Especialistas revelam que “buraco” na Serra da Estrela é uma ligação ao mar

Contrariamente ao que tem sido noticiado sobre um vídeo feito com drone na barragem do Covão dos Conchos, na Serra da Estrela, o buraco visível na imagem não se trata de um túnel que recolhe as águas da Ribeira das Naves e as encaminha para a Lagoa Comprida, mas sim de uma ligação ao mar. Segundo especialistas marítimos contactados recentemente pelo TB, este caso é idêntico ao que ocorre na Lagoa Escura, que também tem uma ligação ao mar.

De recordar que, há precisamente 11 anos atrás, em 30 de Março de 1995, o jornal “Terras da Beira” dava conta do aparecimento de um cachalote de cerca de duas toneladas na Lagoa Escura (ver texto em baixo). Um acontecimento que levou os habitantes de Manteigas a acreditar que afinal a lenda da lagoa é mesmo verdadeira.

Agora, com a revelação dos especialistas, que optaram por manter o anonimato, poderá cair por terra a explicação, dada em Fevereiro último, de que o famoso “buraco da serra” não passaria de um canal responsável pelo desvio de águas da Ribeira das Naves até à albufeira da Lagoa Comprida. A comunicação social chegou a salientar, em Fevereiro, que se tratava de um túnel, construído em 1955, que tem mais de 1500 metros e que cria a ilusão de que a barragem está furada.

Os três especialistas em questões marítimas disseram ao TB que chegaram a libertar alguns sorrisos quando leram as notícias sobre o “buraco”, tendo, de imediato, convocado uma reunião para analisar os dados que vieram a público. Inicialmente era para não reagirem mas, depois de muito ponderarem sobre o assunto entenderam prestar esclarecimentos, embora sob o anonimato uma vez que ainda não tinham obtido autorização da tutela.

Para a população entender melhor este caso, o trio de especialistas aconselha a leitura da “Lenda da Lagoa Escura” (disponível neste site e no facebook do Terras da Beira), segundo a qual existiria uma mão gigante que puxava as pessoas para dentro da Lagoa, e que, por isso, se contava, em tempos idos, que eram frequentes vários acidentes e afogamentos naquela lagoa.

Esta lenda viria a ser amplamente divulgada aquando do aparecimento de um cachalote na Lagoa Escura. Uma notícia avançada em Março de 1995 pelo TB e que hoje recordamos (ler texto que se segue).

Notícia publicado pelo TB em 30 de Março de 1995

Um cachalote de duas toneladas apareceu morto na Lagoa Escura

É o acontecimento científico da semana. Um cachalote de duas toneladas apareceu morto nas margens da Lagoa Escura, em plena Serra da Estrela. A primeira explicação para o sucedido vem da boca dos populares e baseia-se na lenda de que a Lagoa terá uma ligação ao mar, pois até há quem diga que já pescou carapaus no local. Neste momento, vários cientistas já aconselharam o Parque Natural a criar condições, financeiras e técnicas, para que se possam desenvolver os trabalhos de pesquisa científica. E também há quem sonhe com um novo atractivo que poderá trazer à região imensos turistas.

A carcaça de um cachalote com cerca de duas toneladas apareceu Segunda-feira na Lagoa Escura, na Serra da Estrela. O mamífero marinho estava já morto quando um casal de acidentais turistas o viu junto à margem da Lagoa. Os homens do Centro de Limpeza de Neve, que logo souberam do estranho caso, foram os primeiros a chegar ao local. Manteigas, a localidade mais próxima, parou para ver. Não há, para já, explicação para este mistério mas tudo leva a crer que o animal tenha entrado na lagoa através de uma ligação com o mar. Esta é a versão que rapidamente se espalhou e já não se comenta outra coisa que não seja «afinal a lenda é verdadeira».

Segundo conseguimos apurar, na vila de Manteigas, há uma lenda, vinda de longínquos antepassados que diz que a lagoa Escura está ligada ao mar. «Sempre se ouviu dizer…», argumentam os populares.

O animal, que atraiu durante o dia de Segunda-feira todas as atenções, foi já retirado do local por um guindaste e transportado para um lugar seguro. Foram já feitos contactos com especialistas da fauna marinha, que, segundo o Parque Natural da Serra da Estrela, «pediram, por favor, para não destruir o animal até serem feitos estudos exaustivos».

O caso está obviamente a tomar proporções astronómicas . Soubemos que várias associações de protecção dos animais e vários especialistas nacionais aconselharam às entidades locais para que se criem rapidamente condições, financeiras e técnicas, para a prospecção da lagoa. O primeiro contacto dos especialistas quer com o animal quer com a lagoa poderá, segundo fonte próxima da Câmara, acontecer já no princípio do próximo mês.

O Terras da Beira está em condições de avançar que o cachalote poderá ser embalsamado dentro de dias, afim de ser aproveitado turisticamente. José Manuel Biscaia, presidente da edilidade manteiguense, ainda não refeito da surpresa, disse ao nosso jornal que «poderá ser a galinha dos ovos de ouro da região…», uma vez que, remata, «a neve é cada vez menos e já não traz turistas que trazia há uns anos…». Biscaia, também presidente da ADRUSE, poderá mesmo conseguir financiamento comunitário para criar, na Lagoa Escura, «a maior atracção marinha deste país».

Aproveitamento turístico à vista

Mas se o aparecimento do cachalote foi surpresa para toda a gente não o foi para uma pastora que durante anos viveu na Serra e que já se tinha apercebido do aparecimento de espécies marinhas estranhas e pouco vulgares em águas doces. Tilinha, de quem o Terras da Beira já falou, disse-nos que «uma vez cheguei a pescar carapaus…» Mas nunca ninguém dá crédito ao que Tilinha dizia e só agora com «um bicho daquele tamanho é que acreditam». Se a Lagoa está ligada ao mar é coisa que Tilinha não atesta mas que há qualquer coisa de estranho, não há dúvida.

Existem outras histórias na memória das pessoas em que a Lagoa aparece sempre como um lugar rodeado de algum mistério, cuja lenda condicionou sempre um determinado investimento institucional no aproveitamento turístico daquele espelho d’água agora pouco transparente uma vez que se levanta a hipótese, muito defendida, que «a lagoa não tem fim».

O Parque Natural da Serra da Estrela e a Região de Turismo, entidades que tutela a defesa e preservação da Estrela, vão unir esforços para que se faça um projecto do reaproveitamento da lagoa, salvaguardando todos os eventuais interesses científicos. Mas não se põe de parte a construção de infraestruturas, o mais perto possível do local, que garantam as melhores condições para o futuro e reforçado aproveitamento turístico da zona.

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