Especialistas alertam para falhas na referenciação de doentes da Guarda para Viseu na área da cirurgia vascular

Os autores da proposta para a Rede de Refe-renciação de Angiolo-gia e Cirurgia Vascular defendem que, na maioria dos casos, a referenciação de doentes da Guarda para Viseu não é feita «de forma directa podendo resultar em atrasos com prejuízo» para os doentes. Propõe-se a criação de um serviço autónomo de cirurgia vascular no Centro Hospitalar da Cova da Beira.

A proposta de Rede de Referenciação de Angiologia e Cirurgia Vascular está em consulta pública até ao dia 19 de Junho. Para os doentes da Unidade Local de Saúde da Guarda, a proposta é que sejam referenciados directamente para o Centro Hospitalar da Cova da Beira, onde se sugere a criação de um serviço autónomo de Cirurgia Vascular. Sugere-se que numa primeira fase possa passar «eventualmente» por uma Unidade Vascular. Os autores da proposta justificam esta proposta pelo facto de existir a Faculdade de Medicina; de se reduzir a distância e tempo de deslocação da população (actualmente 2 horas para Coimbra) e de ser possível uma articulação funcional com o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Este serviço autónomo será de referência directa para um total de 351.730 habitantes – CH Cova da Beira (8.869 habitantes), ULS de Castelo Branco (108.395 habitantes) e ULS da Guarda (155. 466 habitantes).
Os autores tecem ainda uma crítica à forma como actualmente se processa a referenciação dos doentes nesta área. Lê-se no documento que «o distrito da Guarda não referencia, na maioria das situações, de forma directa para o hospital de Viseu, podendo resultar atrasos com prejuízo do acesso dos doentes aos cuidados de saúde especializados».
A Rede de Referenciação proposta em 2004 definia que os doentes do distrito da Guarda fossem encaminhados para a unidade hospitalar de Viseu. Os especialistas concluem também que a estruturação proposta e aprovada em 2004 «nunca chegou a ser plenamente implementada na região Centro, não tendo sido criadas as unidades de cirurgia vascular em Aveiro e Leiria». A unidade de Viseu «passou a ter a designação de serviço, apesar de apenas dispor de dois médicos especialistas e não conseguir, naturalmente, assegurar a urgência 24 horas sete dias por semana.
Recorde-se que está em curso a revisão das Redes de Referenciação hospitalar. Até 19 de Junho estão também em consulta pública as propostas para Neurologia e Cirurgia Plástica. Já se encontram aprovadas pelo Ministério da Saúde 13 Redes. Quatro estão a ser revistas e outras sete estão a ser criadas.
A constituição das Redes de Referenciação é «elaborada tendo em atenção as necessidades específicas dos utentes, a forma de organiza-ção dos serviços, devendo ser entendida como um sistema integrado de prestação de cuidados de saúde, pensada e organizada de uma forma coerente e assente em princípios de racionalidade, complementaridade, apoio técnico e eficiência», justifica o Ministério da Saúde. A carteira de serviços de cada instituição hospitalar é desta forma operacionalizada através de contrato -programa, de acordo com o respectivo Plano Estratégico, tendo em atenção o que as Redes de Referenciação Hospitalar preconizam para cada especialidade.

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