Ministério Ambiente sustenta que a caça no sul da serra da Malcata é boa para a conservação dos recursos naturais

O Ministério do Ambiente esclareceu Sexta-feira que apenas foi revogada uma portaria que interditava a caça na zona sul da serra da Malcata, no concelho de Penamacor, comentando assim críticas da associação ambientalista Quercus.
A Quercus denunciou a decisão do Governo de permitir a caça na Reserva Natural da Serra da Malcata, considerando que não tem fundamentação científica, e coloca em risco a recuperação de espécies como o lince ou o lobo. No entanto, segundo o Ministério do Ambiente, a actividade cinegética é praticada na Reserva desde a sua criação, e a portaria de interdição revogada «interditava a actividade cinegética na região sul desta área protegida, designadamente a área integrante do concelho de Penamacor».
Na resposta às críticas, o Ministério diz que são «inequívocas» as vantagens do ordenamento cinegético para conservação dos recursos naturais.
E diz que a promoção do ordenamento cinegético nas áreas onde tal prática se encontrava interditada, desde 1993, «constitui um instrumento fundamental» para promover a conservação da natureza e a biodiversidade, e «a articulação e a integração dos objectivos de conservação e de utilização sustentável dos recursos naturais na política de ordenamento do território e nas diferentes políticas sectoriais».
A Quercus, em comunicado, tinha acusado o Governo de ceder a pressões, considerando que a decisão pode pôr em causa a recuperação de espécies como o corço, o veado, o coelho, o lince, o lobo ou o abutre-preto.
Na origem da criação da Reserva Natural da Serra da Malcata, esteve o objectivo principal de proteger o lince-ibérico, espécie que já nos anos de 1980 se encontrava em elevado risco de extinção e hoje possui um plano com vista à sua reintrodução em Portugal, para ultrapassar o estatuto de ameaça de «criticamente em perigo», a nível mundial.
A opção do Governo de abrir a caça nesta área, «também representa um aumento do risco para o Plano Nacional de Reintrodução do Lince Ibérico, através do qual estão a ser investidos de milhões de euros», apontou a Quercus, salientando que está mesmo prevista a libertação de linces nesta área protegida.
O Ministério do Ambiente, na resposta, destaca o processo de reintrodução o lince na área do vale do Guadiana, «cujo território se encontra na sua totalidade sob o regime cinegético ordenado”, onde a caça é uma actividade que «tem contribuído para o aumento da biodiversidade da região». E diz ainda que «não se conhecem, em todo este processo administrativo conducente à criação da Zona de Caça Municipal da Malcata, pronúncias desfavoráveis».

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