Hospitais da região têm mais vagas para internos do Ano Comum em 2017

Os três hospitais da região têm em conjunto 115 vagas para receber recém-licenciados em Medicina e que vão entrar no Ano Comum no início do próximo ano. A Unidade Local de Saúde da Guarda é a que tem mais lugares (41). A ULS de Castelo Branco tem 38 e no Cenro Hospitalar da Cova da Beira há 36 vagas. Há 2414 vagas em todo o país, o maior número de sempre. A Ordem dos Médicos alerta para as consequências do excesso de vagas.

Nunca a Unidade Local de Saúde da Guarda teve um número tão elevado de vagas para receber recém-licenciados em Medicina que vão entrar no Ano Comum no início de 2017. São 41 lugares disponíveis para os novos médicos que terão um ano de formação para seguirem depois para a formação na especialidade que demora entre quatro a seis anos a concluir. Nos outros dois hospitais da região há mais 74 vagas, 36 no Centro Hospitalar da Cova da Beira e 38 na ULS de Castelo Branco. O prazo para a candidatura está a decorrer até 21 deste mês. Na região Centro há 426 vagas, num total de 2414 em todo o país.
Para o presidente do Conselho de Administração da ULS da Guarda, Carlos Rodrigues, a abertura de mais vagas para os internos é positiva desde que haja uma limitação de lugares noutras zonas do país. O dirigente lembra a dificuldade em conseguir atrair jovens médicos «senão tiverem ligações à cidade». Carlos Rodrigues explica que uma das vantagens para os recém-licenciados escolherem o hospital da Guarda é que «eles podem desenvolver aqui a sua carreira mais facilmente» uma vez que em hospitais de maior dimensão serão «apenas mais um entre muitos». O presidente da ULS dá o exemplo de uma médica interna que desempenha três cargos, uma oportunidade dificilmente teria noutras unidades de saúde.
Este ano, a ULS da Guarda teve 35 vagas para internos do Ano Comum. Foram ocupadas 20.
Entre os colocados, houve oito que indicaram a ULS da Guarda como primeira escolha no concurso. O Ano Comum tem a duração de 12 meses e segue-se logo após a conclusão da licenciatura em Medicina. Ao Ano Comum sucede-se o internato médico de especialidade que tem a duração de um período de três a seis anos.

Ordem alerta
para excesso de internos nos serviços
As unidades de saúde da região têm mais vagas para internos do Ano Comum porque o total de lugares nunca foi tão elevado. São 2414 vagas, sendo a maior parte para os hospitais da região Norte (862). Para a região centro são 426, para Lisboa e Vale do Tejo são 822, para Alentejo 103 e para o Algarve 100. Os Açores terão 66 e a Madeira 35. O número é definido de acordo com o total de alunos de Medicina que acabam o curso em Portugal, mais os pedidos apresentados pelos estudantes que se formaram no estrangeiro. A Ordem dos Médicos está preocupada com este aumento de vagas porque avisa que os jovens não terão vaga para fazer a formação na especialidade daqui a um ano. E alerta também para o facto dos serviços estarem saturados de internos. O bastonário José Manuel Silva disse ao Diário de Notícias que não será possível aumentar o número de vagas na especialidade na mesma proporção. As vagas na especialidade são definidas pela Ordem dos Médicos que atesta a capacidade formativa dos serviços. «Haverá médicos que não poderão especializar-se como já aconteceu nos últimos dois anos», avisa o bastonário. O presidente da secção do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, diz que «muitos no final do Ano Comum vão ter de sair para o sector privado ou emigrar».

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