Incêndios rurais – I

A) Combate

Estamos no verão.

É o tempo de lamentarmos e nos solidarizarmos com as perdas de vidas Humanas e de bens materiais.

É o tempo de agradecer a forma abnegada como tantos, quase todos, têm combatidos os incêndios.

Este ano, ao contrário de muitos outros, também devemos sublinhar a forma próxima e empenhada como os governantes tem acompanhado os profissionais, os voluntários, e a população nesta luta.

Todos estamos empenhados. Temos de reforçar o grau de vigilância dos nossos comportamentos.

O verão está a começar, não podemos baixar a guarda.

B) Prevenção

Os incêndios rurais são um problema de há décadas. Ultimamente um flagelo.

A influência do clima: a seca progressiva, no momento severa; as vagas de calor de intensidade crescente e com maior periodicidade (de 6 anos em 6 anos), proporcionam um ambiente favorável à deflagração e propagação de incêndios.

O Abandono do espaço rural. O colapso das sociedades tradicionais que com as suas práticas (necessidades) evitavam a acumulação de massa combustível e mantinham uma vigilância permanente do espaço.


Houve uma transformação significativa ao nível da ocupação e uso do solo e da sua organização. Assistimos, sem fazer nada, ao esboroar do “tradicional mosaico de agro-silvo-pastoril”, que compartimentava e estruturava o espaço rural. Esta forma humanizada de organização do território, garante de segurança e sustentabilidade, foi transformada em extensas manchas de povoamentos florestais mono -específicos, de crescimento rápido e de rendimento a curto prazo, altamente inflamáveis ou, o que não é melhor nem menos perigoso, ao abandono de grandes áreas transformadas em mato com elevada carga térmica e grande velocidade de propagação.

Nas últimas décadas, como (quase) sempre fomos atrás do prejuízo: “ a política florestal reagiu compulsivamente enfatizando o combate em detrimento da prevenção territorial” (1).

Com a atual dimensão e intensidade dos incêndios, as ações de extinção em tempo útil são ineficazes e os meios de combate conseguem apenas, quando conseguem, salvar vidas, habitações, armazéns agrícolas e espaços industriais.

Os Resultados estão à vista e vão piorar se continuarmos a fazer o que sempre fizemos: Abandono do mundo rural e das suas gentes; ausência de uma política planeada de retenção e gestão da água em todo o país; a crença que o país é o litoral e o resto é paisagem; Desvalorização da evidência – as alterações climáticas e as suas graves consequências; E o esquecimento do fundamental – não há qualidade ambiental, agricultura e ordenamento do território, sem pessoas.

Fomos avisados em devido tempo, de forma lúcida e atenta, por um dos melhores de nós, o Arq. Gonçalo Ribeiro Teles, sobre a interdependência de todas estas variáveis fundamentais à “QUALIDADE DE VIDA”

(1) O ordenamento do território e a prevenção de incêndios rurais; J.P.Ferreira da Silva, 2010

Palavras dos outros:

«Agosto seca os montes e Setembro seca as Fontes», Povo

«Mais até que solidão, um problema cada vez maior, é o isolamento», Tolentino de Mendonça, Público 17/7/2020

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