Médicos do Centro denunciam falhas graves no plano de vacinação no privado

Os planos de vacinação nos hospitais da região Centro não estão a ser cumpridos, voltou a alertar hoje o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), que considerou inadmissível que haja médicos por vacinar.

«É inaceitável que os médicos que estão expostos a tratar doentes no setor privado ainda não tenham sido vacinados. Há limites para a desorganização e a incompetência, que estão a tornar-se insuportáveis», criticou Carlos Cortes, em declarações à agência Lusa.

Segundo o médico, nos hospitais há profissionais e administrativos que estão a ser vacinados que «não têm qualquer exposição de risco» à covid-19, contrariando os critérios definidos pela “task-force” criada pelo Governo.

De acordo com o presidente da SRCOM, no privado há centenas de médicos a tratar doentes com o novo coronavírus que não receberam ainda nenhuma notificação para serem vacinados.

Um inquérito da Ordem dos Médicos identificou que fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS) existem 4.043 médicos interessados em receber a vacina, de entre os quais quase 300 em Coimbra, 22 na Guarda, 61 em Aveiro, 25 em Castelo Branco, 61 em Leiria e 49 em Viseu.

«É uma segregação verdadeiramente intolerável. A natureza do vínculo laboral não pode ser um fator discriminatório», assume Carlos Cortes, exortando o Ministério da Saúde a iniciar a vacinação dos médicos do setor privado com caráter prioritário.

O presidente da SRCOM considera que é necessário «ampliar o plano de vacinação o mais rapidamente possível para os profissionais estarem protegidos e darem assim condições de segurança aos seus doentes».

Segundo o dirigente, a Ordem dos Médicos vai solicitar à Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) que investigue todas as situações, «precisamente onde foram reportados casos problemáticos». «Os critérios definidos pela “task force” da vacinação não estão a ser respeitados por quem deveria cumprir as decisões, isto é, o próprio Ministério da Saúde», argumenta ainda o presidente da SRCOM, que alertou também para a situação de ruptura que se vive nos hospitais da região Centro.

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