a pagar a tempo e horas. Também é uma marca. Vamos por ventura colocá-lo à discussão ou apresentá-lo até ao final do mandato.

Recorda-se que quando foi apresentado o primeiro esboço desde projecto a pessoa que levantou dúvidas sobre o projecto do Parque também levantou dúvidas sobre a intervenção prevista para o Largo da Misericórdia? É por haver receio que haja contestação que vai ser apresentado de forma diferente à opinião pública?
Um político que tenha receios mude de vida. Eu não tenho receio nenhum! Respeito as críticas especialmente quando a gente faz as coisas com absoluta transparência. Eu não sou obrigado a apresentar nada. Sou obrigado a discutir no meu executivo. Mas eu sempre fiz mais do que isso. Eu gostaría que pelo menos isso fosse registado. No caso do projecto frente à Igreja da Misericórdia é um projecto que importa que nós conheçamos mais em pormenor, começando por mim. Não conheço em pormenor o esboço. Imaginar como está hoje e como pode ficar, mas isso em coerência com aquilo que sempre defendi eu próprio também quero ver. Quero analisar, quero discutir. Não precisava de o fazer, mas eu quero fazê-lo. Em relação à Rua do Comércio penso que dentro de duas ou três semanas teremos novidades, porque andámos em conversas, muitas conversas com a empresa que estava para iniciar aquele projecto e digo praticamente em primeira mão, aquilo que posso dizer neste momento, fomos confrontados com dificuldades da própria empresa face à execução daquele projecto que eu achava muito reformista. Porventura vamos ter que mudar a agulha porque concluímos que por dificuldades da empresa que analisaram e reanalisaram, já depois de termos o visto do Tribunal de Contas e da empresa ter feito o depósito da caução. São questões técnicas.

Obrigará a uma grande remodelação do projecto divulgado?
Vai haver uma grande remodelação em relação ao que esteve previsto por estas dificuldades da empresa. Nós não somos insensíveis. Quando foi para assinar o contrato pediu-nos para voltar a analisar tecnicamente. Eu não tenho interesse nenhum em dizer… não, o senhor ganhou agora tem de fazer! É natural que tenhamos de fazer alguma readaptação e depois deixarmos para discussão futura alguma intervenção de requalificação que é aquilo que eu sempre pretendi. Porventura voltaremos a uma fase inicial de algum embelezamento da Rua do Comércio deixando para mais tarde para se fazer algo mais profundo e de debate entre nós ou entre a sociedade. Vou dar outro exemplo. Dentro em breve também espero apresentar às pessoas justamente quando tiver estas duas soluções. Temos andado com reuniões sobre a recuperação da Torre dos Ferreiros. Queremos fazer da Torre um ponto de visita fundamental. Quem como eu já lá foi acima, deu para ver que estamos ali também perante um diamante por lapidar. É um local de visitação fantástico. O projecto previa e prevê um elevador. Veio a directora geral do Património com os projectistas, já houve reuniões lá e no projecto do elevador surgiram alterações. Finalmente estamos à espera. Nós insistimos que para ser local de visita tem de ter um elevador, porventura um elevador panorâmico.
É uma das poucas obras que eu considero muito importante e que eu aceito que esteja a decorrer mesmo no período eleitoral. Quem me dera a mim que a esta hora estivesse já a ser concluída. Esta obra é uma marca importante.

 

«Proíbo qualquer sondagem que envolva o meu nome»
Teve conhecimento do resultado da alegada sondagem que terá sido realizada em Coimbra envolvendo o seu nome?
Juro por Deus que não. E lhe garanto que do meu partido, já falei com quem de direito, eu proíbo expressamente que qualquer sondagem envolva o meu nome. Falaram-me de outra aqui há tempos que por sinal eu ganhei. Houve amigos da Guarda que me ligaram a dizer que iam votar noutro e não em mim. No fim acho que ganhei.

A de Coimbra não tinha curiosidade por saber o resultado?
Tanto quanto tenho poder para isso eu proibí o meu partido.

