Governo autoriza a criação da unidade de Radioterapia em Viseu para servir também Guarda e Castelo Branco

Está formalmente deci-dido que a Unidade de Radioterapia para servir os doentes dos distritos da Guarda, Viseu e Castelo Branco vai ser criada no hospital de São Teotónio, em Viseu. O governo deu aval à criação daquela valência, que mobilizou os cidadãos de Viseu e o município do Fundão. A ULS da Guarda nunca se posicionou na “luta” por esta valência.

O Centro Hospitalar Tondela Viseu (CHTV) anunciou na semana passada que o governo já autorizou a a criação da Unidade de Radioterapia no Hospital de São Teotónio. Em comunicado, aquela unidade de saúde revelou que o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, já assinou o despacho. O projecto, que tem um valor estimado de cerca de seis milhões de euros, «atribuirá ao CHTV uma centralidade na terapêutica do doente oncológico no domínio da radioterapia», sublinha.Segundo o CHTV, haverá «uma diferenciação técnica que permitirá prestar aos seus utentes uma nova possibilidade para o tratamento da sua doença com conforto, segurança e qualidade».
A meados de Julho, o secretário de Estado da Saúde tinha anunciado que o concurso público para as obras de instalação da radioterapia no CHTV iria ser lançado «ainda este ano» e que a valência entraria em funcionamento «no início de 2019». «Vamos fazer o programa funcional, ou seja, onde vai ficar instalado, que áreas vão ficar já ocupadas e a área que ficará definida para ter um segundo acelerador linear e, em função disso, feito esse programa, vai-se fazer um caderno de encargos e abrir concurso público ainda este ano», afirmou na altura.
Recorde-se que esta nova valência do hospital de Viseu é criada para servir os utentes dos distritos da Guarda, Viseu e Castelo Branco. O ministro da Saúde, Adalberto Campos, já tinha anunciado que o governo tinha decidido criar aquele serviço em Viseu, depois de no início do ano passado ter revelado que estava a estudar a localização daquela valência. Após esta revelação, um grupo de cidadãos de Viseu mobilizou-se logo para exigir que a cidade fosse a escolhida. Foi elaborada uma petição pública solicitando que ao Ministério da Saúde «a instalação urgente da unidade de Radioterapia no Centro Hospital Tondela Viseu, serviço necessário e imprescindível para dar resposta às necessidades dos doentes, com a qualidade necessária e conforme se exige a uma Unidade com a classificação e a diferenciação técnica do Centro Hospitalar Tondela Viseu».
O município do Fundão, que reclama há anos a instalação de um serviço de Medicina Nuclear, também veio reiterar essa pretensão aproveitando que a Radioterapia poderia ficar englobada naquela nova valência. A Guarda nunca assumiu uma posição reivindicativa para acolher esta valência. O anterior Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Guarda defendeu em Março do ano passado que a instalação do serviço de Radioterapia para servir os distritos de Castelo Branco, Viseu e Guarda era «uma decisão política».
O governo justificou a necessidade de criar uma unidade de Radioterapia na região pelo facto da situação actual não estar a oferecer as melhores condições de tratamento aos doentes. «As recomendações internacionais que dizem que o ideal é que um doente em tratamento de radioterapia não deve estar a mais de 45 minutos de um centro onde vai receber o seu tratamento», sendo que 60 minutos é um período de tempo «considerado aceitável», afirmou o secretário de Estado da Saúde. «Os utentes desta região não estão, na grande maioria, dentro desta janela temporal», admitiu, referindo que ao instalar um novo serviço de radioterapia o Governo pretende que «80 a 90 por cento dos cidadãos necessitados desta terapêutica» fiquem a menos de 60 minutos do local do tratamento. Actualmente, os doentes dos hospitais da Beira Interior bem como de Viseu são referenciados Coimbra para realizar radioterapia.
Quando anunciou a decisão de criar um serviço na região, Manuel Delgado explicou que, no local onde o serviço fosse instalado, teriade haver «uma equipa de recursos humanos muito diferenciada», sendo preciso «dar-lhe formação». Por outro lado, «é preciso que os equipamentos tenham rentabilidade», ou seja, terem «um volume de doentes que justifique este tipo de investimento» e que é de cerca de 500/550 doentes por ano em tratamento. «Temos a ideia de que existe essa necessidade na Beira Interior, mas não pode ser só para uma localidade em função da sua área direta de atração, tem que ser para uma região», sublinhou.

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