Médicos internos querem cuidados diferenciados no serviço de Ortopedia

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O serviço de Ortopedia do Hospital Sousa Martins da Guarda promove na próxima semana as I Jornadas Ibéricas de Ortopedia, uma iniciativa que vai reunir na Guarda dezenas de especialistas na patologia da coluna. Estes eventos científicos assu-mem particular impor-tância para os médicos internos ortopedista da Guarda que querem prestar cuidados mais diferen-ciados e defendem que as Jornadas podem ser «uma porta de entrada» para que o hospital volte a realizar cirurgia da coluna. O director de Ortopedia, Luís Camarinha, continua preocupado porque a instituição ainda não corresponde às expectativas dos médicos internos, correndo o risco de os perder quando terminarem a formação.

O serviço de Ortopedia do Hospital da Guarda volta a promover um evento científico de projecção nacional. Depois de em Abril ter realizado o primeiro Encontro de Ortopedia da Guarda, sobre a Patologia do Pé e Tornozelo, na próxima semana organiza as Jornadas Ibéricas de Ortopedia dedicadas à Patologia da Coluna. A iniciativa conta com a participação de palestrantes portugueses e espanhóis e inclui a apresentação de uma tecnologia pioneira para ser usada nas cirurgias de Ortopedia (ver texto nesta edição).
A realização deste tipo de eventos científicos assume particular importância para os médicos internos do serviço de Ortopedia do Hospital da Guarda que querem prestar cuidados mais diferenciados. Ainda em formação, estes jovens clínicos querem apurar e diversificar os seus conhecimentos o que nem sempre é fácil para os hospitais de pequena dimensão como é o Sousa Martins. Na sessão de apresentação das Jornadas Ibéricas de Ortopedia, o director do Serviço de Ortopedia, Luís Camarinha, admitiu estar um «bocado desesperado» porque os internos «querem fazer cirurgias mais diferenciadas» e actualmente não existe essa possibilidade. «Estou preocupado em oferecer o melhor que posso», sublinhou Luís Camarinha dando exemplo de algumas experiências que tem proporcionado aos médicos internos no estrangeiro.
Para Luís Silva, o médico interno mais antigo do serviço de Ortopedia, eventos como as Jornadas podem servir de «porta de entrada» para que o hospital da Guarda possa voltar a realizar cirurgias da coluna no Hospital da Guarda. O director clínico da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, Gil Barreiros, explicou que a instituição tinha um protocolo com um especialista para a realização daquele tipo de intervenções cirúrgicas, mas por motivos financeiros a parceria teve de ser interrompida. Gil Barreiros esclareceu que a decisão foi tomada também tendo em conta «o conselho da tutela e as políticas de contenção» que defendiam «um reajustamento».
O director clínico diz compreender «as angústias» dos médicos internos que querem prestar cuidados diferenciados para além do trabalho «repetitivo e monótono» e das rotinas do dia-a-dia.

Manter internos motivados
para que fiquem na Guarda
Conseguir ter os médicos internos motivados enquanto prosseguem a sua formação na instituição aumenta a possibilidade dos clínicos se fixarem na instituição após a conclusão do internato. O director do serviço ainda no mês de Abril se manifestou preocupado numa carta dirigida ao Conselho de Administração defendendo ser necessário criar «condições» para garantir que os médicos internos fiquem no serviço após o fim da formação. Luís Camarinha reiterou na semana passada as mesmas preocupações defendendo ser necessário «sentar à mesa e ver como é que as coisas se resolvem», disse na semana passada na sessão de apresentação das Jornadas. O director voltou a apontar a «sobrecarga» dos ortopedistas e a lembrar da existência da lista de espera de doentes agudos. Luís Camarinha referiu-se ainda à situação noticiada em Outubro pelo TB em que a Urgência do Hospital esteve sem ortopedista durante um fim de semana. A escala de serviço apresentada à direcção clínica não apresentava qualquer solução para os dois primeiros dias de Outubro e também não estavam disponíveis os médicos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) que se deslocam à Guarda no âmbito de um protoloco de cooperação. À falta de alternativa, a solução foi providenciar a referenciação dos doentes para Viseu ou para Coimbra. O director do serviço sustentou que as Urgências são «o espelho da instituição» acabando por reflectir as dificuldades do serviço.
Gil Barreiros argumentou que esse não é um problema exclusivo do hospital da Guarda e que também há dificuldades nos grandes centros. E reconheceu que mesmo com a ajuda dos colegas de Coimbra «às vezes é difícil conseguir» médicos. A ULS da Guarda tem um protocolo celebrado com o CHUC através do qual vários médicos vêm daquela cidade «dar uma ajuda» no serviço de Urgência do hospital da Guarda. O serviço conta com seis assistentes especialistas, dois deles aposentados e mais 4 médicos internos. De Coimbra vêm quatro médicos dar apoio à Urgência e um ortopedista faz colaboração cirúrgica.

 

Elisabete Gonçalves
elisagoncalves.terrasdabeira@gmpress.pt

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