Escavações arqueológicas em Vila do Touro

O castelo de Vila do Touro está a ser alvo de mais uma campanha de escavações arqueológicas. O campo de trabalho é promovido novamente pela Câmara do Sabugal e conta com professores e alunos da Universidade de Coimbra.
Os trabalhos de estudo e de investigação arqueológica decorrem em duas zonas da fortificação medieval de Vila do Touro, sendo que na parte mais alta as escavações são mais dedicadas ao medieval e na vertente Sul uma outra equipa estuda a ocupação por parte das comunidades nesse local há cerca de 3000 anos atrás (Proto-história), revela a autarquia na sua página oficial.
No que se refere à ocupação medieval, Marcos Osório, do Gabinete de Arqueologia e Museologia do Sabugal, explica que o que está a ser feito é «descobrir marcas das casas e outras estruturas de apoio que revelam a presença dos homens que estavam aqui a construir o castelo, o que terá durado pelo menos durante 50 anos, até que houve uma decisão por parte do concelho da Guarda para que a construção parasse». Entretanto, acrescenta, «D. Dinis levou a fronteira até onde ela está hoje, tendo este castelo deixado de ter preocupações defensivas e militares».
O concelho da Guarda, «que deu esta aldeia aos Templários, impôs que a construção não fosse concluída, não querendo aqui um castelo que rivalizasse em termos territoriais, daí o castelo ter ficado inacabado», justifica.
O arqueólogo acrescenta que «as casas das pessoas que aqui viviam foram abandonadas e, pouco e pouco, nos séculos seguintes, a população de Vila do Touro veio até aqui buscar pedras para as suas casas e o que hoje temos é o esqueleto dos restos da presença das pessoas que aqui viviam e estavam a construir o castelo, sobrando apenas algumas marcas nos penedos das casas que existiam e alguns troços dos alicerces que os arqueólogos estão a descobrir».
No que diz respeito aos materiais, sublinhando que «tendo em consideração que as pessoas que ali habitavam não eram propriamente monges ou guerreiros templários, e muito menos nobres», o espólio identificado «não é de grande qualidade», dado que quem ali morava eram«“operários da construção do castelo e uma pequena guarnição militar», evidencia Marcos Osório.
Já Raquel Vilaça, professora no Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, afirma que «o material identificado no local, especialmente a cerâmica decorada, que um dia venha a ser exposto, coloca o Museu do Sabugal, a par do Museu de Salamanca e do Museu de Ávila, com materiais muito próximos». «No entanto, todo este trabalho de arqueologia é moroso e inesperado», ressalva o docente.
Nestas campanhas de escavações arqueológicas em Vila do Touro têm participado alunos da Universidade de Coimbra, alguns deles mestrandos, os quais estão posteriormente a fazer estudos com estas descobertas e material daqui na Universidade, informa a Câmara. «Temos nomea-damente uma aluna que apresentou um trabalho de mestrado na Faculdade sobre alguns destes vestígios do castelo medieval. Os alunos poderiam ter escolhido um tema da sua região, mas decidiram, contudo, estudar o concelho do Sabugal, o que é óptimo», considera Marcos Osório.

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