Porquê essa posição?
É uma posição minha. Todos devem respeitar. Se perguntar ao líder do PSD, ao secretário geral do PSD e ao líder da distrital de Coimbra lhe garanto que dizem isso. Não é não autorizo, proíbo. Com esta violência, embora não tenha poderes para isso. Só tive conhecimento de uma sondagem on-line porque houve amigos a ligarem-me a dizer que iam votar noutros nomes e eu sorri e achei que era de coração (riso). Se há mais alguma sondagem eu desconheço.

Que opinião é que tem do trabalho de João Prata?
Há uma parte de um trabalho de qualquer presidente da Junta que dificilmente um presidente da Câmara sabe analisar. Independentemente de serem ou não do mesmo partido. Que é o contacto, a simpatia que se adquire e a capacidade de resolução dos problemas. Tem uma ideia geral. Mas dir-me-á que é diferente se for a Junta da cidade. Essa parte é exactamente a mesma coisa. É uma coisa que eu não acompanho, nem posso, nem devo e nem quero. A outra parte que é das realizações aí diria que qualquer presidente de Junta sai beneficiado ou prejudicado politicamente se o presidente for bom ou mau. Vamos chegar ao fim do mandato com apoio no investimento às freguesias rurais em mais de dois milhões de euros. Se somarmos os investimentos dos serviços municipalizados vamos chegar a um valor fantástico. Mas uma boa parte dos investimentos são na cidade. Se a Câmara, se o executivo municipal fez bem, o presidente da Junta é da cidade tira daí o benefício político. Se fez mal, aí se for do mesmo partido como é o caso, pode sair politicamente prejudicado. Desta parte acho que ele sai beneficiado, não estou a dizer que sou bom presidente isso deixo ao juízo dos guardenses, mas também é legítimo que eu faça a minha auto-avaliação. Estamos a caminho do tempo em que se deve fazer. Estamos praticamente nesse tempo. Com toda a sinceridade, ninguém me levará a mal, mas olhando para a situação que eu herdei creio que os guardenses poderão em termos globais fazer uma avaliação positiva. Não serão todos, porque Deus era Deus e não agradou a todos. Se assim for, o senhor presidente da Junta e meu amigo foi eleito na coligação que eu chefiei também tem esse benefício. Mas depois certamente terá mais ainda pelo trabalho diário que eu não tenho nem posso ter consciência disso.

Sairá beneficiado ou ofuscado pelo brilho do presidente da Câmara?
Seria um erro de análise. Seria até um erro político em tese. Eu nunca o faria. Se eu sentisse que o meu presidente da Câmara estava a fazer um bom trabalho eu só teria que me associar a esse trabalho. Se a cidade que ele administra enquanto presidente da Junta está melhor, as pessoas estão mais satisfeitas, a cidade está mais atractiva. Eu só tenho de tentar tirar partido disso. E eu como presidente da Câmara não levo a mal. Acho que é politicamente correcto. Acho que o senhor presidente da Junta, temos falado, tem esse sentimento que nunca é de plena satisfação mas que percebe estar num mandato onde com surpresa para muita gente conseguimos fazer aquilo que comecei por dizer no início da entrevista. Mas este não é um mandato de quatro anos. É formalmente mas quero recordar que desde Outubro de 2013 até 1 de Janeiro de 2015, por isso o primeiro ano e três meses, foi de um trabalho insano de arrumar a casa. Arrumar a casa no sentido de termos uma nova orgânica, com um modelo, acertámos as contas, negociámos com credores, fizemos um saneamento. Eu disse a todos que nós não tínhamos dinheiro para mandar tocar um cego, como se diz na gíria. Sei que me torno chato e que isso já não é notícia. Mas os guardenses vão-me ouvir até ao último dos meus dias. Quando chegámos tínhamos fundos negativos de 6,2 milhões de euros. Foi preciso trabalhar muito e mal para se chegar a isto. Mal e ilegal. Porque ninguém podia ter fundos negativos disponíveis. Hoje estamos com fundos positivos de 5,1 milhões. Isto não é milagre. É muito trabalho. Tenho contado com muito orgulho. Orgulho de gestor. Como é que se herda uma câmara que tem como prazo médio de pagamento 293 dias e hoje temos 20 dias. Quando explico isto é com orgulho. De maneira que eu não ofusco ninguém. Não tenho essa pretensão. Será um erro estratégico de quem não se associar aquilo que de bom se fez.

