Ligação a Caminhos de Santiago da Guarda e Sernancelhe passa por Trancoso

A ligação da Guarda a Trancoso é «neste momento o problema maior» para os peregrinos que queiram rumar a Santiago de Compostela. «Alguém que esteja neste momento no Norte alentejano, que tem o caminho todo marcado, traçado, ou pelo menos planeado, até à Guarda, depois não tem nada durante bastantes quilómetros», alerta o presidente da Associação de Peregrinos Via Lusitana, José Luís Sanches.
Mas não só. É igualmente um problema a ligação deste concelho a Sernancelhe, já que daí para a frente a solução pode ser resolvida brevemente. As comunidades intermunicipais (CIM) «do Douro, do Tâmega e Sousa e do Alto Minho meteram um projecto conjunto no Turismo do Norte, e foi comunicado na reunião da Covilhã que já tinha sido aprovado o financiamento comunitário para isso. Portanto, vai arrancar a breve prazo a marcação, manutenção e o tratamento dos caminhos».
José Luís Sanches refere-se a um encontro intermunicipal que teve lugar a 27 de Outubro passado naquela cidade, promovido pelo Município e pela associação a que preside, subordinado ao tema “Caminhos Portugueses de Santiago – Caminho Nascente e Caminho Torres entre o Tejo e Douro”, no qual marcaram presença representantes do Município da Guarda e a CIM das Beiras e Serra da Estrela.
Nessa reunião foi apresentado o lanço “Caminho de Santiago – Concelho da Guarda”, cuja inauguração se deu precisamente um mês depois, no Dia da Cidade, para a qual José Luís Sanches esteve convidado mas que não pode estar presente.
«Assisti à apresentação que foi feita na Covilhã pelo Museu da Guarda, da ligação de Belmonte à Guarda, mas sinceramente não conheço. As pessoas que trataram disso, o director do Museu, doutor João Rosa, merece-me toda a consideração, quer em termos pessoais quer profissionais, portanto creio que o trabalho estará bem feito. Falei com ele sobre isso e pareceu-me que sim, mas não posso falar de um coisa que não sei», afirma José Luís Sanches.
O que sabe é que «há o chamado Caminho de Torres que entra em Portugal por Almeida, Pinhel, Trancoso e Sernancelhe. Todo o trajecto está já delineado em mapas, agora há que o marcar no terreno. E isso é que pode ter ainda alguns problemas porque o município que está muito empenhado é Pinhel». «O caminho que viria de baixo – Castelo Branco, Fundão, Covilhã, Belmonte, Guarda – viria entroncar em Trancoso e seria, muito provavelmente, do que se consegue hoje saber, o caminho que os peregrinos fariam. Neste momento, para a Guarda é o problema da ligação a Trancoso e depois a ligação de Trancoso a Sernancelhe», reforça.
Defende que a ligação deveria ser feita, destaca no entanto que «o problema agora já não é da Guarda. É um pouco de Celorico [da Beira], porque o trajecto passa no município, e Trancoso, que é onde junta com o caminho que vem de Almeida, Pinhel e segue para Sernancelhe».
Por ano, revela, «já passam pela Guarda 20, 30, vá lá, 50 peregrinos porque a indicação que têm é que não está marcado o caminho, não há albergues, não há onde ficar, quer dizer, há onde ficar mas têm que se socorrer de pensões ou de hotéis e a 20 e tal quilómetros por dia são muitos dias e muitas noites e é tudo a somar». «À medida que as pessoas começam a saber que o caminho está marcado, que é agradável, que é bonito – que é, sem sombra de dúvida, conheço bem a região, e que já há pontos de apoio, onde dormir, onde comer, os números sobem, não sobem é em números assustadores», avisa. «Eu às vezes gosto de baixar as expectativas das entidades locais, não vamos pensar que isto já está e agora começam a chegar. Não. É um processo que vai crescendo», conclui José Luís Sanches.
GM

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