Hotel Turismo abriu há quase 75 anos e há 12 anos que permanece de portas fechadas

A pouco menos de um mês de completar 75 anos desde a sua abertura ao público, o Hotel Turismo da Guarda continua de portas fechadas desde 30 de Outubro de 2010. E assim deverá continuar por muito tempo. Desconhece-se ainda quais são as condições e soluções procedimentais que poderão vir a ser adoptadas pelo Governo para solucionar o impasse quanto ao futuro daquela unidade hoteleira, a primeira que surgiu na cidade. O edifício emblemático, projectado em 1936 pelo arquitecto Vasco Regaleira, viria a ser inaugurado no dia 6 de Julho de 1947 e alvo de ampliação com grandes sobressaltos entre 1966 e 1971.

Em 2010, Câmara Municipal decidiu vender ao Turismo de Portugal o hotel por 3,5 milhões de euros. Desde o dia 30 de Outubro desse ano que se mantém de portas fechadas. Daqui a menos de um mês passam 75 anos desde a sua abertura. A data não merecerá celebrações atendendo à indefinição quanto ao futuro do edifício.

Como o TB noticiou em Março deste ano, ficou, mais uma vez, deserto o concurso público para a concessão da exploração do Hotel Turismo da Guarda, no âmbito programa Revive. O prazo inicial era até 28 de Novembro de 2021, mas por, até essa altura, não terem surgido interessados, o Turismo de Portugal decidiu prorrogar o prazo até 21 de Fevereiro deste ano. Só que de nada valeu essa prorrogação. «Não foram apresentadas propostas até ao termo do prazo fixado para o efeito», como confirmou ao TB o gabinete da secretária de Estado do Turismo, adiantando que, «neste momento, estão a ser avaliadas as condições e soluções procedimentais que poderão vir a ser adoptadas, mantendo-se a intenção de recuperar e dar uma nova vida a este imóvel emblemático da cidade da Guarda».

Nos últimos dias, o TB tentou insistentemente obter informações quanto ao desenrolar deste processo mas até agora não recebemos qualquer resposta. Permanecem assim as dúvidas relativamente às condições e soluções procedimentais que poderão vir a ser adoptadas para solucionar o impasse.

De recordar que, por proposta da bancada do movimento Pela Guarda, a Assembleia Municipal da Guarda decidiu em Abril, por maioria, instar o governo para que, se até ao final do ano não decidir recuperar o Hotel de Turismo, «devolva a propriedade ao município». A proposta, apresentada por Daniel Gonçalves, mereceu votos contra da bancada do PS e abstenções dos deputados do CDS-PP e Chega.

Esta foi a primeira decisão de um órgão municipal no actual mandato no sentido de pressionar o governo a tomar uma decisão sobre o futuro daquele imóvel. Em Março, o presidente da Câmara da Guarda disse que tinha pedido uma reunião ao Governo para abordar o assunto da reabertura do antigo Hotel de Turismo, depois do novo concurso lançado para a sua concessão ter ficado deserto, como tinha confirmado ao TB, poucos dias antes, o gabinete da Secretaria de Estado do Turismo.

No “email” remetido na altura a este semanário, aquele gabinete recordou que «o Hotel Turismo da Guarda foi concessionado em 2018, em resultado de um concurso público lançado ao abrigo do programa REVIVE. Todavia, o contrato celebrado veio a ser revogado em 2020 face a dificuldades financeiras graves do concessionário». Depois disso, adiantou, «foi lançado novo concurso de concessão em 2021 [cujo prazo terminou em Fevereiro deste ano], que ficou deserto».

De acordo com o anúncio do concurso, o emblemático edifício, projectado em 1936 pelo arquitecto Vasco Regaleira, seria concessionado «por 50 anos para exploração com fins turísticos, por uma renda mínima anual de 35.317,80 euros».

O emblemático edifício da Guarda foi um dos 33 imóveis do lote inicial do programa Revive. Em Maio de 2018 viria a ser assinado o contrato de concessão para a recuperação e exploração deste imóvel pelo consórcio composto pelas sociedades MRG Property, S.A. e MRG – Construction, S.A., mas o projecto não avançou, «devido a dificuldades financeiras com que o grupo concessionário, entretanto, se defrontou», como justitificou, em comunicado, o Ministério do Estado, da Economia e Transição Digital. O contrato viria então a ser revogado, tendo, em meados de Julho do ano passado, sido lançado novo concurso que ficou deserto.

O REVIVE é uma iniciativa dos Ministérios da Economia, da Cultura, das Finanças e da Defesa, que conta com a colaboração das autarquias locais e a coordenação do Turismo de Portugal, e pretende recuperar e valorizar património público devoluto e reforçar a atractividade dos destinos regionais.

Gustavo Brás

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