Ligações ferroviárias e políticas

O acontecimento da semana talvez seja, para os habitantes dos municípios que poderá servir, o teste feito ao troço Guarda-Covilhã da linha ferroviária da Beira Baixa.

Fechada desde 2009, mas com problemas desde há vários anos, adiada e prometida tantas vezes, esta porção da linha férrea está agora mais perto de se poder tornar, caso o poder queira, uma alternativa mais rápida, ecológica e barata à deslocação entre as duas cidades.

Esvaziadas as pequenas aldeias de quem aí vivia, não se justifica agora que a mesma seja dotada dos velhos apeadeiros que serviam os que dela dependiam para se deslocar ou enviar mercadoria fazendo demorar a viagem.

A ligação devia assim transformar-se hoje numa espécie de metro de superfície, capaz de ligar a Guarda, Belmonte, Covilhã, ou até mesmo ir um pouco mais longe, ao Fundão, de forma rápida.

Mas falar deste troço da linha férrea é no entanto recordar histórias de tempos de menino. Histórias ouvidas da boca da minha avó materna, ou vividas na beira da linha, junto à estação de Belmonte/Manteigas, ao acompanhar o meu pai na “carreira” que promovia os “serviços combinados com a CP”.

Eram esses serviços que possibilitavam a inscrição do destino final, na parede da estação, a um concelho onde a linha férrea não chegava! Serviços que vinham desde o inicio do século XX quando ainda não havia transporte motorizado!

Era aí, na estação Belmonte/Manteigas que se apanhavam os comboios para Lisboa ou Porto, beneficiando da possibilidade de ligação oferecida entre as linhas da Beira Baixa e Alta.

O regresso dos comboios à linha só se pode saudar… aguardando que estes quilómetros de ferrovia sejam aproveitados (não só de saudade) de forma a que se justifique o investimento ali feito.

Ainda que não pelo comboio, mas pelo voto “chegou” um Presidente da República para os próximos cinco anos de mandato.

Da leitura dos resultados em toda a Beira, quase poderíamos dizer que há uma linha política que liga também as estações da Covilhã e Gouveia (Beira Baixa e Alta) passando por Manteigas! Chama-se Ana Gomes! O segundo lugar nestes 3 concelhos da candidata, são ainda, porventura, reveladores de uma consciência de classe forjada na luta do operariado têxtil.

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