Governo quer produtos biológicos nas ementas dos refeitórios das escolas

Integrar a distribuição de produtos biológicos no novo regime de frutas e incluir estes alimentos nas ementas dos refeitórios públicos é uma das medidas que o Governo pretende implementar. Nas ementas das crianças dos jardins-de-infância e 1º Ciclo do Ensino Básico da Guarda esses produtos são já de produção integrada, sistema baseado em boas práticas agrícolas, mas a partir do próximo ano lectivo poderá haver alterações.

Gabriela Marujo
gabmarujo.terrasdabeira@gmpress.pt

O Governo quer integrar a distribuição de produtos biológicos no novo regime de frutas e incluir estes alimentos nas ementas dos refeitórios públicos. A medida, que faz parte da Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica, apresentada recentemente, não é novidade para as perto de 500 crianças dos jardins-de-infância e 1º Ciclo do Ensino Básico que diariamente, de Segunda a Sexta, almoçam nas duas unidades de alimentação colectiva com gestão da Câmara da Guarda: a cantina da autarquia e o Centro Escolar da Sequeira.
«Nós já a aplicamos no nosso projecto do regime de frutas escolar. Não estamos a aplicar a agricultura biológica mas sim a produção integrada [sistema agrícola de produção de produtos agrícolas e géneros alimentícios de qualidade, baseado em boas práticas agrícolas]. Mais de 50 por cento do fornecimento é de acordo com a produção integrada», afirma a nutricionista da autarquia, Dânia Dinis.
Mas poderá haver alterações já no próximo ano lectivo. Pelo menos uma é certa, e não tem que ver com a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica. «Tem a ver com a existência de um prato vegetariano. E isso vai existir», assegura. «Na parte da vegetariana há um prazo, mas em Setembro, com o início do ano lectivo, queria mesmo arrancar com a mudança, porque é mais fácil de introduzir. A produção em modo biológico, vamos tentar», diz a nutricionista.
«Em termos biológicos, nós já andamos a trabalhar nisso. Na fruta escolar já procuramos a distribuição em modo biológico ou de produção integrada, que também garante todas as condições de qualidade da agricultura. Em termos de legumes para as nossas ementas escolares vai ser um novo desafio. Vamos ter algumas barreiras, algumas dificuldades para encontrar quantidade suficiente, fornecedores que nos consigam distribuir as quantidades que nós necessitamos, mas é um desafio que a autarquia pretende também procurar», admite Dânia Dinis.
Uma dificuldade que também não é novidade para a Câmara da Guarda. «Na altura do regime de frutas escolar nós reunimos com a AAPIM [Associação Agricultores de Produção Integrada dos Frutos de Montanha, na Guarda], e eles deram-nos uma listagem de produtores que nos poderiam fornecer agricultura biológica ou de produção integrada e só conseguimos com a Cooperativa Agrícola de Mangualde», revela, justificando que «é preciso satisfazer as necessidades do elevado número que nós temos diariamente e não temos produtores [no distrito] que consigam satisfazer este número elevado».
«Eles trabalham com os produtores. Nós não podemos ter aqui, por exemplo, dez produtores diferentes a fornecer-nos, porque depois eles também não fazem a distribuição. Eles fazem a distribuição normalmente é às cooperativas, e as cooperativas fornecem-nos os produtos», sublinha Dânia Dinis.

Segurança e qualidade alimentar
são prioridade
As ementas escolares já obedecem a uma série de regras, impostas pela Circular nº3 da Direcção-Geral da Educação, que a nutricionista garante serem cumpridas.
«As nossas ementas semanais são criadas por cinco pratos. Habitualmente temos dois pratos de carne, dois pratos de peixe e um prato de ovo em substituição da carne e do peixe. Ou seja, temos sempre uma fonte proteica de origem animal, carne, pescado ou ovo», concretiza Dânia Dinis. No acompanhamento «existe sempre uma fonte de hidratos de carbono: arroz, massa ou batata».
«Sempre presentes» estão também as leguminosas, «tanto que as nossas sopas são sempre de legumes, nós damos canja por exemplo uma vez a cada dois meses, porque entendemos que a canja é uma repetição do prato e comemos duas vezes a mesma coisa, mas no mínimo duas vezes por semana temos sopa com base de leguminosas, e os pratos também, há um prato na semana que também tem leguminosas secas». «Salada crua ou legumes cozidos» fazem igualmente parte do acompanhamento.
Quanto aos fritos, «muito raramente, se calhar uma vez a cada dois meses também».
Da ementa consta apenas um prato já que «nestas idades nem pode haver muita escolha senão eles nunca iriam escolher o peixe, por exemplo». «O nosso objectivo aqui é educar e reeducar os hábitos alimentares», afirma a nutricionista, destacando o cuidado das ementas na questão do sal, «em quantidades mínimas», e do açúcar – apenas «uma vez por mês» é dada uma sobremesa doce.
Por outro lado, «temos em conta todas as condições de higiene e segurança alimentar. Nós temos um sistema de HACCP, análise e controlo dos pontos críticos, e controlamos todas as fases de produção, desde a escolha dos fornecedores à recepção das matérias-primas e distribuição das refeições nos próprios locais».

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