Filosofia Moral

Estudando a origem geográfica da formação de alguns médicos portugueses nos finais do século XVIII, descobri a sua pertença como alunos à Universidade de Edimburgo, notando ao mesmo tempo que foi nesta cidade que ensinou Filosofia Moral Adam Smith. Juntei todas estas informações e com a ajuda do Google, descobri que tinha sido o famoso professor de Medicina William Cullen, quem lhe pediu que tomasse conta da cadeira de Filosofia Moral lecionada por Thomas Craigie, que a queria deixar por motivos de saúde. Soube depois que Craigie morreu em 27 Novembro de 1751 em Lisboa e Smith tomou conta desta cadeira em Abril de 1752, começando assim o trabalho de investigação que culminou na publicação de “An Inquiry Into the Nature and Causes of the Wealth of Nations”, ou seja uma pesquisa acerca da Natureza e das Causas da Riqueza das Nações.

Continuarei nesta base as minhas pesquisas acerca da Natureza e das Causas do empobrecimento do Interior e já agora do resto do País, encontrando-as fundadamente na quebra das regras da moral. De facto, são estas que permitem premiar com justiça os esforços produtivos de quem prossegue o seu próprio interesse, que assim beneficia todos ao produzir bem e barato porque mais competitivo.

Na verdade, os últimos governantes, quer associados diretamente a crimes lesivos do bem público, quer permitindo-o por um deixa andar, tornou possíveis ganhos enormes por alguns dos seus apoiantes mais próximos. E tudo isto aconteceu em simultâneo com quebras da riqueza pessoal e coletiva, sendo algo bem visível quando percorremos o país ou tão só as ruas da nossa aldeia, vila ou cidade.

Alguns “opositores” como Rui Rio, associaram-se há cerca de dois anos aos atuais governantes para criarem fantásticos movimentos pelo Interior, que resultaram em nada ou pior ainda em acelerações do seu despovoamento, que provocou mais desertificação por já não haver quem cuide dos seus campos, deixando-os ao alcance de um qualquer incêndio que, nalguns casos, alguém provocou inadvertidamente ao tratar da sua terra sem ter em atenção as suas fracas forças. Esquecendo-se deste seu protagonismo recente fala-nos agora de uma Assembleia da República, onde é líder da oposição, que não está aberta à mudança, que é investir no Interior para aí criar empregos, esquecendo-se que até tinha feito um acordo com o atual partido do Governo de que agora não fala (Voz de Trás-os-Montes, 23 de Julho de 2020, p. 11).

E nada disto se ajusta a qualquer regra de uma qualquer filosofia moral.

Perdeu-se assim a relação da teoria económica com a moral que tinha inspirado o pensamento de Adam Smith. E quanto ao real que vivemos nada parece ser ditado ou melhor regido por regras morais, nem a procura do interesse próprio, desde que feito sem regras morais, tornou-se perigosa nas mãos destes nossos governos que são demasiado obedientes a corruptores sistemáticos, já que precisam sempre de transgredir regras de honestidade para que as suas empresas sejam viáveis.

Fazem-no à custa da desertificação de partes importantes do nosso território com a consequente criação de bolsas de pobreza nos subúrbios de Lisboa, onde gente muito frágil, que vive em más condições de vida e de transporte, está agora exposta ao contágio pelo COVID 19, enquanto nas aldeias que abandonaram onde estariam a salvo, as casas se degradam e os campos nada produzem, sendo até são pastos de chamas que parecem estar sempre descontroladas.

Antes, argumentando com a defesa da sua sustentabilidade, a Segurança Social, reduziu reformas empobrecendo os que tinham trabalhado toda uma vida para as conseguirem, não lhes permitindo viver “frugalmente” o resto dos seus dias.

Vivemos por isso o drama de uma economia que deixou de ser regida por regras de moral tal como o pensou Adam Smith há cerca de 250 anos.

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