Médico da Guarda diz que nova rede de oftalmologia é «uma ficção elaborada por quem não conhece o distrito»

A nova Rede de Referenciação em Oftalmologia já foi aprovada definindo que os doentes da Guarda e de Castelo Branco serão refe-renciados para o Centro Hospitalar da Cova da Beira. O médico da Guarda que contestou esta referenciação na fase da consulta pública da proposta, defende que esta rede é «uma ficção ela-borada por que não conhece a rea-lidade do distrito da Guarda». Henrique Fernandes entende que esta referen-ciação é «inexe-quível».

nova Rede de Refe-renciação em Oftal-mologia aprovada, no início deste mês, pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, mantendo-se a proposta prevista para a região de que o Centro Hospitalar da Cova da Beira será referência para os doentes das ULS da Guarda e de Castelo Branco. Esta ideia foi contestada pelo médico oftalmologista da Guarda Henrique Fernandes que chegou a apresentar uma exposição ao Ministério da Saúde na fase de consulta pública da proposta que decorreu durante o mês de Junho.
O médico considera que a rede traçada para a região «é mais uma ficção elaborada por quem não tem o minímo de conhecimento do que é o distrito da Guarda». Henrique Fernandes en-tende que a rede é «inexequível» e demonstra «bem como é que o Ministério da Saúde lida com os problemas reais das populações». «Vai deixar nas mãos dos médicos a resolução do problema», aponta. O médico refere que o que está previsto na Rede não poderá ser aplicado, até tendo em conta o número de profissio-nais existentes em cada uma das unidades de saúde. Tal como se descreve no relatório de criação da Rede, em finais de 2014 trabalhavam da ULS da Guarda 4 médicos e na ULS de Castelo Branco dois médicos. No Centro Hospita-lar da Cova da Beira, que pertence am Grupo II, havia dois médicos oftalmologistas.

Contra a submissão à Covilhã
O médico manifestou-se contra a proposta de referen-ciação apresentada para a região contestando o que considera ser a «submissão» do serviço da Guarda ao serviço da Covilhã. Na exposição, o médico apresen-tou alguns dados compara-tivos entre as duas unidades de saúde, o médico concluiu que «a Guarda leva vantagem em praticamente todos os parâmetros de produção e assistência, o que não deixa de ser significativo quando compararmos um hospital de nível I (Guarda) com um hospital nível II (Covilhã). Henrique Fernandes consi-dera «moralmente incom-preensível que a Guarda seja “premiada” com uma proposta para uma espécie de submissão hierárquica a um serviço objectivamente em desvantagem no que respeita a condições funcionais, bem como geográfica e demo-graficamente incompatível com o natural alinhamento na colaboração entre insti-tuições», lê-se no docu-mento enviado ao Ministério da Saúde. O médico argumenta que «não são só as 9485 consultas contra as 4091 da Covilhã. Nem as 2556 cirurgias ambulatórias e 404 cirurgias convencionais da Guarda contra as 611 cirurgias ambulatórias e as 4 cirurgias convencionais da Covilhã. Nem tão pouco as diferenças nos números dos meios complementares de dia-gnostico (3626 vs 3292)». Sublinha que «são sobretudo os 147 144 habitantes da Guarda contra os 89 946 habitantes da Covilhã e os factores distância, extensão territorial e acessibilidades que contam. Ou devem contar». O oftalmologista considera «inaceitável que um doente de Loriga se desloque a Seia e seja encaminhado para a Guarda e posterior-mente para a Covilhã para eventualmente acabar por ser enviado para coimbra. O mesmo se dirá de um doente de Mós do Douro de Barca D’Alva ou de Escarigo».
O médico defendeu na exposição entregue ao Ministério da Saúde que «desprezar esta realidade sociodemográfica represen-taria uma ofensa incom-preensível aos direitos de muitos em nome de um aparente beneficio de apenas alguns». Perante este cenário e dados, Henrique Fernandes defende que a referenciação deveria funcionar no sentido Covilhã, Guarda, Viseu, Coimbra (ou Covilhã, Viseu, Coimbra) e não no sentido Guarda, Covilhã, Coimbra. «Qualquer teimosa persis-tência no modelo de referenciação proposto “desprezando” Viseu que tal como a Covilhã também tem um hospital de nivel II vai conduzir a um progressivo esvaziamento da parte norte do distrito da Guarda directamente para o hospital de Viseu», argumentou.

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