Gestão de equipamentos culturais da Guarda em estudo

Dentro de dias, as entidades culturais do concelho que reuniram recentemente com a Câmara da Guarda a propósito do seu envolvimento e cooperação na gestão e exploração de equipamentos culturais municipais irão receber «um ante-projecto de uma eventual criação de uma régie-cooperativa». «Não se trata da nossa parte, Câmara Municipal, nem de um desejo e muito menos de qualquer decisão mas sim de uma predisposição para esse debate», afirma o presidente, Álvaro Amaro, esclarecendo que a referida reunião «serviu apenas e só para comunicar às entidades que convidámos que nós iríamos enviar-lhe um estudo prévio» sobre a eventual criação de uma cooperativa de interesse público.
«A lei do Orçamento de Estado para 2016 abriu uma possibilidade para essa ou outra qualquer figura no âmbito das actividades culturais. Foi essa a excepção que a lei abriu», argumenta, considerando que «significa mais do que isso, é uma janela de oportunidade que nós queremos debater com os agentes culturais no sentido desta eventual, sublinho eventual, criação que só faremos se a sociedade entender que é útil aumentar o seu grau de participação na gestão cultural dos equipamentos culturais do município». «É uma abertura da nossa parte a essa possibilidade, não é mais do que isso», reforça o autarca.
«É claro que se amanhã os agentes culturais disserem para deixar estar assim que está muito bem, nós deixamos estar assim que está muito bem. Se os agentes culturais entenderem que estão também disponíveis, nas condições que queremos e deveremos ainda analisar com base no tal estudo prévio, por nós muito bem», diz Álvaro Amaro.
Ressalva no entanto que «mesmo que estejam disponíveis, mesmo que cheguemos a um ponto de partida em que todos possamos achar que é um bom caminho, é preciso termos consciência, aliás eu fui muito claro nessa questão, que mesmo que cheguemos aí, que aprovemos isso, mandamos para o Tribunal de Contas, e atenção que não foi ainda nenhuma [régie-cooperativa] aprovada, por isso não significa que o assunto resolvido, não, depois teremos que aguardar o visto».
Caso seja concedido o visto do Tribunal de Contas, Álvaro Amaro sublinha que «não há nem vencidos nem vencedores». «Há um caminho que eu estou disponível, enquanto presidente da Câmara, a trilhar, a fazer esse caminho, primeiro pressuposto com os agentes culturais, se eles não quiseram por nós está muito bem como está, nós não estamos aqui a ensaiar este tipo de cenário porque não estamos contentes com o que está, bem pelo contrário, nós estamos muito satisfeitos, mas achamos que, a ser possível, podemos melhorar com a envolvência de todos», justifica.
«Nós nem obrigamos nem pedimos», reitera, explicando que «eu ponho à disposição. Se a sociedade entender muito bem, se não entender, nós estamos bem como estamos, a avaliar pelos resultados que temos manifestado da utilização [dos equipamentos culturais municipais] e de quantos frequentam e de quantos assistem, de modo que nós estamos satisfeitos». «Mas poderemos concerteza, todos, a Guarda, ganhar mais se todos nos envolvermos mais. É este o pressuposto, não mais do que isso», reforça.
Questionado se a criação de uma régie-cooperativa é a solução que prefere para o futuro da gestão do Teatro Municipal da Guarda, Álvaro Amaro responde que «entre uma empresa municipal e uma régie-cooperativa eu prefiro a régie-cooperativa». «Prefiro, mas estou bem como estou. Segundo lugar, se os agentes culturais não quiserem, amigos como dantes. Terceiro lugar, mesmo que todos queiramos, ainda é preciso depois o Tribunal de Contas» resume.
O ante-projecto será enviado às entidades culturais do concelho «certamente esta semana até ou na outra, tal como eu me comprometi, e depois teremos tempo para analisar e voltar a falar sobre o assunto». «Temos que fazer as coisas com absoluta tranquilidade», defende o presidente, relembrando tratar-se de «uma ideia para debate». «É um caminho que eu acho adequado, não é uma decisão da Câmara, eu nunca discuti sequer isso na Câmara, nem uma decisão do presidente da Câmara, é uma ideia para debate na certeza que nós achamos que estamos no bom caminho mas podemos ainda aumentar a qualidade do caminho», destaca.
«É uma coisa que tem que ser debatida, ponderada, mas alguém tem que dar o pontapé de saída, foi o que eu fiz», conclui Álvaro Amaro.
GM

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