Há doentes que estão «a chegar tarde demais às urgências» do hospital da Guarda

O número de doentes que tem procurado os serviços de Urgência da Unidade Local de Saúde da Guarda tem diminuído nas últimas semanas. Mas «pior do que isso», alerta a directora do Serviço de Urgências do Hospital da Guarda, Adelaide Campos, é o facto de alguns doentes estarem a chegar tarde demais.
Com o receio de ir ao hospital em contexto de pandemia de Covid-19, há doentes graves e muito graves que ficam 1, 2 ou 3 dias em casa e acabam por ter assistência já «as coisas estão nas últimas». Há quedas, há acidentes vasculares cerebrais, os problemas cardíacos e complicações das doenças crónicas. Se fosse há dois meses atrás, Adelaide Campos acredita que as pessoas «batiam com a cabeça e iam a correr», agora ficam em casa e atrasam-se na procura de cuidados médicos. Passou-se de um extremo para outro. «Antes usava-se as urgências até de forma abusiva, agora não vêm mesmo nas situações graves».
Adelaide Campos reconhece que «é humano» ter receio de vir ao Hospital, mas as pessoas não têm a noção dos riscos que correm ao ficar em casa». A situação «é crítica», sublinha. A directora das Urgências do Hospital da Guarda defende que depois de ultrapassada a actual situação de pandemia, terá de haver novos investimentos em rastreios e na prevenção da saúde para detectar problemas que agora vão ficar desvalorizados e outros que se vão revelar posteriormente. «Preparou-se a guerra mas descurou-se a saúde e o futuro vai trazer novos desafios e novos problemas», decorrentes desta pandemia. (Notícia desenvolvida na edição desta semana do Jornal Terras da Beira)
EG

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