Fados de Coimbra em Língua Gestual no TMG

A Guarda recebe dia 1 de Abril, pela primeira vez, um espectáculo com «momentos únicos de uma experiência de Fado de Coimbra e de interpretação simultânea em Língua Gestual Portuguesa». A organização é do “Movimento Solidário – Nós e a Associação de Surdos da Guarda”, criado no Agrupamento de Escolas da Sé, em parceria com a Câmara Municipal e a Associação de Surdos da Guarda, e tem por objectivo angariar fundos para as obras que aquela associação pretende realizar na sua sede, na Rua do Povo.
O grupo Amanhecer é o convidado para este concerto solidário, a acontecer pelas 21h30 no Teatro Municipal da Guarda (TMG), no qual apresenta um reportório com alguns dos mais clássicos e incontornáveis temas do Fado de Coimbra, bem como alguns temas originais. Acompanham-no quatro intérpretes de Língua Gestual.
Alexandra Santiago é uma delas, que se estreia neste tipo de tradução. «Não vou estar só eu porque é um trabalho que é árduo e quanto mais melhor para as pessoas perceberem que não somos únicas, não existe uma intérprete no mundo, existem muitas in-térpretes», justifica a jovem, voluntária na Associação de Surdos da Guarda desde a sua criação, em 2000. «Convidei algumas colegas que também já trabalharam noutros projectos comigo, somos quatro intérpretes que vamos estar em palco, também até para as pessoas visualizarem que não é só na televisão, estamos em vários sítios, nós fazemos várias áreas e tudo é possível», reforça.
Mesmo traduzir um sentimento tão próprio do Fado?
«Há muito sentimento, muita coisa que tem que se transmitir e que na Língua Gestual tem que ser muito bem trabalhada, e com os próprios músicos. Vamos ter que ter ensaios, por causa dos tempos, tudo isto é um trabalho que tem que se ter tempo. E isto para ser transmitido tem que ser uma coisa bem organizada e muito bem trabalhada», esclarece, respon-dendo afirmativamente à pergunta.
E que sentimento é mais difícil traduzir?
«É muito relativo, tudo tem a sua especificidade, o fado fala da saudade, do destino, da vida, é um desfio para nós intérpretes consegui-los mas tudo é possível. E para eles [surdos], porque é a primeira vez [que acontece] na Guarda, vai ser uma novidade», afirma, confessando estar a ser um desafio «muito bom».
«Através da Língua Gestual tudo é possível transmitir. É como uma língua e toda a língua é possível, é preciso é saber dar a volta, saber o que é que está ali a ser dito para conseguirmos também nos expressar e chegar a eles. Nós através da audição conseguimos sentir, os surdos tem que ser através da Língua Gestual, através da expressividade corporal, e para nós conseguirmos chegar aos outros tem que ser muito bem interpretado», esclarece Alexandra Santiago, filha de pais surdos.
Daí que os intérpretes «têm que ter as letras antecipadamente». «Temos que as preparar, há todo um conjunto de sensações, de sentimentos que temos que transmitir que estão na letra da canção, que têm que passar para os surdos. Ou seja, tem que ser muito bem preparado antecipadamente», justifica, reforçando que «não vou ser a única porque é um trabalho bastante exigente».
«Para mim é um orgulho fazer este tipo de trabalho», confessa.
A reserva de bilhetes para este espectáculo pode ser feita na bilheteira do TMG, através da Associação de Surdos da Guarda (despertardosilêncio@gmail.com) ou do número 917448122, e nas bibliotecas escolares da Secundária da Sé e S. Miguel.
O valor é de 5 euros, que revertem para melhorar as condições físicas do edifício onde funciona a associação.
«Neste momento, além de sentirmos a falta de uma intérprete que esteja a trabalhar fisicamente na associação, porque temos estado a trabalhar com a Escola Secundária da Sé, que nos tem facultado a intérprete, em regime de voluntariado, porque às vezes também temos que chamar e pagar, a outra necessidade são as instalações porque já têm alguma idade, e a associação não tem verbas para este tipo de situações, e maioritariamente o trabalho é lá que se faz», alerta Alexandra Santiago. As verbas que poderão reverter deste concerto serão manifestamente pequenas para fazer face às despesas necessárias, «mas é uma ajuda», a juntar a outras que têm chegado, nomeadamente de empresas da cidade.
GM

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