Habitantes da Malcata (Sabugal) estão a abster-se de votar por estarem descontentes com o funcionamento da barragem

Os habitantes da freguesia de Malcata, no concelho do Sabugal, no distrito da Guarda, estão a abster-se de votar nas eleições de hoje, por estarem descontentes com o funcionamento da barragem local, segundo fonte autárquica.
O presidente da Junta de Freguesia de Malcata, João Vítor, disse à agência Lusa que a mesa de voto «abriu normalmente às 08:00», mas como a população «decidiu não votar», pelas 09:30, apenas tinham votado dois eleitores.
«Há uma abstenção global, mas não é unânime. Duas pessoas votaram depois das 09:00. As pessoas devem fazer o que entenderem, mas o problema [do descontentamento devido à barragem] é transversal [a todos os habitantes]», declarou o autarca da freguesia, que tem 405 eleitores inscritos. Apesar dos dois votos já registados, João Vítor disse à Lusa que o ambiente na freguesia é «normal».
O protesto da população tem a ver com a reivindicação de medidas relacionadas com a barragem local.
João Vítor adiantou que foram colocados cartazes na aldeia «com as reivindicações» da população e tudo indicava que ninguém votasse no ato eleitoral de hoje, o que «não foi conseguido».
No dia 25 de Setembro, habitantes e autarcas do Sabugal decidiram enviar uma exposição ao próximo Governo, a pedir a «regulação independente» de transvases de água e a «redefinição de níveis mínimos» na albufeira da barragem local.
Na exposição, que foi aprovada numa “audição pública”, promovida pela Associação Malcata com Futuro (AMCF), União de Freguesias de Sabugal e Aldeia de Santo António e Juntas de Freguesia de Malcata, Quadrazais, Foios e Vale de Espinho, lê-se que as freguesias «mais directamente afectadas pela sangria do rio Côa, têm toda a legitimidade para exigir» a «regulação independente sobre transvases e sobre a utilização da água» no regadio da Cova da Beira, que é assegurado pela barragem que foi inaugurada no ano 2000.
É também exigida a «redefinição de níveis mínimos» que garantam a concretização do Plano de Ordenamento da Albufeira e a elaboração de um Plano de Recuperação, de Valorização e de Gestão Optimizada dos Recursos Hídricos.
Os subscritores pedem, ainda, que seja efectuado um Estudo de Impacto Ambiental «que esteja disponível antes da emergência de outros projectos de irrigação na Cova da Beira e na Gardunha».
A construção de açudes, a limpeza de linhas de água e a recuperação de represas fazem também parte das reivindicações a apresentar ao Governo. «Basta de sangria e de utilização ineficiente de recursos escassos na origem. Justifica-se o reenquadramento da albufeira do Sabugal no Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira», é igualmente defendido.

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