Mais dinheiro e mais férias não convenceram qualquer médico a vir para a Guarda

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Não houve nenhum médico que ficasse convencido a vir trabalhar para a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda atraído pelos incentivos criados pelo anterior governo. O Ministério da Saúde oferece mais dinheiro, mais dias de férias e ajuda na colocação dos filhos na escola aos médicos que aceitassem trabalhar em zonas mais carenciadas e nas especialidades com maior falta de clínicos. A ULS da Guarda podia contratar médicos nestas condições para quatro especialidades: Cirurgia Geral, Medicina Interna, Pediatria Médica e Urologia.
Há 14 hospitais em todo o país que podem contratar médicos neste regime, mas até agora só conseguiram atrair 20 especialistas, de acordo com os dados facultados pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) ao Diário de Notícias. O pacote de incentivos, em vigor desde Agosto do ano passado, prevê o pagamento de mil euros adicionais durante seis meses, mais dois dias de férias por cada um dos cinco anos de contrato e a ajuda na colocação dos filhos na escola e do cônjuge que trabalhe para o Estado para a nova zona de residência.
No conjunto dos três hospitais da região há 12 especialidades que podem contratar médicos ao abrigo deste regime. Para o Centro Hospitalar da Cova da Beira podem ser contratados com incentivos especialistas nas áreas de Cirurgia Geral, Medicina Interna e Psiquiatria. Na ULS de Castelo Branco, uma das unidades de saúde da lista com mais especialidades abrangidas, podem vir a ser contratados médicos nas áreas de Cirurgia Geral, Ginecologia/Obstetricia, Medicina Interna, Ortopedia e Pediatria Médica.
Recorde-se que a criação deste regime foi várias vezes mencionado na campanha eleitoral para as legislativas, sendo apontada como uma medida que iria favorecer as unidades de saúde do interior. O líder da distrital do PSD, Carlos Peixoto, chegou a anunciar que a ULS da Guarda ia contratar «dez médicos» no âmbito destes incentivos financeiros, mesmo antes de terem sido publicados os diplomas que definiram as especialidades e unidades de saúde abrangidas.
O anterior ministro da Saúde tinha anunciado que o Governo previa gastar com esta medida entre «dois a quatro milhões de euros por ano». Os médicos de carreira não tinham, até à data, qualquer incentivo para se fixarem no interior do País. Os incentivos à mobilidade geográfica aplicam-se aos médicos «com contrato de trabalho por tempo indeterminado, ou a contratar, mediante vínculo de emprego público ou privado, com serviço ou estabelecimento integrado no Serviço Nacional de Saúde». O objectivo do Governo PSD/CDS-PP era «fomentar a fixação de médicos em zonas em que existem fortes carências destes profissionais, promovendo uma maior acessibilidade aos cuidados de saúde por parte de determinadas populações».
Os dirigentes da Ordem dos Médicos sempre se manifestaram cépticos em relação à eficácia desta medida e os sindicatos afirmam que já esperavam fraca adesão. O Diário de Notícias adianta que o actual Governo já está a estudar novos apoios.

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