Disse que o mandato não é de quatro anos porque o primeiro foi para arrumar a casa. Quer mais quatro anos para fazer aquilo que não vai conseguir fazer?
(sorrisos) Eu tenho-me sempre como um homem insatisfeito. As pessoas que me conhecem sabem que ponho a camisa de fora, sou inquieto. E por isso a palavra-chave para os colaboradores e meus colegas do executivo quando aqui cheguei foi eu não vim aqui para mudar, não gosto sequer dessa palavra. Vim para inovar. De resto hoje é uma palavra da moda. Quero muito inovar, sempre respeitando. Neste contexto, eu digo que sou e serei a favor da limitação dos mandatos. É uma lei que na sua génese não é democrática, mas acho que é um mal necessário. O legislador fez mal foi não limitar no Parlamento. Porque ao fim de certo tempo deve haver um rejuvenescimento, deve haver ideias novas. Mas hoje que sou autarca compreendo muito bem os chamados dinossauros. Porque o poder autárquico é viciante. É um poder de proximidade, a gente vê com mais clareza a sua concretização. Nesse sentido ganhei alguma compreensão. Chegamos ao fim de quatro anos faltou fazer isto e isto. Chega-se ao fim de oito anos e garanto que volta a haver essa sensação. Eu tive essa sensação. Não posso dizer mais do que isto.

 

«As pessoas de um modo geral perceberam que não tinha chegado o pai tirano»
A oposição tem sido uma mais valia?
Eu tenho um respeito institucional por quem a Guarda elegeu para o executivo municipal. Não somos cinco, somos sete. Quando cheguei a presidente da Câmara perguntaram-me pelos pelouros para a oposição. Eu respondi que não!O executivo são os eleitos, mas há uns que têm a responsabilidade de governar. Mas isso não significa que nós não possamos encontrar formas de cooperar. Já aconteceu, mas eu gostaria que acontecesse mais. Nesse sentido acho que a oposição, palavra que eu também não gosto, são vereadores eleitos do partido socialista. Em resposta diria que não, nesse aspecto foi uma desilusão. Não respondo porque tenho tolerância por 40 anos em que esta Câmara foi gerida por três eleitos sempre da mesma força política. Tenho essa tolerância para menos cooperação e mais agressão. Acho que ainda há muita agressividade partidária na Guarda em termos autárquicos. Se ao longo destes quatro anos tivesse havido mais cooperação, certamente o Partido Socialista estaria em condições de dizer cooperámos nisto ou naquilo. Assim zero! Ninguém na Guarda se vai lembrar do que quer que seja. Vou-lhe dar um exemplo do ridículo.
Pedi ao meu vice-presidente para falar com o vereador Joaquim Carreira para se acertar as pessoas e instituições que no Dia da Cidade nós iamos agraciar. Como eu disse sempre que não houver unanimidade não há distinção. Na reunião de Câmara mandei retirar da proposta, para que fosse uma proposta do executivo, quem falou de A, falou de B ou e C. Um dia depois deram-me a ler o que o senhor presidente da Federação Socialista, o que é mais grave, tinha escrito sobre a grande iniciativa dos vereadores do PS que propuseram o Centro Cultural Os Serranos. É de rir. O senhor presidente da Federação do PS ainda não sabia o que era o Centro Cultural Os Serranos já eu os andava a ajudar. Quando falei com o presidente dos Serranos até nos rimos. Havia necessidade disto? Esta maneira de fazer política na Guarda em termos autárquicos tem de ter tendência a desaparecer. Tenho compreensão e tolerância para a agressividade politico-partidária, mas isso não faz bem à Guarda.

