Escola Carolina Beatriz Ângelo quer continuar a apostar no Futsal Feminino

«Os alunos da nossa escola são alunos felizes». As palavras são de José Luís Lopes, que há treze anos ensina as suas “meninas” (como as trata carinho-samente) a jogar Futsal na Escola Carolina Beatriz Ângelo, na Guarda. Durante este percurso surgiram 14 títulos mas o docente diz que o mais importante é a formação.
Faustino Caldeira
fcaldeira@gmpress.pt

professor de Educação Física na Escola Carolina Beatriz Ângelo (CBA), na Sequeira, na Guarda, José Luís Lopes, não esconde o orgulho pelos títulos conquistados no Futsal Feminino (ao nível do Desporto Escolar), mas sobretudo pela formação integral das suas meninas (como lhes chama carinhosamente).
Em 13 anos, José Luís Lopes destaca os 14 títulos conquistados, as atletas, antigas estudantes e o processo de 5 anos de aprendizagem de cada aluna.
Este ano, a Escola CBA teve duas equipas de infantis (Sub-13) e duas de iniciadas (Sub-15), num total de cerca de 50 atletas. Neste último caso foi a primeira vez que houve necessidade de fazer uma equipa porque havia 25 alunas interessadas. A formação de iniciadas foi campeã distrital pela quarta vez e as infantis ficaram em 4º lugar mas vinham de vitórias nos 5 anos anteriores.
Contudo, José Luís Lopes diz que a formação integral das alunas é mais importante que os resultados, acrescentando ainda que «desde que eu estou na Escola tem havido sempre um conjunto de meninas com alguma habilidade, duas ou três com talento, mas acima de tudo todas com vontade de trabalhar e, este ano, não houve talentos mas houve um trabalho de equipa». O docente reforçou que «houve 212 horas de treino e há alunas do 5º ano com 155 horas só este ano e foram vice-campeãs regionais porque trabalharam muito».
Este ano, as alunas da Guarda perderam apenas o jogo da final com uma equipa de Pombal mas José Luís Lopes diz que há vários factores a ter em conta nos resultados desportivos. Para além das horas de treino, as equipas do distrito da Guarda deparam-se com adversárias que têm jogadoras federadas e, por essa razão, com mais experiência e mais treino. José Luís Lopes refere que «a equipa da escola de Pombal em 10 atletas tinha 6 federadas e isso faz toda a diferença». O resultado terminou com 5-3 favorável à Escola Gualdino Pais.
Para evitar estes “desequilíbrios”, o professor não tem dúvidas de que deveriam surgir mais equipas de Futebol ou Futsal Feminino. Apesar de reconhecer o trabalho efectuado pela Fundação D. Laura dos Santos (que conta com jogadoras que tiveram a iniciação na escola da Sequeira), José Luís Lopes considera que a Guarda é que deveria aproveitar estas jogadoras e fazer uma equipa forte que congregasse todas as atletas que saíram das várias escolas da cidade. «Na Fundação estão duas, no Caria mais 4 ou 5, mais três ou 4 no Guarda Unida e andam espalhadas», lamenta, destacando desde logo Sandra Rita e Mónica Silva, que jogam Futebol 11 na Fundação D. Laura dos Santos, que milita no principal escalão de Futebol Feminino. De qualquer forma, o professor e formador sente-se feliz por ver que as antigas alunas continuam a praticar desporto e que continuam a aprender, afastando desde logo a ideia de que algum dia possa ser treinador de uma equipa federada. «Não tenho esse perfil, mas já fui abordado várias vezes», diz.
Questionado sobre o que é preciso fazer para criar uma boa equipa na cidade, José Luís Lopes entende que tem de haver um projecto alicerçado de base, que junte todas as atletas mas depois surge outro problema que é ainda algum preconceito que os pais ainda têm. Há uma dificuldade cultural em alguns pais que ainda têm dificuldade em verem as filhas a jogar futebol». «Depois», acrescenta, «quem, se desloca duas ou três vezes por semana para Gouveia ou Caria só o faz porque sente uma paixão pela modalidade».
Na entrevista que deu a este semanário, José Luís Lopes disse ainda que as atletas não têm dificuldades em conciliar os estudos com a prática desportiva, havendo até exemplos de antigas alunas que seguiram com sucesso o percurso académico.
Depois de 13 anos de sucessos desportivos, o docente antecipa que os próximos anos não vão ser tão bons, mas reforça que «o mais importante é continuar a formação e fazer com que os alunos se sintam felizes na escola».

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