Fornos de Algodres garante ter contas em dia apesar de dívida acumulada

O presidente da Câmara Municipal de Fornos de Algodres disse hoje à agência Lusa que o município continua em ruptura financeira, mas que assume os compromissos financeiros e não tem dívidas em atraso. Segundo o Anuário dos Municípios Portugueses hoje divulgado, há 23 câmaras, sobretudo municípios de pequena e de média dimensão, que têm uma dívida total superior a 1,5 vezes a média da receita corrente líquida cobrada nos três exercícios anteriores, o limite estabelecido por lei para a dívida dos municípios.
Esta lista é encabeçada por Fornos de Algodres, Vila Real de Santo António e Cartaxo, três municípios que estão em ruptura financeira, por o valor da sua dívida ultrapassar em três vezes a média da receita corrente líquida cobrada nos três exercícios anteriores.
No caso de Fornos de Algodres, o município ocupa o primeiro lugar da lista com uma dívida total em 2018 no valor de 27,7 milhões de euros, o que, para o presidente do município, Manuel Fonseca (PS), «não é surpresa». «Tendo em conta os indicadores que são utilizados, naturalmente que a Câmara de Fornos [de Algodres] estará sempre nos primeiros lugares em termos de desequilíbrio financeiro», atendendo à dívida acumulada, disse o responsável, vaticinando que nos próximos anos «a conversa vai ser a mesma».
Desde que tomou posse do cargo de presidente da autarquia, em 2013, o município que dirige «não aumentou a dívida» que neste momento ronda os 27 milhões de euros. «Desde essa data que a Câmara [de Fornos de Algodres] não aumenta a dívida, porque não o pode fazer. Tem tido uma gestão rigorosa relativamente ao orçamento, de maneira que todos os encargos, todos os compromissos que a Câmara tem são satisfeitos, até com um prazo médio de pagamento muito reduzido», declarou.
Segundo Manuel Fonseca, apesar do desequilíbrio financeiro, o município não tem dívidas em atraso e está a preparar o orçamento para o próximo ano, procurando que seja «equilibrado» e que permita «honrar os compromissos».
O autarca acrescentou que a autarquia paga anualmente um empréstimo ao Fundo de Apoio Municipal (FAM) de 1,2 milhões de euros, «o que quer dizer que, num orçamento de seis milhões de euros, é um valor bastante elevado». «”A gestão que nós fazemos é equilibrada. Não poderemos fazer, como costuma dizer-se, muitas festas, mas fazemos aquilo que podemos», assegurou.
De acordo com o autarca socialista, o executivo que lidera não pode aumentar as receitas, dado que tem a taxa de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) no máximo, daí que vai procurar «sobreviver nesta situação» de desequilíbrio financeiro.
A dívida dos municípios desceu em 2018, mas 23 câmaras ainda apresentavam uma dívida total superior ao permitido, três das quais estão mesmo em ruptura financeira, segundo a análise do Anuário dos Municípios Portugueses, hoje apresentado em Lisboa.
O Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses é publicado desde 2003 com o apoio da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) e a colaboração do Tribunal de Contas, tendo esta edição sido coordenada pela investigadora Maria José Fernandes, do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

Comentar

. logged in para comentar.

Artigos relacionados

SiteLock

Voltar para o topo

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close