Guarda recebeu cimeira ibérica em 1976

A Guarda recebe no próximo Sábado a XXXI Cimeira Luso-Espanhola. Idêntico encontro ocorreu na cidade há 44 anos. Foi a 12 de Fevereiro de 1976 que se encontraram na Guarda os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, Melo Antunes e José Maria Areílza, que visava restabelecer as relações diplomáticas entre Portugal e Espanha que tiham ficado abaladas após a destruição da embaixada espanhola em Lisboa no ano “revolucionário” de 1975.

No dia da cimeira ibérica de 1976 estava «uma manhã de sol claro e vento muito frio», contou na primeira página o jornal “A Guarda” (edição de 20 de Fevereiro de 1976), acrescentando que «o ministro espanhol foi aguardado em Vilar Formoso pelo ministro português. Eram 9,30 horas. Os dois diplomatas viajaram até à Guarda num helicóptero português que sobrevoou a cidade para logo em seguida aterrar na parada do R.I. 12». O jornal refere também que «os jornalistas não foram autorizados a entrar no quartel, aguardando à porta de armas onde estava montado um dispositivo de segurança, a saída das comitivas». «A Guarda escolhida para palco deste encontro, após os acontecimentos que toldaram as relações luso-espanholas, situa-se assim no ponto de partida de uma nova era de convivência peninsular. Já se fala, e com toda a razão, no “espírito da Guarda”. Afinal é desde há muito o “espírito” que domina as relações entre guardenses e espanhóis; espírito de concórdia e entendimento, de amizade, de compreensão mútua», acrescentava aquele semanário católico e regionalista.

O jornal divulga ainda o comunicado conjunto que saiu do encontro, no qual é referido que «os dois ministros assinaram um acordo sobre a delimitação da plataforma continental, um acordo sobre a delimitação do mar territorial e da zona contínua, e, ainda, um Protocolo adicionado ao acordo sobre o aproveitamento do troço internacional do Rio Minho».

«No decurso das conversações caracterizadas pelo espírito de amizade e boa vizinhança que os dois governos desejam dar às suas relações, foi passado em revista o estado das relações culturais entre os dois países» e «no domínio das questões fronteiriças, examinou-se, de modo especial o projecto de construção de uma ponte internacional sobre o Rio Guadiana entre Vila Real de Santo António e Ayamonte».

« Exprimiu-se o desejo mútuo de uma maior colaboração técnica e administrativa em matéria aduaneira, com o objectivo de facilitar o tráfego internacional entre os dois países», refere o comunicado, acrescentando que, «tendo em vista a criação de um clima propício ao desenvolvimento das relações entre empresas de ambos os países, as duas delegações examinaram, à luz dos interesses recíprocos, dificuldades concretas existentes naquele contexto, com especial referência nos problemas relativos a empresas e particulares espanhóis em Portugal, afectados por diversas situações de índole económica».

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