Fragilidades evidenciadas pela Pandemia

Há poucos dias fomos confrontados com um problema de falta de mão-de-obra, que mostrou como o despovoamento de largas faixas do nosso território arrastou outros, agravados pela pandemia, que colocou o nosso capitalismo entre resolver um problema de Saúde Pública ou manter tudo, tal como está quanto aos sacrossantos direitos de propriedade. Assistimos então à invasão de propriedade privadas às quatro da madrugada pela GNR, que escoltava trabalhadores necessários para os trabalhos agrícolas locais.

Mais uma vez vimos na berlinda o Ministro da Administração Interna, que enfrenta os problemas do despovoamento, sem nunca invocar o passado que obrigou muitos a deixar a sua terra, que é agora ocupada precariamente por outros que desconhecemos e de quem só damos conta se viajarmos bem cedo em comboios.

Seguiu-se a propósito de Odemira a uma intensa discussão e muito trabalho para diversas organizações do Estado. Só assim descobrimos que o País convive com uma enorme massa humana de que desconhecemos a identidade. Inquirimos porquê? Mas, ficámos na mesma quanto às causas que obrigam muitos a emigrar, e obrigam os que por cá ficam a fazer das tripas coração para sobreviverem a uma governação, que pouca humanidade mostra quando resolve os problemas da Grei.

Trata-se de uma situação recorrente que antes do 25 de Abril era resolvida com censura e PIDE, que acompanhava quem emigrava, para que não fossem lá fora um problema para os Senhores de cá, para quem no 25 de Abril tudo se lhes complicou por um tempo escasso.

Passadas que foram a época das nacionalizações, logo se fizeram as privatizações necessárias para reconstituir os grupos, que governavam antes Portugal com o apoio dos Governos, que lhe eram submissos e que são os que sempre tivemos e temos.

Não admira por isso que tenham acontecido os buracos do BES, do BPN, do BANIF e outros que esqueço, sendo passada a fatura para pagamento ao povo que moureja todos os dias para no fim comer o pão amargo e duro de cada dia.

Para que tudo pareça normal, há a televisão, a rádio e o futebol que os vai entretendo e dando umas alegrias bem perigosas como o avisa a DGS. Mas, é tudo triste e amargurado quando assistimos à lentidão com que se resolvem os problemas e nos dão umas melhorias escassíssimas nas ferrovias e nos anunciam outras bem atrasadas para daqui a uns tempos. Ninguém já fala das linhas encerradas. Só dizem que temos agora menos ferrovia que no século XIX e, ainda, que as estradas largas do nosso litoral estão engarrafadas e que é preciso alargá-las para que a vida por lá seja menos difícil.

Ninguém questiona as razões que faziam das nossas aldeias uns enormes reservatórios de gente pobre, analfabeta, mal alimentada e sempre disposta ou melhor obrigada a emigrar. E foram a salto como saberíamos se alguém quisesse contar como tudo aconteceu e acontece ainda agora como sempre. E tudo é entendido como natural e sem remédio possível. De facto, a gente da política do centrão só entende como problema a resolver o que se refere à sua permanência nas cadeiras do Poder.

Tiveram até há pouco o problema complicado de Odemira que punha em causa localmente o Turismo, uma Agricultura rentável e a Saúde Pública, mas agora tudo se calou. Só sabemos quantos morrem e quantos são infetados.

Ajuda-os o facto de o Sporting ter ganho o campeonato e ter posto a nu a falta de planeamento de uns festejos longamente ansiados. E mais uma vez se questiona a existência de um Ministro da Administração Interna, que é o bode expiatório de uma sequencialidade política onde os que trabalham são sempre maltratados.

E para nos acalmar as agências de viagens prometem-nos lugares onde seremos felizes. Mas, questionamo-nos se há por lá gente infetada, tal como o ordenam os fabricantes de vacinas na sua procura permanente de muito lucro.

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