Fogos, assaltos à mão armada e outros crimes

Vivemos tempos traumatizantes onde sobe a taxa de mortalidade, dando origem a uma taxa de excesso de mortos que, mostrando a excelência da nossa governação, foi em Junho passado quatro vezes superior à que foi registada na União Europeia. Temos por isso razões para acreditar que já não há em Portugal uma vulgar “silly season”, mas uma verdadeiramente estação verdadeiramente estúpida, em que são atores determinantes membros desta maioria absoluta mais preocupada em continuar a salvar bancos, desprezando os interesses do Interior, que precisa de preservar florestas e pastagens para poder viver e, ainda, ter turismo, bem como queijo da serra e bom vinho.

Assim, perante a tragédia da fome e da miséria que atinge as povoações em que vivem as pessoas das aldeias da serra da Estrela, a ministra da agricultura que resta, lê-se na portaria assinada por Maria do Céu Antunes, decretou que o Governo considerou ser “prioritário” criar apoios para a compra de alimentação para os animais, sendo a dotação global de 500 mil euros (Diário “As Beiras” de 18 de Agosto de 2022, p. 15).

Deve estar a brincar com a miséria dos que vivem da pecuária e da agricultura.

Dando maior emoção a Portugal, algo que partilhamos com Espanha através das nossas ligações fronteiriças, existe agora uma dupla Nélida Guerreiro e Sidney Martins, crismados de “Bonnie & Clyde”, que andaram aos tiros de um e outro lado da fronteira, acabando por serem presos em Zamora, trazendo agora algum frisson em Bragança, que é vizinha, pois nesta cidade conseguiram enganar os jornalistas que pensaram que a morte conjunta de pai, mãe e filha em Donai era uma mera questão familiar.

Antes Nélida Guerreiro foi trabalhadora do sexo em Bragança, dentro da tradição local iniciada com as mulheres, que lá suavizaram a vida dos militares que lá prestavam serviço militar, sendo os seus tratamentos médicos pagos pelo Estado Central, enquanto os das profissionais de Pinhel eram pagos pela câmara local.

Curiosamente, há uns anos as brasileiras que aí prestavam serviço foram expulsas pelas mães de Bragança e tiveram de ir para Alcanices. Mas, o negócio continua. Assim, embora tenha morrido a famosa Rabala, que aí o organizava, foi logo substituída, comprovando que ninguém é insubstituível.

Com tanta desgraça deixou de ser notícia a falta de médicos no SNS, embora tenha saído há pouco um livro que fala da necessidade de reformar o sistema nacional de saúde, não com o objetivo de melhorar o acesso aos cuidados de saúde, mas o de criar um mercado para as empresas que ficcionam que funcionam melhor que o SNS.

Não admira por isso que neste momento se fale de partos felizes em ambulâncias.

Fica assim ilibado da sua negligência continuada o nosso estado central que parece ter recuperado alguma credibilidade, mas sempre com dificuldades em servir de mata-borrão de muita aselhice que é por vezes mal-intencionada. Servem para isso uns jornalistas travestidos de comentadores que vão, com dificuldades acrescidas, ilibando o governo das suas evidentes e trágicas negligências. Mas, nem todas as falhas podem ser escondidas.

De facto, há dias os trabalhadores da TAP estiveram unidos na defesa da sua e nossa empresa, que tão maltratada tem sido pela governação, que é umas vezes dirigida pelo PS e outras pelo PSD, que, estranhamente, não se entendem quanto ao lugar onde se deve colocar o novo aeroporto de Lisboa.

É o resultado da forma como o poder é obtido neste partido, cujos líderes se mantêm inimputáveis anos a fio, assim como os seus bem-amados banqueiros, resgatados sempre a tempo como vamos vendo quando olhamos as nossas contas vazias.

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