Ministério Público investiga morte de bébe no hospital da Guarda

Os primeiros resul-tados dos exames médico-legais terão indicado que terá havido um desco-lamento súbito da placenta no caso da grávida que perdeu a bebé no final da gravidez depois de ter dado entrada no hospital da Guarda. O caso está a ser investigado pelo Ministério Público. A situação pode confi-gurar um crime de negligência ou de omissão de auxílio.

Ao fecho desta edição ainda estavam por esclarecer inúmeras questões sobre o caso de uma grávida de 37 semanas que perdeu a filha depois de ter dado entrada no hospital da Guarda em trabalho de parto. A mulher de 39 anos terá estado à espera mais de uma hora e meia até ser observada por um médico obstetra. Nessa manhã, da passada Quinta-feira, estavam dois obstetras de serviço como é habitual naquela unidade hospitalar, mas nenhum terá comparecido junto da grávida. Um deles é efectivo na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, a que pertence o hospital da Guarda, e o outro é prestador de serviços.
O caso está a ser investigado pelo Ministério Público e pela Inspecção Geral das Actividades em Saúde. A situação pode configurar um crime por negligência ou de omissão de auxílio.
Os primeiros resultados dos exames médico-legais indicam que terá havido um descolamento súbito da placenta, o que terá afectado a bébe. O relatório final da autópsia ainda vai demorar algumas semanas.
A administração da ULS emitiu um comunicado sobre o sucedido e remeteu-se ao silêncio por estarem em curso os processos de averiguação. Mas a nota enviada à imprensa não é esclarecedora da situação. O texto confirma apenas que quando Cláudia Costa deu entrada às 9:30 horas, do dia 16 de Fevereiro, na Urgência do Serviço de Obstetrícia estava «com perdas de sangue pouco significativas, tendo de imediato feito registo RTC às 9:34h». A administração não adianta que sinais terão sido registados neste exame e quanto tempo decorreu até ser realizado o exame seguinte, a ecografia fetal que «confirmou a morte do feto». A administração explica que ao ter conhecimento da situação «solicitou de imediato esclarecimentos ao director do Departamento de Saúde da Criança e da Mulher e à directora do serviço que elaboraram um relatório preliminar com o apuramento dos factos». A Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro também emitiu um comunicado dando conta que tinha sido instaurado um processo de inquérito e que lamentava «profundamente» a situação.
A gravidez de Cláudia Costa, a residir na Guarda, estava a ser acompanhada no Centro Hospitalar da Cova Beira, unidade de saúde onde se submeteu a vários tratamentos de fertilidade. O parto tinha sido marcado na véspera para o dia 27 por cesariana.
A ULS da Guarda tem actualmente 12 obstetras, sete têm vinculo efectivo à unidade de saúde e cinco são prestadores de serviço, sendo que um efectua apenas ecografias. Dada a falta de médicos, a ULS da Guarda recorre com frequência a empresas prestadoras de serviço para contratar médicos.

Ordem dos Médicos e Ministério acompanham o caso
O caso tem suscitado inúmeras reacções, desde o ministro da Saúde ao bastonário da Ordem dos Médicos. O ministro da Saúde, Adalberto Campos, foi confrontado com o caso na Assembleia da República. O governante respondeu que já estava a par do sucedido e tinha contactado os dirigentes da Inspecção Geral de Actividades Económicas que o informaram que tinha sido aberto um inquérito interno. «Vamos tentar perceber o que aconteceu», disse o ministro.
A secção regional do Centro pediu a identificação dos médicos obstetras que estavam de serviço. O presidente Carlos Cortes diz que se se verificar que houve responsabilidade médica o caso será remetido para o conselho disciplinar.

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