Estuda analisa a nova paisagem que vai ganhando terreno após a passagem dos incêndios florestais

Um dos maiores incêndios que teve início em 26 de Agosto de 2010 nas Quintas de Gonçalo Martins (Penedo da Sé, concelho da Guarda) e que só terminou quatro dias depois na Malhada Sorda, concelho de Almeida, serviu de base ao estudo  Incêndios florestais no distrito da Guarda. Factores desenca-deantes e consequências ambientais , elaborado por Susete dos Anjos Henriques e Luciano Lourenço, do Departamento de Geografia e Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Os autores do estudo concluem que «as marcas deixadas pelos incêndios florestais podem permanecer mais ou menos tempo na paisagem, desde alguns meses a vários anos até desaparecerem total-mente, consoante se trate de herbáceas, arbustos ou árvores».

Gustavo Brás
gbras.terrasdabeira@gmpress.pt

Há sete anos, os habitantes de Penedo da Sé (concelho da Guarda) e de localidades vizinhas como Porto de Ovelha, Pailobo, Miuzela, Cerdeira e Perificós manifestaram-se incrédulos como é que um incêndio que começou nas Quintas de Gonçalo Martins, Penedo da Sé (concelho da Guarda) atingiu Porto de Ovelha e as outras localidades vizinhas. Na altura, o comandante operacional distrital, António Fonseca, apontou o forte vento e as condições da vegetação como factores que contribuíram para «uma propagação muito rápida». O fogo manteve-se activo quatro dias. As chamas destruíram culturas agrícolas, árvores de fruto e as pastagens para os animais.
Foi este incêndio, ocorrido entre 26 e 29 de Agosto e que consumiu 5058 hectares, que serviu de base para o estudo  Incêndios florestais no distrito da Guarda. Factores desencadeantes e consequências ambientais, elaborado por Susete dos Anjos Henriques e Luciano Lourenço, do Departamento de Geografia e Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território da Faculdade de Letras da Univer-sidade de Coimbra.
Contribuir para uma melhor compreensão das diversas acções que interferem com o risco de incêndio florestal, assim como analisar a nova paisagem que, progressivamente, vai ganhando terreno após a passagem dos incêndios florestais, foi o que pretenderam fazer naquele trabalho, publicado em 2013 nos  Cadernos de Geografia daquela instituição de ensino.
Para tentar perceber a razão de ser de tão elevado número de ocorrências de incêndios florestais, assim como da vasta área ardida registada no distrito da Guarda, os autores consideraram «pertinente a elaboração» daquele trabalho, «através do qual se pretendeu efectuar uma análise diacrónica da manifestação do risco dendro-caustológico nesta área de estudo, no período compreendido entre os anos hidrológicos de 1980/81 e 2009/10».
«Após a ocorrência de incêndios florestais, surgem, entre outras, preocupações ambientais, algumas das quais se traduzem em mudanças na ocupação do solo, sendo possível estabelecer diversas formas de evolução da paisagem. Por isso, o trabalho de campo efectuado para a realização deste estudo, incidiu sobretudo na observação da regeneração da vegetação após os incêndios florestais», explicam.
Para a execução do estudo, basearam-se na «consulta de bibliografia diversa e de outros documentos de base, na pesquisa de informação numérica variada, assim como no recurso a suportes informáticos, através da internet». Tudo isto foi complementado com um trabalho de campo, que «consistiu no levantamento do grau de cobertura do solo pelas espécies vegetais em regeneração, bem como da evolução do seu crescimento, após o incêndio de Agosto de 2010, especificamente no período de tempo que decorreu entre Outubro de 2010 e Julho de 2011».
Para esse efeito, foi construída uma estrutura em madeira, com a dimensão de um metro quadrado, tendo sido aplicado, uma vez por mês. Dizem os autores do estudo que, «a seguir às primeiras chuvas, sensivelmente dois meses depois do incêndio, ou seja, no mês de Outubro, o solo começou a ficar preenchido pelos novos rebentos de vegetais ou pela germinação de algumas sementes. Nos meses seguintes e até ao final do Inverno, manteve-se uma certa estagnação da cobertura do solo e, só depois, na estação primaveril, se notou um elevado acréscimo de vegetação».
No que diz respeito ao crescimento dos rebentos de árvores, «as diferenças são mais signi-ficativas». «Como as outras espécies vegetais, também estas estagnaram no período invernal e começaram a desenvolver-se a partir da Primavera. De entre elas, a espécie que mais se desenvolveu foi o carvalho», adiantam. O freixo, «apesar de ter sido o primeiro a rebentar logo após o incêndio, acabou por regredir com a geada e só voltou a regenerar em Maio». Por seu lado, o pinheiro, «como se regenera por semente, apenas nasceu em Junho, mas em Julho já tinha um desenvolvimento de 9 cm». Os autores do estudo concluem que «as marcas deixadas pelos incêndios florestais podem permanecer mais ou menos tempo na paisagem, desde alguns meses a vários anos até desaparecerem totalmente, conso-ante se trate de herbáceas, arbustos ou árvores».

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