Incêndio do Rochoso destruiu mais de seis mil hectares de área

O incêndio de Julho que teve início no Rochoso, no concelho da Guarda, e se alastrou aos municípios vizinhos de Almeida, Sabugal e Pinhel, terá consumido 6.048 hectares de área florestal. Os dados constam do relatório do Instituto de Conservação da Natureza que reúne os incêndios registados entre Janeiro e final de Julho, mas o documento indica que aquele incêndio está por validar. O fogo deflagrou na tarde de 17 de Julho. As chamas obrigaram ao corte da A25 e da EN 16, entre a zona de Vilar Formoso e Guarda, à interrupção da circulação ferroviária na Linha da Beira Alta, entre Guarda e Vilar Formoso, e ao condicionamento da circulação rodoviária na estrada que faz a ligação entre Alto de Leomil, Parada (ambas no concelho de Almeida) e Cerdeira (Sabugal).
O incêndio está na lista dos maiores incêndios registados este ano até final de Julho. O maior foi o fogo que teve início da Sertã, em Castelo Branco, que afectou mais de 29 mil hectares, superando o fogo de Pedrogão Grande, em Leiria, que consumiu 20 mil hectares. Na lista segue-se o de Góis com 17.521 hectares de área ardida e o do Rochoso.
Com os incêndios de Julho, o distrito da Guarda passou a acumular um total de 10.133 hectares de área ardida. Recorde-se que nos primeiros seis meses do ano o distrito da Guarda era dos menos fustigados pelos incêndios florestais.
Na lista dos grandes incêndios registados este ano até finais de Junho havia só uma referência ao distrito da Guarda. Era o incêndio ocorrido em Março na freguesia de Codeceiro, concelho da Guarda. Foram consumidos 140 hectares de área florestal. Um mês depois são cinco os grandes incêndios registados no distrito. Para além dos fogos do Rochoso e de Codeceiro há ainda outro que teve lugar em Murça, em Vila Nova de Foz Côa, a 16 de Julho; outro no Baraçal, no concelho de Celorico da Beira e outro em Gouveia, em Vila Cortês do Mondego. Consideram-se grandes incêndios sempre que a área total afectada seja igual ou superior a 100 hectares.
Os 6.048 hectares de área ardida no distrito resultam de 233 ocorrências, sendo que apenas 95 são consideradas incêndios florestais por terem ultrapassado um hectare.
O distrito mais afetado no que se refere à área ardida é Leiria, com 20.348 hectares, cerca de 16 por cento da área total ardida até à data, seguido de Coimbra, com 18.045 hectares e de Portalegre, com 17.437 hectares. O distrito de Leiria foi afectado pelo grande incêndio de Pedrógão Grande, onde morreram mais de 60 pessoas e arderam 20.072 hectares de espaços florestais (cerca de 98,6% da área ardida no distrito). Os incêndios florestais consumiram este ano mais de 128 mil hectares, a maior área ardida no mesmo período na última década e quase cinco vezes mais do que a média anual dos últimos dez anos.

Mais de 2700 hectares destruídos
no Douro Internacional
Mais de 6.700 hectares de áreas protegidas arderam nos incêndios deste ano, que queimaram mais de metade do Monumento Natural das Portas de Rodão e mais de 2.700 hectares do Parque Natural do Douro Internacional. De acordo com o relatório agora divulgado de Janeiro a 31 de Julho terão ardido 6.790 hectares da Rede Nacional de Áreas Protegidas, com destaque para o Parque Natural do Douro Internacional pela maior extensão de área afetada (2.791,8 hectares, o equivalente a 1,6 por cento da área total do parque). O documento destaca também o Parque Natural Regional do Vale do Tua, com 1.784,3 hectares de área ardida . De acordo com o ICNF, a área protegida mais afetada face à sua extensão foi o Monumento Natural das Portas de Rodão, com 60 por cento de área destruídos pelas chamas (579 hectares).
Segundo a mesma fonte, não há qualquer área afectada pelos fogos em matas nacionais, estando a totalidade da área ardida integrada em áreas de perímetros florestais e terrenos baldios sujeitos ao regime florestal. As áreas protegidas terrestres ocupam 712,5 mil hectares e os terrenos submetidos ao regime florestal 523 mil hectares (55 mil em matas nacionais e 468 mil em perímetros florestais).

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