Grupo de cidadãos interpõe providência cautelar para travar abate de árvores no Parque Municipal da Guarda

Um grupo de cidadãos anunciou no início desta semana que interpôs uma providência cautelar para travar o anunciado abate de árvores no Parque Municipal da Guarda, previsto no âmbito das obras de requalificação daquele espaço.
O procedimento foi entregue no Tribunal Administrativo de Castelo Branco no início do mês e foi «liminarmente aceite no dia 16 de Setembro», refere o grupo em comunicado divulgado esta Segunda-feira. «Sem qualquer sinal de intenção de alteração do projecto de abate e com contrato de adjudicação já assinado, esta era a única solução viável para parar o processo e estender o prazo para uma discussão que nunca foi efectuada, sob pena de ficarmos privados de um valioso património por uma opção estética questionável por parte de um grupo de arquitectos que, com certeza, não fruem nem conhecem a fundo o nosso parque municipal e a nossa cidade», sustentam os subscritores.
No mesmo documento referem que o Parque Municipal da Guarda «deve ser requalificado e ser provido dos equipamentos, manutenção e vigilância adequados». «Sabemos que umas poucas árvores devem ser abatidas por motivos de segurança e sanidade, mas em número ínfimo relativamente ao proposto», defendem. Está previsto abater «entre 20 e 30» árvores, segundo um «desenho do projecto» a que o grupo de cidadãos teve acesso. «Plantar ou abater uma árvore em espaço urbano deve merecer, pois, extrema cautela e reflexão por parte dos municípios, não sendo de descurar ouvir a opinião da população que é, efectivamente, a real proprietária e beneficiária de tal património, bem como de instituições com caráter científico que poderão contribuir para a melhor tomada de decisão, se para tal forem chamadas a pronunciar-se», sustentam no documento.
O mesmo grupo de cidadãos da Guarda aponta que as árvores do Parque Municipal são «ainda a memória viva do passado da centenária Mata Municipal que foi sendo destruída ao longo de décadas, pela natureza e pelo homem». «O ar saudável da Guarda deve-se em muito às espécies de árvores há muito escolhidas para o parque, uma escolha que tem permitido o relativo baixo nível de pólenes no ar e a boa oxigenação desejada», lê-se na nota. No documento é ainda manifestada «profunda preocupação e discordância pela forma como o processo de abates tem vindo a decorrer, bem como pela progressiva destruição de um património natural construído ao longo de muitas dezenas de anos que, a menos que seja revista a prática ora adotada, conduzirá a ter de se esperar mais algumas décadas até que a floresta urbana de novo se desenvolva». O grupo, que também tem a circular uma petição pública na internet, que já reuniu mais de mil assinaturas, refere ainda que «outras iniciativas de mobilização popular que visem informar a população para esta causa serão desenvolvidas e comunicadas em tempo oportuno».
Recorde-se que recentemente, os vereadores da oposição questionaram o executivo sobre quantas árvores é que está previsto serem abatidas e quais são os fundamentos apresentados pelos projectistas para tal medida. Joaquim Carreira, que abordou o assunto ao início da reunião do executivo em finais de Agosto, considerou que este processo «seria simples se fosse explicado às pessoas quantas árvores é que vão ser abatidas e porque razão vão ser abatidas». O presidente da Câmara argumentou que o projecto foi apresentado numa sessão pública para a qual foi convidada a população. «Só não posso fazer um referendo», disse Álvaro Amaro.
O autarca disse ter «respeito pelas 600 pessoas que subscreveram a petição» [as que na altura já tinham assinado a petição], mas argumentou que não abdica do poder que o povo lhe conferiu para fazer obras. «Discutimos com o povo e agora só porque há 600 pessoas que não gostam…Não podemos agradar a todos», disse. O autarca lembrou que se trata de uma primeira intervenção que permitirá devolver o espaço à cidade e torná-lo mais fluído.
As obras de requalificação do Parque Municipal foram adjudicadas à empresa Tomé Saraiva por 254 mil euros mais IVA. Joaquim Carreira considerou que os protestos são uma reacção justificada porque «os guardenses não gostam» daquilo que se pretende fazer. «As pessoas têm sentido de posse e não é por terem mandato que têm autoridade moral», sublinhou. Na altura, o socialista criticou ainda o momento escolhido pelo executivo para apresentar os projectos da requalificação do eixo central da cidade, uma sessão pública realizada «num dia de semana» tendo por isso «passado ao lado de 70 por cento da população» que não ficou a par dos planos da autarquia.
No dia em que foi apresentado o projecto, numa sessão que teve lugar a meio da tarde num dia de semana, foi referido que iam ser abatidas «uma dúzia de árvores» junto do Lago para criar naquela zona uma clareira. Serão derrubadas as barreiras no perímetro e eliminadas as duas portas de entrada. O espaço terá vigilância 24 horas por dia.

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