Mário Soares recordado como lutador da liberdade

Mário Soares recordado como lutador da liberdade
ário Soares, que morreu Sábado, em Lisboa, aos 92 anos, é recordado como lutador antifascista, um dos fundadores da democracia portuguesa e do PS, europeísta e um político que disputou eleições até aos 82 anos.
Para homenagear o homem que fundou o PS, foi primeiro-ministro por três vezes e Presidente da República durante dez anos, o Governo português, liderado pelo socialista António Costa, decretou três dias de luto nacional e o funeral, em Lisboa, teve honras de Estado.
Após ser conhecida a notícia da morte do antigo Presidente, sucederam-se as reacções, em Lisboa e no estrangeiro. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, falou durante quatro minutos na Sala das Bicas, no Palácio de Belém, em Lisboa, e recordou Mário Soares, acima de tudo, como um «lutador da liberdade», e defendeu que Portugal tem o dever de combater pela «imortalidade do seu legado».
A muitos quilómetros de distância, na Índia, onde vai continuar em visita, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou os três dias de luto nacional e lembrou o fundador do PS como o rosto e a voz da liberdade portuguesa. «Per-demos hoje aquele que foi tantas vezes o rosto e a voz da nossa liberdade. Mário Soares foi um homem que durante toda a sua vida se bateu pela liberdade, fê-lo contra a ditadura, sofrendo a prisão, a deportação e o exílio», afirmou António Costa.
Ferro Rodrigues, outro socialista, que é presidente da Assembleia da República, disse ser «um dia triste». «Morreu o militante número um da democracia portu-guesa. Várias gerações tiveram Mário Soares como um herói», disse.

Partidos evocam passado antifascista
À esquerda, o PCP, contra quem Soares lutou durante os anos da Revolução dos Cravos, recordou o «passado de antifascista» de Mário Soares e evocou as «profundas e conhecidas divergências», designadamente «pelo seu papel destacado no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e às suas conquistas, incluindo a soberania nacional».
Ainda à esquerda, a líder do Bloco, Catarina Martins, saudou a memória de Soares, «um dos maiores protagonistas da política portuguesa», que «marcou o século XX», e que, nas lutas que escolheu, esteve em aliança ou confronto com forças à esquerda.
À direita, PSD e CDS-PP também evocaram a memória do fundador do Partido Socialista e antigo Presidente da República.
Pedro Passos Coelho, líder do PSD, disse que este foi «um dia triste», o da morte de Soares, que classificou como «um grande democrata» e «um político polémico». «Como um grande democrata que foi, o dr. Mário Soares foi também um político polémico, que combateu pelas suas ideias, há de ter feito muitos amigos, terá tido também, com certeza, muitos adversários ao longo de todos estes anos», disse.
Mais à direita, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, lamentou a morte do antigo Presidente, destacando o seu «papel único na definição do Portugal Democrático Europeu». Ex-adversários, como Freitas do Amaral, fundador do CDS e candidato derrotado por Soares nas presidenciais de 1986, mas de quem se tornou amigo, recordou o líder histórico do PS como «o “Patriarca da Democracia”».
Já Cavaco Silva, que derrotou Soares nas presidenciais de 2006, tinha ele 82 anos, admitiu as divergências, mas qualificou o seu antigo adversário como uma das personalidades mais marcantes do século XX português, sublinhando a sua faceta de «verdadeiro animal político».
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) disse que Mário Soares «deixa a todos os portugueses um legado único e de paz» e que «foi e será recordado para sempre como um Homem ímpar na história» de Portugal.
Por seu lado, o presidente da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), Pedro Cegonho, lamentou a morte do antigo Presidente da República Mário Soares, considerando que desapareceu «um dos funda-dores da democracia e do Portugal moderno». Numa nota enviada à agência Lusa, Pedro Cegonho referiu que, «em nome da Associação Nacional de Freguesias e das freguesias portuguesas, manifesta profun-da consternação e pesar, pelo valor incontornável da perda do antigo Presidente Mário Soares para a democracia e para Portugal».
Além fronteiras, as palavras de consternação vieram primeiro de Espanha, do Rei Filipe, de Felipe Gonzalez, antigo chefe do Governo e do PSOE, mas também de França, do presidente François Hollande.

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