Grupo de trabalho propõe ao Governo aposta na prospeção e indústria de lítio

O grupo de trabalho do lítio, constituído em Dezembro para avaliar a possibilidade de produção em Portugal, propõe ao Governo um programa de fomento mineiro que teste tecnologia e demonstre o potencial industrial deste metal, financiado por programas financeiros. Portugal tem uma das maiores reservas de lítio, um elemento essencial na produção das baterias dos carros eléctricos. A produção de lítio em Portugal está concentrada nas regiões de Guarda, Viseu, Vila Real e Viana do Castelo. Uma das explorações está localizada no concelho da Guarda, na freguesia de Gonçalo.
De acordo com o relatório, a que a Lusa teve acesso, o grupo de trabalho defende – além da avaliação dos recursos minerais litiníferos do país – a implementação de uma unidade experimental minero-metalúrgica com o objetivo de desenvolver conhecimento e testar tecnologias para toda a cadeia de valorização destes recursos, que deverão ter um aumento «exponencial» com o crescimento da mobilidade elétrica. Mais, o grupo defende a constituição de uma unidade piloto de demonstração industrial, isto é, para perceber a viabilidade económica da cadeia de valor e não se limitar à prospeção e exploração de lítio, mas à sua utilização, o que, se os resultados económicos forem promissores, «evoluirá para uma fase de investimento industrial». Dada «a falta de programas financeiros específicos», é proposto ao Governo o acolhimento de candidaturas de criação das duas unidades a co-financiamentos disponíveis – COMPETE (ou outro no âmbito do Programa 2020) ou outros programas. Segundo o documento, a unidade experimental deve ser suportada por uma «sociedade do conhecimento», que inclua o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), universidades e empresas, através do Cluster Portugal Mineral Resources. Já «a unidade piloto de demonstração seria claramente um clube de produtores, de natureza predominantemente empresarial» para «levar tão longe quanto possível a cadeia de valor da atividade extrativa dos minérios de lítio».
No documento com data de 27 de Março, a que a Lusa teve acesso, o grupo de trabalho destaca que, nos últimos dois anos, os preços do lítio no mercado internacional têm subido, existindo previsões de «a breve prazo, se verificar um exponencial aumento de automóveis elétricos, o que faz prever uma elevada procura de lítio a nível mundial».
Assim, acrescenta, «é expectável que a prospeção e pesquisa deste recurso mineral, bem como a sua exploração e valorização venham a merecer um acentuado incremento, nomeadamente em países com recursos minerais de lítio geologicamente reconhecidos, como é o caso de Portugal».
Em 2016, deram entrada na Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) 30 pedidos de direitos de prospeção e pesquisa de lítio, como substância mineral principal, correspondendo a um investimento proposto global de cerca de 3,8 milhões de euros, precisa para atestar o crescente interesse de empresas estrangeiras por este metal.
Em Dezembro, o Governo aprovou um despacho para a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de «identificar e caracterizar as ocorrências do depósito mineral de lítio em Portugal» e as actividades económicas associadas, bem como «avaliar a possibilidade de produção de lítio metal».
Este organismo é coordenado pela subdiretora geral da Direção-Geral de Energia e Geologia, Cristina Lourenço, e vai contar com representantes do LNEG, da EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, da Associação Nacional da Indústria Extrativa e Transformadora (ANIET) e da Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores e Granitos (Assimagra).
Atualmente, os minerais de lítio extraídos em Portugal destinam-se em exclusivo à indústria cerâmica, limitando-se a sua utilização como fundente, pretendendo-se a valorização deste recurso mineral.

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