Que avaliação faz da equipa que o tem acompanhado? Num eventual segundo mandato contará com todos eles?
A segunda parte não respondo. Quanto à primeira parte, estamos a chegar ao fim do mandato e espero que se mantenha assim, mas creio já não haver possibilidade de dar razão aqueles que anteviam o diabo. Alguns anteviam, eu li até no Verão, que um já se estava a despedir, outro não sei quê… Aquelas coisas que me deixam rir. É com uma grande satisfação que chegamos ao final de 2016 e não tive a mais pequena situação de desagrado na minha equipa, não apenas entre os cinco pertencentes ao executivo, mas também com o meu chefe de gabinete, com a minha adjunta, com os colaboradores mais próximos e com os novos chefes de divisão. Penso que as pessoas de um modo geral perceberam que não tinha chegado o pai tirano que ia fazer e acontecer. Que ia despedir e não sei quê. Se o Partido Socialista tivesse ganho a Câmara havia pelo menos 30 que eram despedidos e eu ganhei a Câmara e era o mau da fita e afinal ficam lá todos. Não sou mais humanista do que os outros, mas considero-me um humanista. Julgo ter estimulado o debate. Reúno com a minha equipa, não é apenas de 15 em 15 dias, reunimos duas a três vezes por mês na reunião de coordenação. Eu gosto de coordenar equipas. E pelo menos uma vez por mês é alargada a 20 ou 30 pessoas. Eu assumo a responsabilidade toda pela decisão, mas têm que me ajudar a pensar. Eu estimulei isso. Acho que hoje é um bom aproveitamento da capacidade técnica da Câmara.
Estou muito satisfeito com o trabalho que tenho desenvolvido. Não estou realizado, nem eu nem nenhum elemento da minha equipa. Eu também os estimulei a ser irrequietos. Agora a sete ou meses de terminar o mandato é que lhes digo que já chega de pensar para conceber coisas. Agora temos mesmo de executar. De um momento para o outro vai haver mais gruas e mais andaimes na cidade. Eu não quero ser visto como lá vêm as eleições lá vêm as obras. É difícil fugir a isto. Tenho alguma tolerância porque o tempo do meu mandato é curto pelas razões que já expliquei. Espero que as obras estejam quase todas executadas antes das eleições e espero que os guardenses saibam que estas são as razões. Eu também não podia adiar por ser ano de eleições, que também seria uma tontice.

 

Amaro responde às questões dos partidos
Bloco de Esquerda – O senhor presidente da Câmara vai tomar uma posição definitiva (se sim para quando) que resolva o problema ambiental e que acabe com os “negócios” de quem ganha com a poluição do Noéme?
Vou responder a essa pergunta no Dia da Cidade.

CDS-PP – Quais os compromissos que o senhor presidente da Câmara Municipal da Guarda está disposto a assumir, no imediato, com os guardenses, para inverter o processo de esvaziamento económico e social do nosso concelho e o consequente enfraquecimento das instituições e dos serviços públicos?
Discordo totalmente da primeira parte da pergunta. Não vejo como é possível dizer numa altura destas… quer dizer, eu não posso fazer nem mais nem menos nos sete ou oito meses que me faltam, porque todo o contributo que estive a explicar nesta entrevista refuta completamente a primeira parte da pergunta. Não creio que nos últimos tempos tenha saído daqui nenhum serviço público. Eu sou muito adepto que no chamado arco do interior e tenho uma visão, que há quem chame esquerdista, nas regiões há menos dinâmica o Estado deve ter um papel que vai para além do papel da regulação. E nesse sentido acho que nestas nossas terras o Estado deve ter atenção particular, não é proteccionismo, não comiseração, não precisamos que ninguém tenha pena de nós. Precisamos é de estímulos adicionais, porque nós somos uma parte do território que é diferente da outra parte. No início da entrevista quase lhe falei das compensações por ter sido uma região que foi sangrada. Isto tem de se discutir na Guarda. Isto não é ideológico. Se me disserem que gostávamos de ter um Tribunal Administrativo e Fiscal, concerteza. Trabalhámos para isso na Assembleia Municipal e eu próprio ajudei a fazer uma proposta e devemos continua a clamar. Temos de conjugar esforços para levantar a voz. Mas não vamos lá com visões catastrofistas que eu não tenho.

