Implementação de portagens em Espanha preocupa operadores de transportes portugueses

O governo de Espanha vai introduzir portagens em 12 mil quilómetros de «vias rodoviárias de alta capacidade», também designadas por “autovias” e “autopistas”, uma medida que deverá ser estendida às estradas estatais e até às auto-estradas geridas pelas comunidades autónomas. Esta medida, incluída incluída no Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência do governo de Pedro Sánchez, está já a preocupar os operadores de transportes portugueses que têm de atravessar o país, pois os custos das exportações realizadas por esta via deverão aumentar, revela o jornal “Publico”.

Refere aquele diário nacional que para Portugal, a medida irá afectar sobretudo as auto-estradas que ligam Vilar Formoso a Burgos (360 quilómetros) e Caia a Madrid (400 quilómetros), que, até ao momento, são gratuitas, mas que estão na lista das que vão ser pagas. Nestas vias, segundo o “Público”, passam 45% dos veículos pesados de mercadorias que cruzam as fronteiras portuguesas.

A Antram (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) diz que o custo das exportações portuguesas vai subir entre 5% e 8% com medida tomada por razões ambientais.

De acordo com o Observatório Transfronteiriço Espanha-Portugal de 2017, há uma média de 9874 camiões a atravessar diariamente a fronteira com destino ou origem em Espanha ou outros países da União Europeia. Pedro Polónio, presidente da Antram (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) diz que «podemos assumir que desses 10 mil camiões que cruzam a fronteira portuguesa, pelo menos 30% vão atravessar toda a Espanha em direcção a França e destes, cerca de 75% dirigem-se à fronteira de Irún, que é a principal porta de entrada em França dos camiões portugueses».

A introdução de portagens a abranger a totalidade deste eixo rodoviário vai ter um impacto no comércio externo português que a Antram estima num aumento dos custos entre 6% a 8% nas exportações para França e de 5% a 7% nas exportações para a Alemanha. Em sentido contrário, os produtos importados serão onerados entre 5% a 7% nas importações de França e 4% a 6% nas importações da Alemanha.

De acordo com a própria Antram, tendo como base preços praticados noutras estradas espanholas, haverá um aumento de 90 euros por cada camião que faça a travessia entre Vilar Formoso e a fronteira de Irún e de 60 euros entre Madrid e a fronteira do Caia.

O presidente da Antram, Pedro Polónio, sublinha que em Portugal há cerca de 6000 empresas de transporte rodoviário de mercadorias e que a maioria destas serão afetadas pela introdução de portagens em Espanha.

Pedro Polónio explica que estes cálculos foram feitos assumindo um valor de 0,15 euros/km nas novas portagens, em linha com o que é praticado noutras auto-estradas espanholas e que se traduz num aumento de 90 euros por cada camião que faça a travessia entre Vilar Formoso e a fronteira de Irún.

«Entre Madrid e a fronteira do Caia, usando os mesmos critérios, falamos de um sobrecusto de 60 euros por camião, um encargo que representa, face ao valor médio do transporte actual, um aumento a rondar os 10 a 13%. Se falarmos de uma viagem de Barcelona ao Caia, o valor é ainda maior, rondando os 16%», diz o presidente da Antram.

O grupo Luís Simões, um dos maiores operadores rodoviários de mercadorias do país, estima em três milhões de euros por ano o sobrecusto anual devido à introdução de portagens só no eixo Vilar Formoso – Irún.

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