Livro sobre catedrais portuguesa apresentado na Sé da Guarda

A Sé da Guarda foi o local escolhido para a apresentação do livro “Catedrais de Portugal”, da autoria do arquitecto António Saraiva, natural desta cidade e gestor da extinta Agência para a Promoção da Guarda. A cerimónia, agendada para as 18h45, será presidida pelo Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, que prefaciou a obra, uma edição dos CTT – Clube do Coleccionador no âmbito do projecto Rota das Catedrais.
«Não seria possível aos CTT Correios de Portugal, cuja vertente filatélica tem a obrigação de constituir a “Memória Histórica da Nação“, nas palavras do professor Oliveira Marques, ignorar este grande projecto, profundamente nacional pela abrangência e pela larga partilha de saberes de invulgar importância», refere Francisco Manso, gestor da Loja Postal da Guarda, sobre a edição do livro.
As catedrais portuguesas têm «”um inestimável valor religioso, histórico, artístico, cultural, simbólico e patrimonial”, como muito bem foi referido no Acordo que reuniu o Ministério da Cultura e a Conferência Episcopal Portuguesa no notável projecto de recuperação e desenvolvimento – a Rota das Catedrais», recorda.
«Por todos estes motivos», argumenta Francisco Manso, «fizemos três emissões de selos postais, em 2012, 2013 e 2014, retratando as Catedrais do nosso país, e editamos agora um livro sobre esta temática, tão grandiosa pelo significado como pela imponente presença física destas edificações nas nossas urbes».
Da mais antiga catedral, a de Idanha-a-Velha, à mais recente, a Sé Nova de Bragança, a obra apresenta-se como um circuito arquitectónico histórico e cultural pelos 27 templos que possuíram ou ainda detêm esse estatuto, onde se inclui a da Guarda. A edição é numerada e autenticada, com uma tiragem limitada a 3700 exemplares.
«A actual Sé da Guarda é provavelmente o terceiro templo com estatuto catedralício naquela que é a cidade mais alta de Portugal», revela António Saraiva.
A primeira catedral, «tratando-se de edificação de raiz ou de adaptação de templo existente, foi sem dúvida consequência natural da mudança da sede episcopal de Idanha-a-Velha para a Guarda, a pedido de D. Sancho I ao Papa Inocêncio III». «Segundo alguns autores, tratar-se-ia de uma edificação em estilo românico, da qual nada resta, e que estaria localizada junto à desaparecida Torre do Mirante», sublinha.
«Provavelmente, devido às exíguas dimensões e à falta de dignidade que este primeiro templo apresentava para as suas funções», supõe, «deu-se início à construção de uma nova catedral, por indicação de D. Sancho II, no local onde se encontra actualmente a Igreja Misericórdia».
«Edificação de outra grandeza que não da primeira, ao estilo românico-gótico, foi concluída no século XIV. Mas após pouco mais de cinquenta anos ao serviço da diocese, em 1374, sofreria a condenação régia de D. Fernando para ser derrubada por se encontrar fora do troço de muralhas e, como tal, a mesma poder servir de torreão de assalto contra a própria cidade», afirma António Saraiva.
«Com a consolidação da independência, em 1390, D. João I teria dado início à grande empreitada de edificar a terceira e actual catedral da Guarda», pressupoõe, afirmando «que só viria a ficar concluída cerca de cento e cinquenta anos mais tarde, mais precisamente em 1540, já no reinado de D. João III, com forte persistência e empenho do bispo D. Pedro Vaz Gavião (1496-1516) e estando ligados a esta última fase da obra os mestres Pêro e Filipe Henriques».
«Como autor do projecto inicial desta catedral, que é apontada como o monumento que mais evidencia a influência do Mosteiro da Batalha, cujo estaleiro tinha começado quatro anos antes de se dar início à edificação da sé, é apontado o arquitecto Afonso Domingues, também ele responsável pelo Mosteiro», constata.
O templo, descreve António Saraiva, «eleva-se em planta de cruz latina com transepto saliente, cabeceira composta por três capelas interligadas por estreitas passagens e três naves divididas em cinco tramos onde a central é iluminada por janelas com mainéis que se localizam acima dos arcos plenos que são adossados por colunas cordadas e é coberta por abóbada de arestas nervadas».

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