N18 – Da montanha à planície

Vai do quilometro 0 no cruzamento da rua 31 de Janeiro com a N16 e termina no quilometro 380 no cruzamento com a N2 em Ervidel.

Durante muitos anos foi utilizada pelas gentes da Beira para viagens a Lisboa e Algarve. Mais tarde o IP2 substituiu alguns troços e a variante da Covilhã já evitava a passagem pela cidade, poupando alguns quilómetros e tempo.

Nunca se falou tanto em percorrer de bicicleta e mota as estradas nacionais mais emblemáticas de Portugal como forma de turismo ativo. A N2 de Chaves a Faro, a N222 de Vila Nova de Gaia a Almendra, por exemplo. E a N18? Segunda maior estrada nacional e ainda por cima a iniciar na minha cidade? Foi então que em 2019 decidi fazer um levantamento do percurso original da N18, muitas horas agarradas ao computador utilizando o Street View do Google para tentar ler os marcos ainda presentes e em alguns casos tentando perceber visualmente o traçado. Alguns troços impossíveis de fazer por falta de seguimento, interrompidos pelo IP2 ou por passagens de nível de comboio fechadas.

E foi assim que decidi realizar esta rota de bicicleta em 2020 em que o quilometro 0 foi uma impressão em papel para simular o marco inicial. Neste ano de 2021 decidi fazer em mota já com o marco 0 colocado na rotunda da Dorna graças à apresentação da rota turística da N18 com o Clube Escape Livre que tem conseguido sensibilizar as populações diretamente ligadas a esta estrada de forma a valorizar ainda mais este ponto de interesse turístico do interior português.

Esta é de facto uma rota turística com muitas experiências disponíveis, desde a vasta gastronomia, paisagens e muita história a explorar. No total são necessários 390Km para percorrer a N18, onde estão incluídos alguns quilómetros na N3 em Castelo Branco e na N4 em Estremoz. Paisagens bem diferentes desde o granito da Serra da Estrela, o xisto da Cova da Beira, até ao calcário do Alentejo.

E que mudam de tal forma o seu aspeto em cada uma das quatro estações, que levam a desejar cruzar esta rota durante todo o ano.

Podemos percorrer a rota N18 no seu trajeto mais original, mais lento, com piso muitas vezes sem grande manutenção e com espólio original da criação da estrada nacional. Este é para mim o trajeto preferido para fazer de bicicleta, mota ou até de carro descapotável. Para quem queira perder menos tempo e “colecionar” apenas os melhores pontos de interesse, pode escolher as ligações com alguns troços de IP2.

Não me faz particularmente grande diferença o piso da estrada ainda ter alcatrão antigo ou até grandes troços em paralelos. O que me faz realmente impressão é termos muito transito que apenas está presente por “fugir” às portagens das autoestradas e que prejudica principalmente quem pretende fazer a N18 em bicicleta. Outro ponto negativo para as bicicletas é a falta de continuidade da estrada entre Vidigueira e São Matias antes de Beja, que nos obriga a entrar no IP2.

Considero-me um nostálgico e talvez por isso procuro muitas aventuras ligadas às estradas nacionais, às grandes rotas de bicicleta e aos caminhos de ferro. Quando consigo conjugar algumas delas, melhor ainda.

A próxima aventura já está desenhada há uns anos para fazer em bicicleta a N222 de Vila Nova de Gaia a Almendra. Mas como nestes dias tem estado demasiado calor, será mais simples e seguro fazer de mota com alguns amigos para, paulatinamente, tentarmos recuperar a normalidade das nossas vidas. Carpe diem 🙂

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