Hotel Turismo da Guarda deverá ser concessionado a privados no âmbito do programa “Revive”

A secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, deverá revelar esta tarde, na sessão inaugural da Feira Ibérica de Turismo, qual o futuro do Hotel Turismo da Guarda, tudo indicando que aquela unidade hoteleira, encerrada desde 2010, seja abrangida pelo programa “Revive”, que visa abrir o património ao investimento privado para desenvolvimento de projectos turísticos. A concessão será feita, por concurso público, a investidores nacionais e estrangeiros.
Ontem, no decorrer da Assembleia Municipal da Guarda, o presidente da autarquia, Álvaro Amaro, considerou que o atraso do Governo na venda em hasta pública do edifício do Hotel de Turismo «é quase um crime económico» e mostrou-se preocupado com a segurança do edifício.
O autarca relembrou que o Governo anterior colocou duas vezes o imóvel em hasta pública, sem sucesso, mas o atual ainda não concluiu o processo para que possa ser comprado por privados ou, na sua ausência, pela própria autarquia. Respondendo ao deputado socialista António Monteirinho, que disse não ter cumprido a promessa eleitoral de devolver o Hotel de Turismo à cidade, Álvaro Amaro, apelou para que o Governo proceda à aprovação da terceira hasta pública para venda.
«Alguém pode comprar alguma coisa a alguém sem que o dono não o ponha à venda?», questionou, acrescentando: «Estamos a delapidar a economia nacional, quando a economia privada quer comprar o hotel». «Além de diminuir o activo do Estado num país que precisa disso, podem acontecer situações de tragédia. Eu já o disse e já alertei a quem de direito», acrescentou.
E dirigindo-se ao mesmo deputado socialista, esclareceu: «Eu não posso, senhor deputado, cumprir uma promessa se o seu Governo não vender aquilo em que ele manda». O autarca lembrou que já foram feitas mais duas avaliações do imóvel e que o valor baixou de 1,7 para 1,5 milhões de euros: «Já perdemos. O Estado já perdeu por inoperância». Deu ainda conta que um empresário lhe transmitiu que compra o edifício e reafirmou que a autarquia o comprará se a economia privada não o fizer.
O edifício do Hotel de Turismo da Guarda foi vendido em 2010 pela Câmara da Guarda, então liderada pelo socialista Joaquim Valente, ao Turismo de Portugal, por 3,5 milhões de euros, para ser recuperado e transformado em hotel de charme com escola de hotelaria, mas o projecto não saiu do papel e o imóvel está de portas fechadas e a degradar-se.
Em 2015, a Direção-Geral do Tesouro e Finanças realizou uma hasta pública para venda do edifício que ficou deserta. O imóvel foi posteriormente colocado à venda, pelo valor de 1,7 milhões de euros, através de um concurso público de arrendamento com opção de compra, mas a empresa interessada no negócio desistiu.
O autarca já sensibilizou o primeiro-ministro para o problema e para a necessidade de ser realizada uma terceira hasta pública para venda do imóvel da antiga unidade hoteleira da cidade da Guarda. Mas, ao que tudo indica, a solução passará pela integração do imóvel numa bolsa de edifícios históricos, a serem concessionados, por concurso público, a investidores nacionais e estrangeiros.
Numa primeira fase, dada a conhecer o ano passado, a lista de concessões englobava 30 edifícios, entre os quais, o Convento de São Paulo (Elvas), Castelo de Vila Nova de Cerveira, Fortaleza de Peniche, Mosteiro de São Salvador de Travanca (Amarante) e Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (Coimbra).

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