PCP – As obras recentemente anunciadas pela CMG constituem uma verba de aproximadamente 15 milhões de euros, tais valores reflectem no imediato duas coisas: tratar-se de um avolumado investimento e a sua execução alterará profundamente o tecido urbano da Guarda. Não deveriam estas ser razões suficientes para tornar públicos os projectos?
Mais ainda do que eu já fiz, não sei fazer. Eu já fiz num primeiro momento. Se eu tiver que andar a perguntar a toda a gente como é eu não fui eleito para nada?! Eu assumo a responsabilidade. Não são 15 milhões, é metade disso. E com 85 por cento de financiamento.

PS – De forma concreta e objectiva, elenque quais as medidas que pretende implementar para garantir o aumento de investimento privado e fixação de empresas no nosso concelho de forma a inverter a tendência de saída dos nossos jovens?
Eu respondia com outra pergunta. No tempo em que isso foi mais possível, nos últimos 40 anos, o que fez o PS na Guarda? Deixou a cidade no estado em que todos nós sabemos. Ninguém pode aliviar aqui a responsabilidade. A situação em Outubro de 2013 era a que era. O que nós estamos a fazer é conhecido. Eu sou inquieto. Mas nenhum autarca consegue só por si. Primeiro tivemos que arrumar a casa, depois colocámos a Guarda no radar e em terceiro ser olhada com respeito e com apreço. E isso tem efeito psicológico e ignorar isto.. Foi isso que se ignorou na Guarda e o Partido Socialista tem que bater com a mão no peito. Mas o que mais importa é bater com a mão no peito ou olhar para a frente? É olhar para a frente. Eu não tenho ainda o registo da Plataforma Logística. E isso significa arrumar a casa. Eu lhe garanto que no dia em que isso tiver feito para além de termos mobilizado todos os instrumentos. Nós temos um dos instrumentos mais arrojados que um município pode fazer. Há um regulamento que nós criámos, eu digo que temos de andar com ele no bolso para estimular o investimento. Nós já temos uma Plataforma Logística onde nascem alguns investimentos e o Partido Socialista não pode desvalorizar os mais de 20 e tal lotes que nós fizemos e as empresas que estão lá a construir e a criar postos de trabalho. Porque para mim tanto no tecido económico tanto vale uma empresa que cria 100 postos como dez empresas que criam dez postos de trabalho cada uma. Vou contar um caso que ajuda à resposta do Partido Socialista. Um dos primeiros investimentos que eu pude acompanhar e já agora pude estimular e já agora ajudar naquilo que um presidente da Câmara pode fazer foi o investimento da SODECIA. Depois mais tarde houve até um encontro cá. Ia investir mais de quatro milhões criar mais de 100 postos de trabalho, ninguém valorizou aquilo. Nem na comunicação social. Na altura falei com a administração, o mérito é vosso. Vir ou não vir o ministro, mas é importante dizer da Guarda para o país. E virão outros dentro em breve, muito em breve. Os investimentos que a Olano fez, os investimentos que a Coficab fez, os investimentos que fez a Gelgurte, os investimentos a Bernardo Marques fez, o investimento da fábrica de estores do Mileu, o investimento da JOM… Como é que eu posso responder. Estou aqui há 3 anos, sendo que um ano e meio não contou, contou que eu não vou pedir descontos. Não estou feliz da vida. Inquieto como sou quero mais. E vamos ter mais. Eu quero que a Guarda valorize aquilo que os empresários da Guarda estão a fazer. As casas que abrem… A Guarda sorriu e quer mostrar-se mais e melhor. Eu fico muito feliz com isso. O que é que eu posso dizer mais. Esgotei a minha capacidade em termos fiscais. Em trÊs anos vendemos mais de 20 lotes e vamos vender mais e espero ter boas notícias dentro em breve. Como é que queriam que os empresários viessem para a Guarda com os lotes a 20 euros por metro quadrado?! Desculpem lá! Recuemos e suponhamos que tivesse havido um rumo diferente para a Guarda há dez anos atrás. Garanto que a Guarda não estava como está hoje. Chegámos com o fim de um quadro comunitário. Isto não é dispiciente porque as receitas dos municípios não se baseiam no PIDDAC, isso já acabou. Chegámos em plena crise, com o país em emergência financeira. O Partido Socialista da Guarda pergunta-me o que posso fazer mais. Eu devolvo a pergunta o que é que eles podem ajudar mais. Até temos cá um cujo dono é o Estado que é administrado por um governo que é do Partido Socialista e que nós queremos porque é importante para a economia. Criará 30 ou 40 postos de trabalho. O tempo que estamos a perder.

