Greve de professores agendada para dia 27 no distrito da Guarda

Uma greve de professores que se vai prolongar durante 18 dias arrancou Segunda-feira e realiza-se por distritos, tendo começado em Lisboa. No distrito da Guarda, a paralisação está agendada para dia 27. A greve foi convocada por uma plataforma de oito organizações sindicais: Fenprof, a ASPL, a Pró-Ordem, o SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU.

Depois do primeiro dia em Lisboa, a paralisação prosseguiu em Aveiro e Beja. Hoje está prevista decorrer em Braga, seguindo-se Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, terminando no Porto no dia 8 de Fevereiro. À semelhança do que aconteceu em Lisboa, estão previstas concentrações nas capitais de distrito para o dia em que estiverem em greve.

Os professores contestam algumas das propostas apresentadas pelo Ministério da Educação no âmbito da negociação da revisão do regime de mobilidade e recrutamento de pessoal docente, mas reivindicam também soluções para problemas mais antigos, relacionados com a carreira docente, condições de trabalho e salariais.

Os oito sindicatos, que inicialmente tinham considerado que não era o «momento adequado» para uma greve, uma vez que decorria o processo negocial com o Ministério da Educação sobre o regime de concursos, decidiram convocar a paralisação depois de terem dado à tutela um prazo para recuar em algumas das propostas apresentadas nas negociações anteriores e abrir novos processos negociais sobre outras matérias.

O prazo terminou no dia 10 de Janeiro, sendo que, na véspera, o Ministério da Educação tinha convocado a terceira ronda negocial para os dias 18 e 20, em que se discutiriam também uma proposta de calendário negocial sobre outros temas.

No entanto, o secretário-geral da Fenprof explicou que as acções de luta agendas iriam manter-se como previstas, porque «a convocação de uma reunião, por si só, não altera nada». Na Sexta-feira, no final do acampamento que ocupou, durante quatro dias, a frente do Ministério da Educação, Mário Nogueira disse ainda que a partir desta Sexta-feirao está tudo em aberto. «Diria que é um dia chave», afirmou, acrescentando que o Ministério tem de ir ao encontro das reivindicações dos docentes porque «reuniões sem soluções não dão resposta aos problemas». «Queremos que a reunião de dia 20 seja marcante e se não houver as respostas que queremos, prosseguimos até ao dia 11 de Fevereiro», acrescentou, recordando que nesse dia se realiza uma manifestação em Lisboa.

Nessa altura, os professores avaliam novas acções de protesto que juntem, preferencialmente, as várias organizações sindicais.

A greve por distritos realiza-se ao mesmo tempo em que decorrem outras duas paralisações: uma greve por tempo indeterminado, convocada pelo STOP, que se iniciou em 9 de Dezembro e vai manter-se, pelo menos, até ao final do mês, e uma greve parcial ao primeiro tempo de aulas convocada pelo SIPE, deverá prolongar-se até Fevereiro.

Na Guarda, a greve que decorreu na passada Quinta-feira afectou as escolas dos dois agrupamentos escolares. Lurdes Almeida, professora de Matemática na Escola Secundária Afonso de Albuquerque, «um dos motivos é o facto de progressão na cerra não estar a ser feita como deve ser». «Foram criadas barreiras para os professores não atingirem o topo da carreira», afirmou, contando que foi uma das professoras que «recuou do sétimo escalão para terceiro». «Ainda me devem seis anos e vários meses de carreira. Vou fazer 34 anos de serviço e estou a meio da carreira», acrescentou.

«Cada vez temos mais horas, mais trabalho burocrático e menos salário», lamenta, o que leva a que sinta desmotivação. Garante, contudo, que não é por ter desmotivação que afecta os alunos, até porque «não são eles que têm culpa do que se está a passar». «Quem tem culpas é apenas o Governo, que está a ter políticas que não deve ter e, portanto, terá que rever a sua posição», defende.

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