PSD – Como é que em tão pouco tempo conseguiu transformar uma câmara tecnicamente falida e sem dinheiro para pagar o essencial, salários, consumíveis, água, pão, numa câmara com uma situação financeira tal que lhe permite fazer estradas, rotundas e ainda sobra para dinamizar actividades e ajudar a instalar empresas que trazem empregos?
É uma pergunta que dava para quase outra entrevista. Dou apenas alguns exemplos para perceber isso. O último dei conta dele na última reunião de Câmara. Conseguimos ter o visto do Tribunal de Contas para uma reestruturação da dívida.
Com isto poupamos 1,5 milhão de euros em dez anos. São 50 mil euros por ano. Eu não desprezo 50 mil euros ao ano. Extinguimos uma agência, a APGUR. Extinguimos porque nós fazemos melhor. Como aliás se comprovou. Mas que levou mais de 600 mil euros de subsídios da Câmara, que deixámos de pagar. Cerca de 40 trabalhadores quando nós chegámos, chamei-os e vi lágrimas nos olhos de algumas pessoas. Aquilo custou-me, mas um gestor não pode apenas gerir com o coração, muito menos com o coração político. Chamei-os porque estavam todos na mobilidade. estavam na mobilidade, mas estavam por questões políticas a maior parte deles, como é evidente. Não tenho nada contra isso. Eu sei o que me custou. Até me custou concerteza alguma antipatia. Normal. Mas ao fim de quatro ano poupámos 1200 mil euros.Eu não fui injusto para com aquelas pessoas, fui justo para outras. Neste momento estava em condições de sim senhor para premiar esta pessoa que hoje conheço vou po-la na mobilidade que é a única maneira que tenho de lhe dar mais dinheiro a ganhar. Não pus nem uma. Tenho dois lugares por preencher. A lei dos gabinetes é tola. O gabinete de apoio ao presidente da Câmara de Manteigas é igual ao do presidente da Guarda. Com todo o respeito, não faz sentido. Mas essa lei permite que eu nomeie duas pessoas. Eu nunca os preenchi. Podia recrutar no mercado de trabalho. Nunca o fiz porque precisávamos de poupar. Não o farei. Eu não tomei aquela decisão para ser injusto para com aquelas pessoas. Eu não conhecia a capacidade das pessoas e hoje que conheço podia fazê-lo mas por uma questão de coerência não faço. Coerência e de gestão. Comecei a minha tarefa por negociar com os credores. Neste momento o município tem menos 60 pessoas. Mesmo contando com o que eu fiz que foi internalizar todas as pessoas das empresas municipais. Possibilidade de realizar sonhos da Guarda. Ter mais gente a beneficiar da cultura. Fazer esse caldeamento entre a cultura erudita e
A verdade pura e dura é que fizemos um trabalho de que muito me orgulho. Nos 30 anos da minha vida pública é talvez, não quer dizer que eu não tenha o mesmo orgulho por onde passei, no Terreiro do Paço, na Assembleia da República, na Câmara de Gouveia, mas foram três anos e para isto conta muito o primeiro, é um grande orgulho para todos nós. Nós criámos uma determinação que todos os meses, os responsáveis financeiros juntam-se comigo para ver que dinheiro temos e que despesas temos. Mais de 20 pessoas se juntam à volta da mesa. E há meses em que as despesas são maiores que as receitas. O que é preciso fazer é amealhar quando as receitas são maiores. É isso que nos permite chegar sempre ao final do ano com um saldo de gerência superior a dois milhões de euros. É obra

 

 

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